Título: Agência de viagem
Autor: Mirian
Rejowski.
Este material foi adaptado pelo Laboratório
de Acessibilidade da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, em
conformidade com a Lei 9.610 de 19/02/1998, não podendo ser reproduzido,
modificado e utilizado com fins comerciais.
Adaptado por: Bruno Trindade
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Adaptado em: novembro de 2025.
Padrão vigente a partir de março de 2022.
Observações gerais:
Referência: REJOWSKI, Mirian. Agência de
viagem. In: ANSARAH, Marília Gomes
dos Reis. Turismo: como aprender,
como ensinar II. 3. ed. São Paulo: SENAC, 2004. p. 37-64.
P.37
Agência de viagem
Mirian Rejowski
Introdução
A organização de viagens profissionalizou-se em meados do século XIX,
num período em que o turismo não se configurava como um importante fenômeno
social e econômico. Entre os precursores desse fenômeno, podem-se citar Thomas
Cook e Henry Wells, que iniciaram as suas atividades em 1841: o primeiro na
Inglaterra e o segundo nos Estados Unidos.[nota 1] Além desses, a Abreu Turismo
reivindica também ser incluída nesse rol de precursores, pois já em 1840 vendia
passagens de trem (quando do início do funcionamento da estrada de ferro
ligando Lisboa a Porto) e, depois, passagens de navio para o Brasil; neste
último caso, também providenciava documentação aos viajantes (imigrantes).
No entanto, a literatura internacional considera Thomas Cook o fundador
das agências de viagem, o primeiro agente de viagens profissional a dedicar-se em
tempo integral a essa atividade e o "pai do turismo moderno".[nota 2]
É interessante citar a sua primeira viagem organizada sem fins lucrativos:
P.38
Em julho de 1841 Cook fretou um trem para transportar 578 (ou 570)
pessoas, em uma viagem de ida e volta, entre as cidades de Loughborough e
Leicester, distantes 35 km uma da outra, para assistirem a um Congresso
Antialcoólico. Para tanto persuadiu a Companhia Ferroviária que era melhor
negócio fazer sair um trem completamente cheio de passageiros a preços
reduzidos, do que deixá-lo operar com a tarifa normal
mas com índices de ocupação menores. A viagem foi toda organizada por Cook sem
visar nenhum benefício pessoal, mas ele logo percebeu o enorme potencial
econômico que representava a organização de viagens.[nota 3]
No Brasil a primeira agência de viagem genuinamente brasileira aparece
apenas em 1943: [nota
4]
Em 1943 foi fundada a primeira agência de viagem brasileira — Agência
Geral de Turismo [...]. Na época São Paulo tinha menos que 2 milhões de
habitantes, não havia grandes redes de hotelaria e nem a aviação comercial
estava desenvolvida no Brasil. Mas havia uma procura relevante de turismo marítimo
para viagens nacionais e internacionais.
A Agência Geral começou criando excursões de ônibus, e [...] lançou o
primeiro Carnaval Aéreo para o Rio de Janeiro, ao mesmo tempo que eram feitas
reservas de hotéis nas estâncias balneárias (cura de 21 dias).
As agências de viagem começaram a crescer no Brasil entre 1947 e 1950,
tanto assim que em 1956 já era fundado o Sindicato das Empresas de Turismo do
Estado de São Paulo. Em 1959 surgiu a Associação Brasileira de Agências de
Viagem (Abav), ano em que foi criada também sua Delegacia Regional São Paulo.
Segundo Mastrorosa, desde o início do crescimento das agências de viagem
no Brasil, tais empresas incorporaram
[...] a ideia de que todo mundo entende de turismo, que é um campo fácil
de se trabalhar e onde se ganha muito dinheiro. Tal idéia, embora deturpada e
estereotipada, ainda vigora em muitas novas agências dos dias atuais.
Turismo não é comércio comum, mas sim atividade profissional específica
de gente que entende e que tenha vontade de trabalhar na área. [nota 5]
Com esse pensamento, o estudo aprofundado da teoria e prática das
agências
P.39
de viagens faz-se
necessário e imprescindível para a formação do bacharel em turismo, quer atue,
quer venha a atuar nessas ou em outras áreas do turismo. Isso porque tais
empresas ou empreendimentos constituem-se em um dos componentes do sistema de turismo,
situados tanto em núcleos emissores quanto receptores, e responsáveis pela
produção e distribuição de serviços turísticos isolados ou organizados. Nelas,
o aluno toma contato com vários componentes do turismo (hotel, transporte,
alimentação, atrativos, guia, etc.), passando a compreender a integração e as
relações de interdependência entre os mesmos, e, conseqüentemente, a abrangência
e complexidade de uma viagem turística por mais simples que seja.
Este capítulo aborda aspectos relevantes da agência de viagem ou agência
de turismo, considerando-os sob a ótica de disciplina específica de cursos de
graduação em turismo. Nesse sentido, inicia-se pelas "Considerações
básicas" sobre esse tema, apresentando os aspectos conceituais, a
caracterização de serviços e produtos e a tipologia. Em seguida, analisa a
disciplina no ensino superior de turismo, enfocando o seu relacionamento com
outras disciplinas, seus objetivos gerais, uma proposta de programa e alguns
roteiros de estudo. Nas "Considerações finais" enfatiza a necessidade
de maior profissionalismo e conhecimento teórico-prático, analisa a
bibliografia básica e complementar, e reflete sobre o campo de atuação em face
das tendências e perspectivas futuras.
Considerações básicas
Na literatura pertinente ao tema encontram-se vários termos — agência de
viagem, agência de turismo e agência de viagem e turismo. Embora no Brasil esse
tipo de empresa seja legalmente denominada agência de
turismo, considera-se o termo agência de viagem mais abrangente, pois esse tipo
de empresa atende tanto o turista quanto o viajante em geral. Assim, no
decorrer deste capítulo, tal termo será empregado como sinônimo da denominação
oficial brasileira.
CONCEITUAÇÃO
Entre os vários conceitos analisados, considera-se o de Acerenza um dos
mais adequados ao se tratar da proposta e do conteúdo de uma disciplina em
nível de graduação. Conforme o pensamento desse autor, tem-se que agência de
viagem é
P.40
[...] uma empresa
de serviços dedicada à realização de "arranjos" para viagens e à
venda de serviços isolados ou organizados, atuando como intermediária, e/ou
organizadora, e/ou assessora, e estabelecendo elos de ligação entre os
prestadores de serviços turísticos e o usuário final, para fins turísticos,
comerciais ou de qualquer outra índole. [nota 6]
As agências de viagem constituem-se, assim, em canais de distribuição
dos produtos turísticos e estabelecem a ligação entre os prestadores ou
fornecedores turísticos (hotéis, empresas de transportes, restaurantes, etc.) e
o usuário final, o turista ou o viajante em geral.[nota 7] Sob essa ótica, percebe-se que essas
empresas podem assumir duas formas: como organizadores de viagem e como
vendedores de serviços e produtos turísticos. No primeiro caso, tais empresas
denominam-se operadoras turísticas, e, no segundo, agências vendedoras.
Principais funções
Schluter e Winter destacam três funções das agências de viagem:
• intermediação de serviços de transporte, alojamento, alimentação e
conexos, de forma isolada ou combinada;
• desenvolvimento e execução de programas de viagem, combinando
diferentes serviços e equipamentos, na forma de um único produto turístico;
• assessoramento ao viajante na eleição de destinos turísticos,
combinações de rotas, formas de alojamento, facilitação de documentação,
expedição de bagagem, etc.[nota 8]
Intermediação de serviços e produtos turísticos
Com essa função, a agência de viagem coloca-se entre o turista e os
prestadores de serviços de que este necessita, em um papel de intermediadora
entre ambos. Uma pessoa que deseja ir a uma cidade desconhecida, por exemplo,
precisará de um meio de transporte, uma reserva de alojamento, certos serviços
especiais, etc. Essa pessoa geralmente desconhece onde alojar-se e uma
infinidade de outros detalhes que as agências especializadas nesse setor podem
resolver para ela.
P.41
Essa intermediação baseou-se por muito tempo na regra de que o cliente
não deve pagar mais se requisitar os serviços de uma agência de viagem, e que
os ingressos desta originam-se das comissões que os prestadores turísticos lhe
concedem pelos clientes que envia.[nota 9] No entanto, tal regra vem sendo
substituída, paulatinamente, por uma tabela de preços para a prestação de cada
serviço em particular, no caso de clientes-pessoas físicas, ou um valor para a
prestação de serviços requeridos pelos clientes-pessoas jurídicas em
determinado período. Neste último caso, tal valor pode ser fixo ou variável,
caso em que é calculado com base na percentagem sobre o montante de serviços
requeridos. Na Europa e nos Estados Unidos já se constitui uma prática adotada
no mercado de viagens, enquanto no Brasil ainda é bastante discutida. No
mercado brasileiro já é adotada por agências que atendem a contas correntes de
empresas de médio e grande porte, e isso é visto como uma tendência no contexto
atual, sendo um de seus indicadores a diminuição das comissões de passagens
aéreas.
A agência que prioriza essa função é denominada comumente de agência de
viagem vendedora ou simplesmente agência vendedora, como ocorre no mercado
brasileiro. No exterior, alguns termos adotados são os seguintes: minorista,
detallista e comisionista em espanhol; retail agent em inglês. O preço do
produto a ser vendido é fixado pelos prestadores dos serviços, e são as
seguintes as principais características desse tipo de empresa:
• recebe uma comissão pela venda dos produtos e serviços turísticas que
oferece, ou cobra um preço para cada serviço, ou um valor fixo ou variável por
todos os serviços adquiridos pelos clientes num determinado período;
• vende diretamente ao consumidor final, pessoa física ou jurídica;
mantém uma estrutura de loja quando do atendimento às pessoas físicas e uma
estrutura de escritório quando do atendimento a pessoas jurídicas;
• sua principal vocação é a venda de produtos e serviços turísticos.
Uma variante desse tipo de empresa é a agência de viagem representante,
que detém a representação exclusiva de um prestador turístico (hotel, companhia
aérea, operadora turística, etc.). Outra variante são os chamados postos de
serviços ou de atendimento, que na verdade funcionam como "filiais"
dentro de grandes empresas a que as agências atendem, as quais demandam grande
volume de serviços e atendimento rápido e personalizado.
P.42
Desenvolvimento e execução de programas de viagem
Ás atividades das agências de viagem podem ultrapassar a mera função de
intermediação entre os viajantes e os fornecedores de serviços de turismo,
cobrindo a organização de itinerários especiais feitos a pedido do cliente ou
de excursões turísticas vendidas ao público em geral. Sua principal função é,
assim, o desenvolvimento e a execução de programas de viagem que se constituem
em verdadeiros produtos turísticos, "fabricados" a partir da
combinação de diferentes serviços de transporte, alojamento, entretenimento,
etc., disponíveis no mercado...
A maioria dos autores, como Schluter e Winter, assinalam que a
elaboração de produtos é a tarefa na qual o agente de viagens mostra toda a sua
criatividade e seu grau de profissionalismo. [nota 10]
As empresas que priorizam essa função denominam-se em inglês tour
operator e wholesaler, em espanhol mayorista e em português "tour
operadora", ou "operadora turística". Como características
principais:
• planejam o produto, compram a "matéria-prima" e organizam o
produto final; desenvolvem, portanto, produtos turísticos ou viagens
organizadas, envolvendo a combinação de vários serviços e equipamentos de
diferentes fornecedores;
• tem como público preferencial as agências vendedoras, embora possam
também vender ao público em geral;
• sua principal vocação é a organização de viagens.
As grandes operadoras internacionais que dirigem o público aos
principais destinos turísticos são as agências atacadistas, conhecidas como
mayoristas ou wholesalers.
Uma variante desse tipo de agência é a operadora de turismo receptivo,
que se especializa em operar viagens dentro de um mesmo país ou uma localidade.
Embora comercializem diretamente os seus produtos com os turistas do destino em
que se encontram, sua principal clientela é composta por operadoras turísticas
localizadas em núcleos emissores, as quais contratam seus serviços e produtos
para a montagem de pacotes e forfaits. .
P.43
Assessoramento ao viajante
Devido ao crescente grau de complexidade dos serviços turísticos por
causa de o mercado estar se tornando cada dia mais heterogêneo e competitivo,
começa-se a considerar o assessoramento ao viajante como a verdadeira função da
agência de viagem num futuro próximo, distinguindo-a dos outros prestadores
turísticos. Para tanto, o agente deve conhecer profundamente os serviços que
vende, com base em experiência própria ou em abundante informação confiável
sobre os mesmos,
[...] deve contar com amplos conhecimentos de geografia, sobre
documentação de viagens e sobre as condições sanitárias e de segurança
imperantes nos destinos. Também deve poder avaliar a capacidade econômica,
idade, estado de saúde, gostos e necessidades de seus clientes para poder
oferecer-lhes uma adequada combinação de serviços de transporte, alojamento e
amenidades. [nota
11]
Complementando tal colocação, para Petra, o agente. ao atender um
cliente. deve considerar principalmente três aspectos: psicológico, material e
intelectual.[nota
12] O psicológico, para identificar características peculiares do
indivíduo e suas motivações de viagem; o material, para definir claramente
quanto o cliente quer e pode gastar na viagem; e o intelectual para levantar o
nível educacional e seus interesses intelectuais. Com esses três aspectos, o
agente "constrói" um perfil do cliente, básico para a oferta de
serviços e produtos adequados ao mesmo.
Tal função se faz presente em qualquer tipo de agência, quer seja
vendedora ou operadora turística, quer atenda clientes físicos ou jurídicos.
Prevê-se que o agente será, num futuro próximo, um consultor turístico de alto
nível, podendo especializar-se em uma determinada área (por exemplo, em
ecoturismo ou turismo cultural de determinada região).
Outras funções
Além das três
funções assinaladas há duas que não podem ser esquecidas:
• função de
mandatário (procurador): a agência atua como representante legal, ou procurador
do prestador turístico (hotel, empresa aérea, etc.), uma vez
P.44
que comercializa e
vende os seus serviços, e do próprio consumidor (turista, viajante em geral),
pois compra em seu nome os. Serviços que ele necessita;
• função de promotor: promove destinos turísticos e dinamiza a atividade
turística em todo o mundo, tendo importante papel no desenvolvimento dos
destinos turísticos e no planejamento sustentável do turismo.
Apesar dos benefícios que a agência de viagem pode oferecer ao cliente e
ao destino turístico, devem se considerar ainda os seus malefícios, quando há
uma exploração predatória e irresponsável do meio ambiente natural, social e
até cultural. Se o agente não explorar de forma responsável e adequada a sua
própria "matéria-prima", poderá provocar a deterioração e destruição
da mesma, em curto, médio ou longo prazo.
Caracterização de produtos e serviços
Os serviços e produtos desenvolvidos e/ou comercializados pelas agências
de viagem variam basicamente em função do tipo de agência (vendedora e/ou
operadora), do tipo de atuação no mercado (nacional/internacional,
emissivo/receptivo) e do público-alvo (jovens, casais, singles, família,
terceira idade, homens de negócio, pessoas com interesses específicos de viagem
— ambientalistas, naturistas, etc.). De modo geral, no entanto, podem-se
caracterizar os serviços e produtos comercializados pelas agências de viagem a
partir de suas atividades essenciais e acessórias.
Atividades essenciais
São atividades peculiares a esse tipo de empresa que a caracterizam como
tal e que envolvem um conjunto de serviços que podem se apresentar de forma
isolada ou organizada. [nota 13] Consideram-se serviços isolados os
seguintes:
• reserva de transporte e venda de bilhete de passagem, principalmente
aérea;
• reserva de alojamento em diferentes tipos de meios de hospedagem, como
hotel, pousada, hotel-residência (apart hotel), albergue, etc.;
• traslados: serviço de transporte do aeroporto ao hotel e vice-versa,
do hotel para o centro de convenções e vice-versa, etc.;
P.45
• serviços de guias
e intérpretes;[nota
14]
• excursões nos
núcleos receptores do tipo sight seeing, city tour, city by night, [nota 15]
etc.;
• locação de meios
de transporte local (rent a car).
Já os serviços organizados são comercializados pelas agências na forma
de tours e forfaits:[nota 16]
• Tours: chamados
popularmente de pacotes turísticos ou simplesmente pacotes, são viagens
programadas e estruturadas previamente, mediante um estudo de marketing.
Dirigem-se a um ou mais segmentos particulares do mercado e são oferecidas na
forma de um roteiro com vários serviços incluídos mediante programação definida
a um preço único. Como são programadas antes da solicitação formal do cliente,
e contratadas e pagas (total ou parcialmente) antes da prestação dos serviços,
alguns autores denominam esse tipo de viagem de forfait à oferta,[nota 17]
ou pacote turístico de destino.[nota 18]
• Forfaits: é uma
viagem programada "sob medida", mediante solicitação prévia do
cliente. Denominada também de forfait à demanda,[nota 19] pode ser de dois tipos:
- forfaits individuais: foreign independent
travel, dirigidos a indivíduos ou grupos pequenos (famílias, amigos);
- forfaits em grupo: grupos de interesse comum
(participantes de um congresso, membros de uma entidade de classe, etc.),
viagens de incentivo e viagens profissionais.
Uma viagem organizada, seja um "pacote" ou um forfait, envolve
vários serviços ou produtos turísticos combinados de determinada maneira e com
determinada duração e preço. Para a maioria dos profissionais e estudiosos,
inclui no mínimo trans-
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porte e alojamento.[nota 20]
Nesses componentes normalmente se incluem o traslado, o regime de alimentação e
a programação de visitas e passeios.
Atividades acessórias
São atividades não
privativas das agências de viagem, mas que podem ser realizadas complementando
as atividades privativas e de acordo com as necessidades dos seus clientes.
Envolvem a prestação de vários serviços:
• expedição de
bagagem;
• câmbio;
• seguro de viagem;
• reserva de
ingressos para espetáculos ou eventos;
• serviços de
informação;
• assistência no
embarque;
• outros (serviços
de despachante, aluguel de equipamentos especializados para viagens de aventura,
despacho de carga, etc.).
Cada um desses
produtos e serviços tem características peculiares e pode, se bem trabalhado,
contribuir para a construção de uma imagem positiva e diferencial da agência
junto a seu público e no mercado turístico.
Tipologia e classificação
Existem diferentes
critérios para classificar as agências de viagem. O principal deles, já
mencionado, é a função a partir da qual são classificadas em agência de viagem
vendedora e operadora turística. A regulamentação em cada país define a forma
de atuação das agências no mercado em face de tais funções ou outras formas de
atuação e constituição.
Outros critérios
para classificar as agências de viagem, segundo Schlüter e Winter, são:
Tipo de mercado:
agência emissiva ou receptiva; agência nacional ou internacional.
• Grau de
orientação para um determinado serviço ou destino em especial: agências
especializadas em determinada modalidade turística (turismo de aventura,
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ecoturismo,
cruzeiros marítimos, etc.), eventos (esportivos, científicos, empresariais e
artísticos), feiras e exposições, congressos, lugar geográfico (América do Sul,
Estados Unidos/Canadá, Europa), viagens de estudo, etc.
• Outros critérios:
contrato (sociedade anônima, sociedade civil limitada), caráter
jurídico-administrativo (matriz, filial, franqueada).
Conforme a legislação brasileira, as agências de viagem são denominadas
genericamente de agências de turismo. Legalmente, as atividades privativas
dessas empresas são:
• venda
comissionada ou intermediação remunerada de passagens individuais ou coletivas,
passeios, viagens e excursões;
• intermediação
remunerada na reserva de acomodações;
• recepção,
transferência e assistência especializadas ao turista ou viajante;
• operação de
viagens e excursões, individuais ou coletivas, que compreende a organização,
contratação e execução de programas, roteiros e itinerários;
• representação de
empresas transportadoras, empresas de hospedagem, outras prestadoras de
serviços turísticos;
• divulgação pelos
meios adequados, inclusive propaganda e publicidade, dos serviços mencionados
nos incisos anteriores (Decreto n° 84.934, de 21/7/80).
Podem, assim, prestar todos ou alguns desses serviços privativos,
complementados por outros de caráter não privativo, assim discriminados:
• obtenção e
legalização de documentos para viajantes;
• reserva e venda,
mediante comissionamento, de ingressos para espetáculos públicos, artísticos,
esportivos, culturais e outros;
• transporte
turístico de superfície;
• desembaraço de
bagagens, nas viagens e excursões de seus clientes;
• agenciamento de
carga;
• prestação de
serviços para congressos, convenções, feiras e eventos similares;
• operações de câmbio manual, observadas as instruções baixadas a esse
respeito pelo Banco Central do Brasil;
• outros serviços, que venham a ser especificados [...] (Decreto n°
84.934, de 21/7/80).
Consideradas empreendimentos turísticos pelo Instituto Brasileiro de
Turismo (Embratur), classificam-se em duas categorias:
• agência de viagem
e turismo (AVT) — pode realizar todas as atividades privativas e não
privativas, não tendo qualquer restrição de operação nacional e internacional;
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• agência de viagem
(AV) - pode realizar todas as atividades privativas e não privativas, tendo
restrição de operação internacional; só pode operar excursões nacionais (aéreas
e rodoviárias).
As agências de turismo no Brasil, independentemente de sua
categorização, podem atuar, então, como vendedoras e/ou operadoras, mantendo
uma estrutura de loja ou de escritório. Quando exercem ambas as funções são
consideradas agências mistas.
Usualmente, no mercado brasileiro ocorre uma distorção dessas denominações
legais: as operadoras (que também podem ser vendedoras) são chamadas de
agências de turismo, e as vendedoras, de agências de viagem.
Tendências e perspectivas
No Brasil, as agências de turismo configuravam-se com um elevado número
de empresas, cerca de 13.611 agências de viagem e turismo e 1.406 agências de
viagem, conforme dados da Embratur, em 1998. Com o recadastramento dessas
empresas em 1999, o seu número caiu para cerca de 7 mil, com tendência a se
reduzir ainda mais.
Embora a legislação brasileira defina as duas categorias de agência de
turismo como operadoras, uma delas com limitação de operação internacional, a
maioria das agências de turismo no Brasil é, na verdade, vendedora e não
operadora como a priori poder-se-ia pensar. Há um reduzido percentual de
operadoras turísticas, em torno de 1,2% do total, concentradas no eixo Rio-São
Paulo.[nota 21]
As agências de viagem, entre as empresas componentes do sistema de
distribuição em turismo, são as que mais têm sofrido diante dos impactos das
relações com o mercado. Segundo Reinaldo:
Os agentes de viagens precisam estar atentos ao novo perfil do
consumidor, ao aparecimento de outros distribuidores não tradicionais no
"trade" e ao desenvolvimento de novas tecnologias de distribuição.
[...] o trabalho das agências tende a se modificar, passando de meros
distribuidores de produtos prontos a finalizadores de produtos, de acordo com
as demandas do mercado.[nota 22]
P.49
Complementando esse pensamento, Ludwig considera que a competitividade
atual está intimamente relacionada a uma estratégia bem planejada, saber o que
fazer, ter qualidade e inovar.[nota 23] Assim, o objetivo da agência deverá
ser o de fazer com que o seu cliente desfrute de um conjunto de eventos e
experiências de forma personalizada.
De outro lado, a tão tradicional forma de receita baseada no
comissionamento de produtos e serviços turísticos está cedendo lugar a novas
formas de remuneração, em face da redução das comissões pelos fornecedores,
como no caso das companhias aéreas norte-americanas e brasileiras.
A mudança de postura da agência de viagem é mais premente em relação à
aplicação e uso de novas tecnologias de informação e os seus efeitos nas
reações com o consumidor — os sistemas globais de distribuição (GDS), a
Internet, etc. E, ainda, a melhor qualificação profissional constitui-se também
em ameaça crucial para a sua sobrevivência, a qual deve ser enfrentada.
Sintetizando essas e outras perspectivas e tendências, concorda-se com o
pensamento de Reinaldo de que o futuro das agências de viagem dependerá de
[...] uma postura estratégica pró-ativa, dinâmica e de vanguarda, que
compreenda:
- o redirecionamento do negócio para o atendimento a segmentos
ou nichos específicos;
- a procura de uma maior profissionalização [...] calcada em
planejamento estratégico;
- o desenvolvimento de recursos humanos, não apenas nas áreas
técnicas, como também em conceitos de atendimento e qualidade;
- a incorporação de novas tecnologias de informação e
ferramentas de gestão, visando transformar a gestão tradicional e arcaica
[...];
- o desenvolvimento de ações de "benchmarking", de
empresas concorrentes ou não, visando atender aos desejos do consumidor por
novos produtos e/ou serviços turísticos;
- a formação de parcerias entre elas mesmas, buscando o
fortalecimento nas negociações junto aos fornecedores, podendo, assim,
enfrentar de maneira mais competitiva as mega agências [...] [nota 24]
P.50
Agência de viagem como disciplina no ensino
superior de turismo
Relacionamento com outras disciplinas
Turismo é uma área multi e interdisciplinar pela sua própria
conceituação, abrangência e complexidade, tão bem retratadas na obra Análise
estrutural do turismo.[nota 25] Por ser um fenômeno de múltiplas
facetas, influi em muitos aspectos da vida humana, quer de forma direta, quer
indireta[nota 26]
e conseqüentemente se relaciona com várias áreas, como a economia, a geografia,
a sociologia, a psicologia, a antropologia, a ecologia, a administração, o
direito, etc.
Quando se trata especificamente da disciplina agência de viagem, existem
igualmente relações de interdependência e integração entre todos os componentes
do turismo, e daí com várias disciplinas ou áreas do conhecimento, como as
citadas a seguir:
Teoria geral do
turismo
O conhecimento prévio dos conceitos e termos técnicos usados em turismo,
bem como a sua evolução teórica, as principais correntes de pensadores, como a
de Beni, abordando-o sob a ótica da teoria sistêmica com o Sistema de Turismo
(Sistur),[nota
27] em toda a sua abrangência, complexidade e particularidade, é
fundamental para a compreensão e estudo das agências de viagem como um dos
componentes desse sistema. Nesse sentido, não se recomenda que a disciplina
agência de viagem seja incluída nos dois primeiros semestres do curso, quando
são aplicadas disciplinas de cunho humanístico e de teoria turística.
• Turismo e meio ambiente
O estudo do meio ambiente, considerado inserido em várias disciplinas
(geografia do turismo, patrimônio natural, patrimônio cultural, história,
folclore e artesanato, museologia, etc.), é a base para a análise e discussão
da exploração de recursos e atrativos turísticos pelas agências de viagem. Um
tópico a ser ressaltado nesse contexto é a sustentabilidade dos recursos e do
destino, com base nos impactos
P.51
positivos e
negativos do turismo no meio ambiente, nas formas adequadas de exploração
turística, na capacidade de carga dos atrativos, na conscientização/educação
ambiental de turistas e da população local, etc. Assim, essa disciplina deve
anteceder a de agência de viagem para um melhor aproveitamento.
• Psicossociologia
do turismo
Há neste tema dois tópicos de particular interesse para a disciplina
agência de viagem: um é o comportamento do turista (antes, durante e depois da
viagem), em particular as motivações turísticas; outro é o encontro do turista
com a população anfitriã, que envolve questões inerentes aos impactos e ao
receptivo nos destinos turísticos. Além desses, vários tópicos ainda devem ser
considerados, como dinâmica de grupo, persuasão, liderança, etc. Essa e outras
disciplinas afins ao tema podem perfeitamente anteceder ou correr em paralelo
com a de agência de viagem, possibilitando, nesse caso, a realização de
trabalhos práticos em campo.
• Metodologia
científica e estatística
Embora muitos agentes considerem que a sua vivência e experiência
traduzam seu feeling nos negócios, atualmente, cada vez mais os resultados de
estudos científicos vêm sendo considerados no mercado para a tomada de decisões
com menor margem de erro. Assim, estudos sobre a demanda, a oferta, os
concorrentes e novos produtos, etc. vêm aproximando a empresa à universidade e
vice-versa. A estatística é aplicada tanto nesses estudos, quanto em relatórios
da empresa para a interpretação de dados de clientes, de vendas, etc. Ambas
devem, então, anteceder a disciplina agência de viagem.
• Informática
aplicada ao turismo
Obviamente conhecimentos de informática são imprescindíveis a qualquer
atuação profissional. Particularmente nas agências de viagem, a informática vem
sendo aplicada em várias áreas: administrativa, financeira, atendimento,
reservas, vendas e operação. Destacam-se aqui os Sistemas Globais de
Distribuição (GDS), como o Sabre e o Galileu, por exemplo, e outros sistemas
desenvolvidos para cada agência em particular. Pode ser ministrada em paralelo
ou anteceder a disciplina agência de viagem.
• Transportes
A "coluna vertebral" da viagem é o transporte, em torno do
qual o roteiro é desenvolvido. Assim, o estudo da relação entre transporte e
turismo, referente às pos-
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sibilidades do
deslocamento ou à própria questão da sua atratividade e adequabilidade, ou,
ainda, referente às características peculiares de cada meio de transporte e
suas formas de integração, é imprescindível para a disciplina agência de
viagem. Considera-se mais adequado quando o estudo dos transportes antecede o
das agências de viagem. No entanto, em alguns casos ele é enfocado no âmbito
desta última, o que é plenamente aceitável quando o curso de turismo enfatiza a
gestão de empreendimentos turísticos e não o planejamento.
• Hotelaria ou
meios de hospedagem
Embora envolva empresas completamente diferentes das agências de viagem,
a hospedagem congrega serviços e equipamentos utilizados nas viagens. Assim, ao
agente interessa conhecer os seus vários tipos, suas características e
particularidades, ao mesmo tempo que deve saber avaliar a qualidade dos
serviços oferecidos. Isso é básico na seleção dos meios e na negociação e
contratação de serviços. Pode anteceder ou ser ministrada ao mesmo tempo que a
disciplina agência de viagem.
• Economia,
administração e finanças
O conhecimento adquirido nessas três
disciplinas são de
grande importância no âmbito das agências de viagem. Importa ao agente conhecer
as questões macro e micro da economia turística brasileira e mundial, formas de
administrar sua empresa e como gerir as finanças. Muitas vezes, no entanto,
tais disciplinas abordam questões gerais não aplicadas ao turismo nem às
empresas turísticas, e torna-se difícil para o aluno ver a sua aplicabilidade e
importância.
• Direito e ética
profissional
Particularmente trata-se do direito específico às agências de viagem, no
que diz respeito às normas legais reguladoras de sua atuação, questões legais
que envolvem direito internacional e, em especial, o tema direito do consumidor
e responsabilidade legal dos prestadores turísticos; é tema imprescindível.
Quanto à ética profissional, contribuirá para a formação de um profissional
competente com responsabilidade e respeito perante a sociedade.
• Política, comunicação
e marketing turístico
O estudo do mercado de viagens, em face das políticas públicas e
privadas, flutuações da oferta e da demanda, etc., é básico para a definição de
um plano de marketing aplicado às agências de viagem, em que estratégias bem
formuladas podem
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melhorar o seu
posicionamento no mercado e atingir suas metas de desenvolvimento. No marketing
ainda se insere a utilização dos meios de comunicação na promoção e divulgação
dos serviços e produtos oferecidos por essas empresas. É conveniente, portanto,
que tais disciplinas sejam ministradas em paralelo ou após a agência de viagem.
• Planejamento e
gestão estratégica do turismo
Nessas disciplinas, normalmente ministradas no final do curso ou a
partir do terceiro ano, o conhecimento prévio do tema agência dc viagem é
imprescindível. No planejamento e gestão de destinos turísticos, o papel dessas
empresas na promoção, divulgação e realização das viagens — vendedoras ou
operadoras, emissivas ou receptivas — deve necessariamente ser considerado visando
o desenvolvimento e a sustentabilidade das mesmas. Sob a ótica empresarial,
aplica-se a gestão estratégica às agências de viagem como empresas modernas
diante dos desafios para sua sobrevivência e desenvolvimento num mercado
extremamente competitivo e em constantes mudanças.
• Outras
disciplinas
Praticamente todas as outras disciplinas constantes de um currículo de
curso de graduação em turismo devem se relacionar à disciplina agência de
viagem. Quando isso não ocorre, o conhecimento se torna fragmentado, pois falta
ao curso a proposta de interdisciplinaridade.
Objetivos e proposta de programa
É preciso destacar, antes de tudo, os objetivos da disciplina que,
obviamente, estão estritamente ligados à proposta do curso, suas ênfases, o
perfil do bacharel a ser formado e, ainda, a proporção da teoria e da prática.
O conteúdo de uma ou mais disciplinas sobre agência de viagem deve
equilibrar a teoria com a prática, de modo que estas não devem ser ministradas
a partir de técnicas e procedimentos básicos, o que caracterizaria um ensino de
nível técnico e não de nível superior. Daí não se enfocar destacadamente, por
exemplo, a emissão de bilhetes de passagens aéreas, a elaboração de reservas,
etc. O mesmo não se aplica quanto ao planejamento e execução de viagens organizadas
(pacotes e forfaits), pois esse tópico apresenta boas oportunidades de
realizações práticas
P.54
concretizadas
através de viagens-laboratório. Nelas o aluno depara com situações reais,
previstas ou não, cujas resoluções complementam os conhecimentos adquiridos em
sala de aula.
Isso posto, uma disciplina de graduação poderia perseguir os objetivos
gerais assim formulados:
• Fornecer ao aluno uma visão abrangente das atividades de agenciamento
e operações turísticas, capacitando-o a entender o posicionamento macro das
agências de viagem no setor, seu inter-relacionamento com os demais agentes e
componentes do turismo, e seu papel no planejamento turístico.
• Analisar, particularmente, a atuação e dinâmica das agências de viagem
em núcleos emissores e receptores, e seus aspectos de organização,
planejamento, marketing e posicionamento de mercado, destacando o planejamento
estratégico e a gestão empresarial.
• Discutir diferentes tipos de agências de viagem, das mais genéricas às
mais especializadas, refletindo as tendências e os desafios que se impõem a
curto, médio e longo prazos, diante da globalização, dos avanços tecnológicos,
do crescimento do turismo, das novas características dos viajantes, e da
qualidade e competitividade do produto turístico no mercado de viagens.
Com base nesses objetivos, uma proposta de programa a ser desenvolvida,
que recupera o passado, compreende o presente e projeta o futuro, pode tomar a
formatação a seguir:
• Introdução:
- conceitos básicos;
- características do mercado turístico;
- contexto mundial X contexto brasileiro;
- agências de viagem;
- histórico e evolução;
- conceituação e funções básicas;
- caracterização de produtos e serviços;
- tipologia e classificação;
- evolução e atuação no Brasil.
• Produção e
distribuição:
- análise estrutural;
- planejamento e desenvolvimento de pacotes e forfaits;
- critérios de lançamento de pacotes;
- processos de programação e contratação junto aos prestadores
turísticos;
P.55
- feiras de turismo, bolsas de contratação e workshops;
- cálculo de custos e definição de margens de lucro —
políticas de preço;
- promoção e vendas na alta e baixa estação;
- processos de distribuição de serviços e produtos;
- novas tecnologias e sistemas globais de distribuição (GDS);
- eficiência e competitividade;
- aspectos organizacionais e de integração;
- sistema de franchise;
- definição do campo de atuação e da linha de produtos;
- prestação de serviços X defesa do consumidor;
- treinamento e capacitação de recursos humanos;
- agência de turismo e desenvolvimento sustentável;
- planejamento e marketing estratégico.
• Estudos de caso:
- operadora turística (emissiva);
- operadora de turismo receptivo;
- agência de turismo vendedora;
- agência posto de serviço;
- agência ecoturística;
- agência de viagens de estudo e intercâmbio;
- agência de turismo e eventos;
- agência de turismo e viagens de incentivo.
• Considerações
finais:
- análise de tendências e perspectivas;
- riscos e oportunidades no mercado de viagens;
- projeto de uma agência de turismo no Brasil.
Roteiros de estudo
Entre vários
roteiros de estudo da disciplina agência de viagem, consideram-se de especial
importância o de fases de operação de pacote e o de análise da concorrência —
caracterização de produtos turísticos similares e projeto de uma agência de
turismo.
P.56
Fases de operação
de pacotes
Entende-se por
operação de pacotes ou forfaits, todo o desenvolvimento de programas de viagem,
desde o seu planejamento até a sua execução. Cada grupo de alunos pode
desenvolver um conjunto de fases (planejamento, comercialização e realização),
integrando um único projeto de operação de viagem, ou, então, desenvolver
vários projetos que realizem todas as fases dessa operação. Em ambos os casos,
o roteiro a ser seguido no caso de pacotes turísticos envolve várias fases, as
quais são listadas a seguir:
• pesquisa de
mercado (oferta e demanda);
• definição das
características gerais;
• análise da concorrência
— pacotes similares;
• planejamento ou
elaboração — rota e roteiro;
• cotização;
• aprovação;
• contratação dos
serviços;
• redação final;
• plano de
marketing;
• promoção e
divulgação;
• vendas;
• formalização;
• execução ou
realização;
• liquidação;
• avaliação e
controle de qualidade.
A apresentação de
cada grupo e a realização das viagens propostas confrontarão a teoria com a
prática e contribuirão para o enriquecimento da disciplina e o maior
desenvolvimento do aluno ao vivenciar a realidade de uma viagem turística.
Análise da concorrência - caracterização de PRODUTOS
TURÍSTICOS SIMILARES
Com o propósito de
comparar e identificar os pontos fortes e fracos de produtos turísticos
oferecidos pelas agências concorrentes em um determinado mercado, pode-se, por
exemplo, coletar pacotes similares para determinados destinos turísticos
comercializados em um núcleo emissor como São Paulo. De posse dos vários
P.57
conjuntos de
roteiros similares, os grupos de alunos desenvolvem uma análise comparativa dos
mesmos, a partir do roteiro apresentado a seguir.
1. Identificação
dos roteiros coletados:
• número do
roteiro;
• nome da
operadora;
• nome do roteiro.
2. Considerações
gerais:
• número do
roteiro;
• datas e horários
de partida (início da viagem) e chegada (final da viagem);
• serviços
incluídos;
• serviços não
incluídos.
3. Análise de
núcleos:
• número do
roteiro;
• núcleos-base
(hospedagem);
• núcleos de
passagem (atrações e paradas).
4. Análise de
rotas:
• número do
roteiro;
• rota/dia —
núcleos, vias de acesso, equipamentos e empresas;
• distância
percorrida (km, milhas, etc.)/dia;
• tempo de percurso(h, min)/dia.
5. Análise da
programação diária e dos principais atrativos:
• número do
roteiro;
• programação/dia;
• principais
atrativos/dia.
6. Análise da
duração e custos:
• número do
roteiro;
• duração total
(dias);
• preço — parte
terrestre e parte aérea ou preço total;
• custo/dia para o
turista.
7. Análise final:
• número do
roteiro;
• pontos fortes;
• pontos fracos.
8. Comentários:
A apresentação dos
trabalhos dará uma visão abrangente da oferta de vários roteiros num mercado
turístico, motivando os alunos ao desenvolvimento de análise crítica dos
mesmos.
P.58
Projeto de agência
de turismo
Um trabalho que
pode motivar os alunos é a realização de um projeto de instalação e
funcionamento de uma agência de turismo, normalmente proposto no final da
disciplina, pois requer o conhecimento de praticamente todos os tópicos do
conteúdo. Esse trabalho requer a dedicação de grupos de alunos em várias aulas
ou o desenvolvimento e apresentação de seminário, mediante o roteiro
apresentado a seguir.
1. Surgimento da
idéia:
• experiência;
• estudos na área.
2. Estudo do
ambiente externo e interno:
• ambiente externo:
- mercado turístico mundial;
- atuação das agências de viagem no mundo;
- fatores favoráveis e desfavoráveis.
• Ambiente interno:
- mercado turístico nacional;
- atuação das agências de viagem no Brasil;
- fatores favoráveis e desfavoráveis.
3. Caracterização
da demanda:
• características
geográficas;
• características
biossociais;
• características
psicográficas;
• características
econômicas;
• outras.
4. Análise da
concorrência:
• estrutura dos
concorrentes;
•
"nichos" de mercado em exploração;
• diferencial de
produtos;
• pontos fortes e
fracos.
5. Constituição da
empresa:
• instrumentos
legais e registros;
• filiação a
entidades nacionais e internacionais;
• tipo de empresa —
função principal e atuação no mercado.
6. definição do
público-alvo:
• segmentos de
mercado;
• perfis de
clientes potenciais.
P.59
7. Definição de
produtos e serviços:
• serviços
essenciais;
• serviços
acessórios;
• diferencial de
produtos e serviços.
8. Definição do
nome e localização:
• nome;
• localização.
9. Definição da
estrutura operacional:
• organograma;
• recursos humanos;
• recursos
materiais.
10. Estudo de
viabilidade econômico-financeira:
projeções de receitas e despesas a curto,
médio e longo prazos;
• oportunidades de
financiamento;
• instrumentos de
avaliação.
11. Plano de
marketing:
• esforços:
- conquista de mercado;
- consolidação da empresa;
- manutenção da clientela.
• estratégias:
- produto, preço, processo de comercialização;
- perfil da demanda;
- características da concorrência.
12. Cronograma de
implantação e desenvolvimento:
• elaboração de
gráfico;
• identificação de
pontos críticos.
Nesse projeto os
alunos revisam praticamente toda a matéria ministrada durante a disciplina e
esclarecem dúvidas. É uma ótima oportunidade para o desenvolvimento da
capacidade criativa, que se manifesta de diferentes formas, algumas inusitadas.
Com a apresentação
dos grupos, os alunos percebem seu potencial criador e analisam criticamente a
viabilidade dos projetos, vislumbrando até tendências e perspectivas de
exploração no mercado turístico.
P.60
Considerações finais
Pelo exposto neste capítulo, percebe-se claramente que uma agência de
viagem não é, portanto, uma simples emissora de bilhetes de passagens de avião,
como freqüentemente se considera. É de fato uma empresa complexa, com múltiplas
facetas, no complicado negócio das viagens. E, como toda empresa, em qualquer
ramo de negócios, deve ser planejada, organizada, conduzida e administrada de
maneira profissional, o que requer, além de uma boa formação empresarial, um
grande domínio no campo dos negócios de viagens, que é o campo no qual se
desenvolvem suas atividades.
Uma dificuldade que se impõe na disciplina é a bibliografia científica
sobre o tema, que em grande parte é composta de livros e manuais com abordagens
superficiais e ênfase em procedimentos técnicos. Com isso, há pouca literatura
científica de qualidade, que pode, no entanto, ser complementada por artigos de
periódicos científicos e estudos, principalmente os trabalhos de conclusão de
cursos e teses acadêmicas, além de pesquisas realizadas por entidades da área.
No entanto, ao lado da literatura científica, deve figurar a literatura
especializada de cunho técnico e informativo, constante em revistas e jornais
dirigidos ao trade e ao público em geral. Nessa literatura, o aluno pode
acompanhar a atualidade do mercado, o que está ocorrendo, e como os
profissionais e empresários abordam e opinam sobre os diferentes temas.
Vários são os tipos e as especificidades das agências de viagem e
diversas são as áreas onde o bacharel poderá atuar como profissional e como
empreendedor: do atendimento à operação; das vendas ao marketing; da
administração ao treinamento de recursos humanos; capacitação e preparo, ética
profissional e permanente disposição para aprender devem ser as suas
características.
Num curso de graduação em turismo, o papel e a dinâmica de funcionamento
dessas empresas no mercado de viagens devem ser enfocados ao lado da sua
importância e papel no planejamento turístico. Deixar de lado a abordagem
superficial e propor um estudo mais aprofundado e particular do tema,
inserindo-o no contexto maior do turismo e situando-o neste início de século na
complexidade paradoxal das sociedades pós-industriais, de forma atual e
consistente, é tarefa dos docentes responsáveis pela disciplina agência de
viagem.
O presente está repleto de mudanças que impõem muitos desafios às
agências de viagem, que devem, então, redefinir seu papel e sua forma de
atuação no mercado. Um dos segmentos que carece de profissionalismo no Brasil é
a operação de tu-
P.61
rismo receptivo;
outro é o turismo especializado, por exemplo, para deficientes físicos; e ainda
o turismo educacional não só para estudantes, mas para a educação continuada
dos profissionais.
Num futuro bem próximo, a imagem do agente de viagem estará diretamente
relacionada à postura ambientalmente correta de exploração do meio ambiente, à
oferta de produtos competitivos de qualidade, ao atendimento personalizado e
eficiente, e à participação em projetos sociais. Os cursos de graduação em
turismo devem fornecer pessoal preparado para enfrentar novas situações e
mudanças do mercado turístico.
P.62
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P.64
Página notas de
rodapé
Nota 1, página 37: Thomas
Cook fundou a Thomas Cook and Son (1845), e Henry Wells, a American Express
Company (1850); cf. Mario Rodríguez Lópes & Homero Músquiz Beltrán,
Organización y operación de agencias de viajes (México: Continental, 1987), p.
13.
Nota 2, página 37: L. Fernández Fuster, Teoria y técnica del turismo (2.
ed. Madri: Alianza, 1985); Miguel Ángel Acerenza, Agencias de viajes.
Organización y operación (México: Trillas, 1990).
Nota 3, página 38: Miguel
Ángel Acerenza, Agencias de viajes. Organización y operación, cit., pp. 22-23.
Nota 4, página 38: Este
texto baseia-se em entrevista realizada em 6 de agosto de 1996, com o
diretor-presidente da Agência Geral de Turismo, Modesto Mastrorosa, sobre a
história das agências de viagem na cidade de São Paulo.
Nota 6, página 40: Miguel
Ángel Acerenza, Agencias de viajes. Organización y operación, cit.
Nota 7, página 40: Doris
van de M. Ruschmann, Marketing turístico: um enfoque promocional (5. ed.
Campinas: Papirus, 2000).
Nota 8, página 40: Regina
Schlüter & Gabriel Winter, La agencia de viajes y turismo. Estructura y
organización (Buenos Aires: Docência, 1994).
Nota 9, página 41: L.
Fernández Fuster, op. cit., p. 299.
Nota 10, página 41: Regina
Schüter & Gabriel Winter, La agencia de viajes y turismo. Estructura y
organización, cit.
Nota 11, página 43: Ibid.,
p. 24
Página notas de
rodapé
Nota 12, página 43: Nicholae
Petra, Las agencias de viajes y turismo (México: Diana, 1986).
Nota 13, página 44: Hilário
Pellizzer, Proposta para o desenvolvimento de uma política nacional de recursos
humanos para o turismo. Agências de turismo, 2 v., dissertação de mestrado (São
Paulo: Fundação Escola de Sociologia e Política, 1982).
Nota 14, página 45: A profissão de guia é regulamentada no Brasil. Os
cursos de‘guias são aprovados pela Embratur, e este
profissional tem que ser cadastrado na mesma em uma das seguintes categorias:
guia local, guia de excursão ou guia especializado.
Nota 15, página 45: Sight
seeing: visita à cidade, geralmente de dia, com microônibus ou ônibus
turístico, aos principais atrativos turísticos (museus, igrejas ou templos,
monumentos, etc.), o que proporciona ao turista uma visão geral da cidade ou
localidade. City tour: passeio a determinado atrativo ou conjunto de atrativos
da localidade ou próximo a esta. Por exemplo: city tour pelas igrejas, city
tour histórico; city tour pelas praias; city tour de compras. Normalmente tem
duração de cerca de quatro horas e em alguns casos inclui almoço. No Brasil é
empregado nesse sentido e também como sight seeing, pois este último termo caiu
em desuso no mercado turístico. City by night: passeio noturno pela cidade em
busca, preferencialmente, de diversão em locais noturnos, incluindo consumação,
ingressos de shows e/ou refeição no preço, o que possibilita ao turista ter uma
visão noturna da cidade que complementa o sight seeing.
Nota 16, página 45: Forfait:
termo em francês que significa pré-pago, pré-contratado. Em turismo, significa
viagem pré-contratada, pré-paga, ou seja, contratam-se e pagam-se serviços
antes da sua própria fruição.
Nota 17, página 45: Regina
Schlüter & Gabriel Winter, La agencia de viajes y turismo. Estructura y
organización, cit., p. 20.
Nota 18, página 45: Miguel
Ángel Acerenza, Agencias de viajes. Organización y operación, cit., p. 77.
Nota 19, página 45: Regina
Schlüter & Gabriel Winter, La agencia de viajes y turismo. Estructura y
organización, cit., p. 20.
Página notas de
rodapé
Nota 20, página 46: Michael
M. Coltman, Tourism Marketing (Nova York: Reinhold, 1989), p. 204.
Nota 21, página 48: Embratur,
Agências de turismo. Legislação básica (Brasília: Embratur, s.d.), p. 15
(Coletânea).
Nota 22, página 48: Hugo
Osvaldo Acosta Reinaldo, Distribuição em turismo. O impacto das novas
tecnologias da informação nas agências de viagem (São Paulo: FGV, 2000), pp. 80
81, tese de doutorado.
Nota 23, página 49: Waldez
Ludwig,"O investimento em diferencial é essencial", em Panrotas, São
Paulo, 1999, Suplemento Panrotas n. 4 - Congresso Abav, p. 14.
Nota 24, página 49: Hugo
Osvaldo Acosta Reinaldo, op. cit., p. 184.
Nota 25, página 50: Mário
Carlos Beni, Analise estrutural do turismo (3. ed. rev. ampl. São Paulo:
Editora SENAC São Paulo, 2000.)
Nota 26, página 50: Mirian Rejowski, Turismo e pesquisa científica
(Campinas: Papirus, 1996).