Título: Planejamento
turístico.
Autor: Doris van de
Meene Ruschmann e Gloria Maria Widmer.
Este material foi
adaptado pelo Laboratório de Acessibilidade da Universidade Federal do Rio
Grande do Norte, em conformidade com a Lei 9.610 de 19/02/1998, não podendo ser
reproduzido, modificado e utilizado com fins comerciais.
Adaptado por: Renan
Almeida.
Revisado por: Francisca
Maria.
Adaptado em: novembro
de 2025.
Padrão vigente a partir
de março de 2022.
Referência: RUSCHMANN,
Doris van de Meene; WIDMER, Gloria Maria. Planejamento turístico. In: ANSARAH, Marília Gomes dos Reis (org.).
Turismo: como aprender, como ensinar. 3. ed. São Paulo: Editora Senac,
2004. p. 65-86.
P.
65
Doris
van de Meene Ruschmann e Gloria Maria Widmer
Introdução
O presente capítulo visa abordar questões referentes
ao planejamento do turismo enquanto disciplina, bem como área profissional.
Para tanto, é ressaltada a necessidade do planejamento
sistemático para o desenvolvimento turístico em localidades receptoras, primeiramente
através da discussão de conceitos básicos acerca do tema.
A seguir, expõe-se breve abordagem sobre a
importância do planejamento para o turismo. O planejamento é então discutido
enquanto disciplina acadêmica, atentando-se, ainda, para sua inter-relação com
outros campos e disciplinas.
O perfil e o campo de atuação do planejador em
turismo são abordados na sequência, apresentando-se, posteriormente, sugestões
de roteiros para um planejamento turístico eficiente, bem como desafios e
tendências da área.
Ao final, encontra-se a bibliografia sugerida para
aqueles que desejam se aprofundar na área
P.
66
Planejamento
turístico: conceitos básicos
Definição
O planejamento, de forma geral, consiste em um
conjunto de atividades que envolve a intenção de estabelecer condições
favoráveis para alcançar objetivos propostos.
Muitas são as definições encontradas para o
conceito de planejamento, tanto em razão de seu caráter humano e dinâmico, como
por sua amplitude e diversidade, que tornam a atividade difícil de definir com
exatidão, de forma precisa ou única.
Assim, enquanto Baptista define o planejamento
como "um processo permanente e metódico de abordagem racional e científica
de problemas",[nota 1] Newman afirma que "planejar
é decidir antecipadamente o que deve ser feito" e que "o planejamento
é uma linha de ação preestabelecida".[nota 2]
Outros autores definem planejamento com
conceitos equivalentes e/ou complementares:
• sistema de ideias organizado racionalmente
para determinar mentalmente o que fazer na realidade depois de examinadas as
circunstâncias concorrentes;
• processo de determinação de objetivos e dos
meios para consecução destes;
• mecanismo orientado para o futuro;
• projeto de um futuro desejado e dos meios
efetivos de torná-lo realidade;
• processo contínuo de pensamento sobre o
futuro, de determinação de estados futuros desejados e dos cursos de ação para
que tais estados sejam alcançados.
Importante é notar que todas as definições têm
em comum duas ideias: a de complexidade (quando se fala em sistema, processo,
mecanismo) e a de ação voltada para o futuro.[nota 3]
Uma das definições que melhor abrange o
conceito de planejamento é aquela que o entende como
[...] um processo que consiste em
determinar os objetivos de trabalho, ordenar os recursos materiais e humanos
disponíveis, determinar os métodos e as técnicas aplicáveis, es-
P. 67
tabelecer as formas de organização e
expor com precisão todas as especificações necessárias para que a conduta da
pessoa ou do grupo de pessoas que atuarão na execução dos trabalhos seja
racionalmente direcionada para alcançar os resultados pretendidos.[nota
4]
O planejamento é fundamental e indispensável
para o desenvolvimento de um turismo equilibrado, também chamado de turismo
sustentável, ou seja, aquele que ocorre em harmonia com os recursos naturais,
culturais e sociais das regiões turísticas receptoras, preservando-os para as
gerações futuras. Importante instrumento contra o afluxo desordenado de
turistas nessas regiões, o planejamento ajuda, ainda, a evitar danos ambientais
e a manter a atratividade dos recursos turísticos naturais e culturais.
Contribui, portanto, para que a atividade turística continue a se desenvolver,
sem prejudicar suas próprias fontes de existência.
Assim, pode-se dizer que o planejamento
turístico é o processo que tem como finalidade ordenar as ações humanas sobre
uma localidade turística, bem como direcionar a construção de equipamentos e
facilidades, de forma adequada, evitando efeitos negativos nos recursos que
possam destruir ou afetar sua atratividade. Constitui o instrumento fundamental
na determinação e seleção das prioridades para a evolução harmoniosa da
atividade turística, determinando suas dimensões ideais para que, a partir daí,
se possa estimular, regular ou restringir sua evolução.
Competências/atribuições
No turismo, cabe ao Estado zelar pelo
planejamento através de políticas e da legislação necessárias ao
desenvolvimento da infraestrutura básica, que proporcionará o bem-estar da
população residente e dos turistas. Além disso, deve cuidar da proteção e
conservação do patrimônio ambiental, aí compreendidos os ambientes natural,
psicossocial e cultural, bem como criar condições que facilitem e regulamentem
o funcionamento dos serviços e equipamentos nas destinações, necessários ao
atendimento das necessidades e anseios dos turistas, geralmente a cargo de
empresas privadas.
É importante ressaltar que o planejamento
turístico realizado por órgãos públicos não visa lucros diretos, mas sim o
bem-estar social, e seus resultados dificil
P.
68
mente podem ser
medidos de modo quantitativo. Já o planejamento de uma organização comercial
privada tem como objetivo principal o lucro, que pode e deve ser medido
quantitativamente, a fim de se auferirem os níveis de eficiência do
planejamento.
Assim, com relação ao planejamento turístico,
pode-se nomear as competências e atribuições de órgãos públicos e da iniciativa
privada da seguinte forma:
Cabe ao Estado:
·
estabelecer diretrizes e políticas para o
desenvolvimento do setor;
·
estabelecer normas e regulamentos de
preservação ambiental, bem como para abertura e funcionamento de equipamentos e
serviços turísticos;
·
criar mecanismos de fiscalização e controle;
·
promover o desenvolvimento da infraestrutura
básica (vias de acesso, saúde, saneamento, etc.);
·
promover o desenvolvimento turístico nos níveis
nacional, estadual e municipal;
·
criar condições para a captação de recursos,
promover facilidades na obtenção de créditos e financiamentos e estimular o
desenvolvimento da atividade na esfera privada;
·
realizar pesquisas e estatísticas sobre o
turismo, bem como promover e incentivar o desenvolvimento destas em esferas
não-governamentais;
·
incentivar a capacitação profissional, etc.
Quanto à iniciativa privada, cabe a esta:
·
observar leis e regulamentos, bem como
mecanismos de fiscalização e controle;
·
atuar no desenvolvimento da infraestrutura turística;
·
planejar cuidadosamente o funcionamento de suas
atividades e equipamentos para atender com qualidade às necessidades e desejos
do turista;
·
utilizar-se de mão-de-obra capacitada;
·
desenvolver associações, com vistas à troca de
experiências e informações bem como para melhor articulação na criação e defesa
de interesses perante empresariado e/ou governo;
·
manter-se atualizado quanto às tendências do
turismo;
·
elaborar pesquisas com clientes, acompanhando a
funcionalidade e a qualidade de seu estabelecimento, etc.
P.
69
Objetivos
Os objetivos do planejamento relacionam-se, de
modo geral, a mudanças na estrutura da realidade existente, visando, na maioria
das vezes, o crescimento econômico acelerado.
No planejamento turístico, os objetivos podem
estar relacionados ao desenvolvimento de localidades, regiões, países e até
continentes, envolvendo tanto órgãos públicos como empresas privadas desse ramo
de atividade.
Assim, o planejamento turístico tem como
principais objetivos:
·
definir políticas e processos de implementação
de equipamentos e atividades e seus respectivos prazos;
·
prover os incentivos necessários para estimular
a implantação de equipamentos e os serviços turísticos, tanto para empresas
públicas como para privadas;
·
maximizar os benefícios socioeconômicos e
minimizar os custos (tanto os de investimentos como os de operação), visando o
bem-estar da comunidade receptora e a rentabilidade dos empreendimentos do
setor;
·
minimizar a degradação dos locais e recursos
sobre os quais o turismo se estrutura e proteger aqueles que são únicos;
·
capacitar os vários serviços públicos para a
atividade turística, a fim de que se organizem e correspondam favoravelmente
quando solicitados;
·
garantir a introdução e o cumprimento dos
padrões reguladores exigidos da iniciativa privada;
·
garantir que a imagem da destinação se
relacione com a proteção ambiental e a qualidade dos serviços prestados.
Abrangência e níveis
O planejamento turístico deve abranger não
apenas um determinado recurso, ou uma única localidade, mas também o seu
entorno. Para tanto, é importante considerar as regiões geograficamente
homogêneas, bem como as coincidências culturais e econômicas que unificam os
espaços, em vez de basear estudos apenas em limites políticos e
administrativos.
No que diz respeito às competências ou
responsabilidades governamentais, a abrangência do planejamento turístico pode-se
situar nos seguintes níveis:
·
nível internacional: planejamento baseado em
recursos comuns a dois ou mais
P.
70
países. Pressupõe a
união de esforços entre órgãos federais dos países envolvidos, para o
estabelecimento conjunto de políticas e formas de aproveitamento dos recursos
motivadores do planejamento. É o caso das cataratas do Iguaçu, que exigem
esforços conjuntos entre Brasil e Argentina para seu aproveitamento turístico;
·
nível nacional: planejamento de ordem federal,
que visa a elaboração de políticas nacionais para incentivar e organizar a
atividade turística no país; estabelecimento de leis que norteiam e regulem a
atividade, bem como mecanismos fiscalizadores; criação de formas de proteção e
conservação dos recursos turísticos; além da promoção da distribuição da
atividade turística por todo o território nacional, objetivando tanto
integração como desenvolvimento regional;
·
nível regional: engloba o planejamento de
recursos comuns a regiões do país, envolvendo esforços para o desenvolvimento
de polos, corredores e pontos turísticos, melhorias de infraestrutura, bem como
estímulo à cultura regional, entre outros;
·
nível local: neste nível de planejamento visa
legitimar os recursos locais que apresentem alto potencial para o
desenvolvimento turístico da localidade, tais como bairros típicos, zonas de
comércio, regiões costeiras; respeitar as características naturais e culturais
da localidade; avaliar e estabelecer mecanismos de redução quanto aos impactos
turísticos sobre a localidade, etc.
Prazos
O planejamento turístico exige uma série de
ações e decisões que só serão bem-sucedidas se empreendidas dentro de um
processo metodológico. As decisões e propostas para o desenvolvimento têm
impactos, importância e necessidades diferentes quanto a períodos de tempo
presentes ou futuros, convencionando-se, por isso, distinguir sua
aplicabilidade em diferentes prazos: longo, médio e curto.
O planejamento turístico a longo prazo
estende-se desde a atualidade até o final da capacidade potencial de um
empreendimento ou ação, visando o desenvolvimento de novos produtos.
Geralmente, sua duração é estipulada em vinte anos, podendo esse prazo ser
estendido ou abreviado, de acordo com os objetivos propostos.
O de médio prazo tem por objetivo implantar as
ações propostas a longo prazo, relacionadas com equipamentos destinados ao
atendimento dos desejos e necessidades da demanda. Está subordinado ao de longo
prazo, devendo essa hierarquia
P.
71
ser
observada, a fim de evitar que uma destinação turística ultrapasse sua
capacidade de carga (carrying capacity), acabando por se degradar. Dura em
torno de cinco anos.
O planejamento turístico a curto prazo
constitui a fase inicial da hierarquia na implantação de equipamentos e no
desenvolvimento de atividades em núcleos receptores. Corresponde a ajustes e
soluções para necessidades imediatas, normalmente utilizando-se do período de
tempo de um ano.
IMPORTÂNCIA DO PLANEJAMENTO PARA O TURISMO
O planejamento é importante dentro de qualquer
ação humana da qual se esperam resultados.
Assim, qualquer ação ou conjunto de ações que
visem o alcance de metas devem ser cuidadosamente planejados a fim de maximizar
a probabilidade de sucesso.
A atividade turística não é exceção a essa
regra. Ao contrário, exatamente por sua complexidade, baseada nos diversos
tipos de serviços e equipamentos que envolve, necessita de um planejamento
igualmente complexo, a fim de que efetivamente beneficie empresários, núcleos
receptores, comunidades locais e turistas.
Essa necessidade de planejamento complexo e
bem-organizado diz respeito à existência de uma verdadeira estrutura de
subdivisões, de planejamentos dentro do planejamento, de subnecessidades de
organização, direção e controle, para o desenvolvimento da atividade turística.
Assim, é necessário planejar a estruturação dos
serviços e equipamentos oferecidos, prever as necessidades e desejos do
turista, estudar a capacidade de carga turística (carrying capacity) de
recursos e/ou localidades, integrar a população local à nova realidade, antever
as necessidades de preservação ambiental e exercê-la, determinar estratégias de
treinamento de pessoal, estimar lucros e despesas, observar a adequação de todos
esses procedimentos às leis vigentes, etc. Só depois de todas essas atividades
de pré-planejamento é que se constitui o verdadeiro planejamento requerido para
o bom desempenho da atividade turística.
O PLANEJAMENTO DO TURISMO COMO DISCIPLINA
Enquanto disciplina, dentro do âmbito de uma
universidade, o planejamento do turismo deve enfocar aspectos que podem ser
resumidos da seguinte forma:
P.
72
·
primeiramente, é preciso abordar os conceitos
de planejamento, observando sua importância e necessidade para o eficiente
desempenho e desenvolvimento de atividades humanas, através de seus objetivos,
formas, níveis e instrumentos constituintes;
·
a seguir, através de um breve histórico,
demonstram-se os antecedentes e a evolução do planejamento no mundo,
afunilando-se em direção ao Brasil, com exemplos de sua contribuição para o
progresso da humanidade.
Constitui-se, em seguida, o elo de ligação
entre planejamento e turismo, por meio de conceitos e exemplos específicos,
análise de políticas de turismo e apresentação de planos de desenvolvimento
turístico. Útil seria apresentar tanto planos de sucesso como de fracasso.
Posteriormente, descrevem-se modelos e métodos
de planejamento turístico, apresentando as fases de elaboração de um plano de
desenvolvimento turístico, bem como demonstrando as relações da atividade
turística bem-sucedida com as necessidades de preservação ambiental e
sociocultural.
Dando continuidade ao trabalho, pode-se, no
âmbito de uma determinada localidade turística, também chamada de núcleo receptor,
propiciar a elaboração do inventário de seus recursos turísticos, observando-se
tanto os recursos naturais como os culturais, bem como a infraestrutura
existente.
Realizado o inventário, o próximo passo diz
respeito à análise metodológica do núcleo receptor: neste momento deve-se levar
em conta a oferta técnica e diferencial do núcleo em estudo, sua demanda real e
a potencial, assim como os pontos fortes e fracos de núcleos receptores
concorrentes.
Feita a análise, cabe a elaboração de um
diagnóstico, referente à situação do núcleo receptor estudado, bem como um
prognóstico com propostas para seu desenvolvimento a curto, médio e longo
prazos.
Esse prognóstico deve ser acompanhado da
definição de objetivos, metas e estratégias, assim como da avaliação e estudos
que determinarão a viabilidade do plano elaborado.
Por fim, deve-se demonstrar que o processo de
planejamento não tem seu término estabelecido pela redação e entrega, aos
órgãos competentes, do plano de desenvolvimento turístico. O trabalho vai além,
uma vez que, como todo planejamento, não é estático, necessitando de
acompanhamento depois de sua implantação, a fim de se efetuarem possíveis
correções ou ajustes, em virtude da dinâmica dos acontecimentos.
Em um curso de graduação em turismo, a
disciplina intitulada Planejamento tem como objetivo capacitar alunos para a
utilização adequada de técnicas e instrumen-
P.
73
tos
pertinentes ao planejamento, considerando todos os fatores intervenientes na
elaboração de planos de desenvolvimento turístico, em seus diferentes níveis.
Para tanto, devem-se utilizar desde os métodos
mais comuns, como aulas expositivas e leituras programadas, até práticas de
trabalhos de campo reais para o desenvolvimento de planos turísticos, mediante
o estabelecimento de parcerias entre núcleos turísticos e a instituição de
ensino.
RELAÇÕES ENTRE PLANEJAMENTO TURÍSTICO E
OUTROS CAMPOS DO TURISMO
Para estabelecer as relações entre o
planejamento e outros campos do turismo, é necessário, primeiramente, o
levantamento de alguns aspectos conceituais sobre o turismo.
Genericamente, pode-se dizer que o turismo é o
deslocamento temporário de pessoas, com intenção de retorno ao ponto de origem.
Para atender a esse deslocamento, faz-se necessária a utilização de toda uma
infraestrutura, em geral diferente daquela cotidiana, que visará suprir os
anseios e as necessidades dessas pessoas durante o período de viagem.
Dessa forma, turismo é visto como um fenômeno
que envolve tanto a interação entre o turista e o núcleo receptor, como todas
as atividades proporcionantes ou decorrentes dessa interação.
Aprofundando-se um pouco mais ainda, pode-se
observar o turismo como atividade trans, inter e multidisciplinar que, "em
sua globalidade, não está formada só por pessoas que viajam e pelos bens e
serviços que se lhes oferecem e utilizam, mas que entre uns e outros surge uma
série de relações e situações de fato, de caráter econômico, sociológico e até
político".[nota
5]
Assim, "o seu estudo (a turismologia) e o
seu planejamento requerem a utilização de critérios e métodos de uma série de
ciências".[nota
6]
"Investigando a fundo, o turismo tem que reconhecer que nada lhe é próprio
e exclusivo, mas que abarca amplas parcelas de outros setores e utiliza
técnicas criadas com fins mais gerais."[nota 7]
Exclusivamente com relação ao planejamento
turístico, utiliza-se de outros campos e ciências do conhecimento, como se verá
a seguir.
P.
74
HISTÓRIA E GEOGRAFIA
Necessários para a caracterização histórica e
física de determinado recurso ou localidade turística a planejar. A história
fornecerá dados acerca da evolução e costumes de um lugar e seu respectivo
povo, familiarizando-se com seus conceitos de vida e realidade, bem como
entendendo as circunstâncias, os acontecimentos, que tornaram esse lugar e seu
povo o que são hoje.
Quanto à geografia, é fundamental seu
conhecimento para as bases de um planejamento sólido e eficaz. Afinal, através
do estudo de características como clima, relevo, hidrografia, vegetação, entre
outros, pode-se determinar a vocação turística de uma cidade, bem como
direcioná-la para este ou aquele tipo de turismo. Por exemplo, turismo de sol e
praia, em localidades costeiras; turismo de saúde, em estâncias climáticas e
hidrominerais; ecoturismo, em localidades de aspectos naturais singulares.
Além disso, cabe ressaltar que muitos dos
atrativos ou recursos turísticos naturais nada mais são do que os chamados
"acidentes geográficos".
FILOSOFIA E METODOLOGIA CIENTÍFICA
Palavra de origem grega, a filosofia, ou
"amizade ao saber", é prática própria de adeptos e simpatizantes da
ciência, do pensamento e suas formas de manifestação. Assim, tanto a filosofia
como a metodologia científica (esta entendida como formas ou métodos de se
propor a ciência) constituem instrumentos indispensáveis, aos quais o
planejamento deve socorrer-se para que possa atingir, de modo científico e não
intuitivo, suas finalidades de determinação e desenvolvimento turístico de uma
localidade.
ECONOMIA, ADMINISTRAÇÃO E ESTATÍSTICA
Trazem enormes subsídios para o planejamento do
turismo, demonstrados no estudo de aspectos referentes à oferta e à demanda
turística de uma localidade; na análise dos equipamentos e da infraestrutura
turística existentes e necessários; na definição de pontos fortes e fracos
locais; na avaliação de oportunidade e riscos para o desenvolvimento do
turismo; no diagnóstico e prognóstico do turismo em uma localidade; na
definição dos tipos de planos a ser seguidos; na correção, ajuste e/ou
redefinição de objetivos e metas de planos em andamento; entre outros.
P.
75
POLÍTICA E MARKETING
Com relação à política, sua importância reside
na análise dos sistemas de governo, bem como à importância que esses sistemas
dão ao desenvolvimento do turismo. As políticas públicas de fomento ao turismo,
a existência de incentivos, sejam eles fiscais, por meio de financiamentos,
etc., bem como a realidade política de uma localidade e a forma de agir e se
posicionar dos agentes estatais diante do turismo devem ser observadas para a
realização de um planejamento eficiente.
Quanto ao marketing, esse é influenciado, entre
outros fatores, tanto por políticas públicas como por comportamentos da
iniciativa privada. Sua relação com o planejamento diz respeito ao auxílio na
análise das flutuações da oferta e da demanda, associadas com o turismo de uma
localidade, e à identificação de suas respectivas causas. O planejamento deve,
ainda, utilizar-se das estratégias de marketing referentes à oportunidade,
promoção, etc., para o desenvolvimento do turismo. Cabe lembrar que o próprio
plano de desenvolvimento turístico, um dos produtos finais do planejamento,
pode ser utilizado como instrumento de marketing no desenvolvimento de uma
destinação.
CULTURA E MEIO AMBIENTE
Devem ser entendidos como matéria-prima do
turismo. Assim, o planejamento turístico só terá sentido quando da existência
de recursos culturais e/ou naturais em uma determinada localidade, os quais
deverão ser levantados por meio do inventário, uma das etapas do planejamento.
Cabe lembrar que, quanto mais recursos existirem em uma dada localidade, maior
será sua atratividade e, por consequência, maior será a necessidade de
planejamento, visando-se o desenvolvimento turístico sustentável.
DIREITO E ÉTICA PROFISSIONAL
Fator importante em qualquer atividade humana,
no planejamento turístico o direito deve ser observado em sentido amplo, como o
conjunto de normas que constituem o ordenamento jurídico de um país, região ou localidade.
No sentido específico, devem ser observadas as leis reguladoras da atividade
turística, tanto as que tratam de equipamentos e serviços como as que têm
relação com os elementos constituintes do produto turístico (legislação
ambiental, do patrimônio cultural, etc.).
P.
76
Quanto à ética profissional, essa fornece
ensinamentos que deverão nortear atitudes e procedimentos do indivíduo,
enquanto planejador da atividade turística.
Com relação a campos específicos do turismo,
como o estudo dos meios de transporte, agências de viagem, eventos, hotelaria,
lazer e entretenimento, gastronomia, etc., cabe ressaltar que todos se referem
a equipamentos e serviços oferecidos pela atividade turística, devendo,
portanto, ser estudados dentro do planejamento como componentes da infraestrutura
e da oferta turística de determinada localidade.
O PLANEJADOR DO TURISMO: PERFIL E CAMPO DE ATUAÇÃO
PERFIL
Quanto às características pessoais, o
planejador em turismo deve ser uma pessoa dinâmica, criativa, de atitudes e pensamentos
rápidos, de fácil relacionamento, possuir ampla visão de mundo, estando
constantemente informada sobre os acontecimentos e as tendências globais
gerais, além, especificamente, daquelas relacionadas ao turismo.
No que diz respeito às características
profissionais, são várias as carreiras que podem tomar parte no planejamento
turístico, em razão do caráter multidisciplinar da atividade. Assim, tanto
biólogos como geógrafos, engenheiros, arquitetos, educadores, ecologistas,
administradores, entre outros, podem trabalhar como integrantes dos projetos de
planejamento turístico. É recomendável, entretanto, que sejam coordenados por
alguém com capacitação/formação específica na área de turismo, capaz de melhor
compreender as necessidades inerentes ao setor.
CAMPO DE ATUAÇÃO
É vasto o campo para o planejador em turismo.
Ele pode atuar no planejamento de empresas privadas, desde a elaboração de
produtos turísticos, como pacotes de viagem, até o funcionamento e a gestão de
agências, hotéis, restaurantes, companhias de transporte, etc.
Na esfera pública pode atuar no planejamento de
localidades e regiões turísticas, bem como na elaboração de políticas públicas
e diretrizes para o turismo.
P.
77
Pode, ainda, trabalhar como consultor, voltando
seus trabalhos tanto para o atendimento da área privada como para o da pública.
Outra possibilidade é a de trabalhar com
pesquisas na área de planejamento. Nessa alternativa, o trabalho do
pesquisador-planejador contribui para o aprimoramento das técnicas de
planejamento, para a criação de bibliografia sobre o tema e também para a
descoberta de novos caminhos, a fim de tratar questões importantes e inerentes
ao turismo, como: formas de minimização de impactos turísticos sobre ambientes
e localidades; formas de promover a integração e a interação das comunidades
locais ao turismo; novos mecanismos de gestão e qualidade de empresas
turísticas; aumento da quantidade de inventários de localidades turísticas;
criação de possibilidades para a preservação ativa de patrimônios culturais;
realização de estudos temporais comparativos de demanda; estabelecimento de
propostas para o incremento da capacitação profissional no setor; elaboração de
planos de conscientização e educação ambiental; apresentação de propostas de
ação para o desenvolvimento turístico sustentável...
As possibilidades não se esgotam por aqui. O
turismo, em razão de seu dinamismo, traz sempre novas oportunidades àqueles que
estiverem prontos e aptos para observá-las.
ROTEIROS DE ESTUDO
A seguir, a título de sugestão, são
apresentados roteiros para diagnóstico, para avaliação da demanda e para
planejamento turístico de um recurso ou localidade, que podem servir de apoio
ao planejamento do turismo, enquanto disciplina e prática profissional.
Apesar da amplitude dos dados a considerar, a
relação não se esgota nesse esquema, que também não tem a pretensão de exigir
que todos os itens sejam cobertos para a elaboração de um diagnóstico turístico
confiável.
As limitações na qualidade, na quantidade e na
atualidade dos dados necessários, a escassez de tempo para a realização dos
levantamentos, a falta de recursos financeiros e de equipes técnicas
especializadas exigem a adequação da amplitude dos estudos às condições de cada
localidade.
Por isso, recomendam-se às equipes envolvidas
ações e posturas coerentes e realistas, a fim de que os empecilhos,
inevitáveis, não inviabilizem a confiabilidade do trabalho final.
P.
78
ROTEIRO PARA DIAGNÓSTICO TURÍSTICO EM LOCALIDADES
RECEPTORAS — ESQUEMA DE TRABALHO
Parte
I — Caracterização geral
1. Delimitação da área (mapa)
1.1 Localização e limites
1.2 Delimitação da área — objeto de estudo
2. Aspectos históricos e administração geral
2.1 Histórico
2.2 Organização política e social
(formal/informal)
3. Aspectos socioeconômicos
3.1 Sociais
3.1.1 Demografia
3.1.2 Condições de vida
3.2 Economia
3.2.1 Setores de
produção — tipos/ mão-de-obra/ êxodo rural/ % na importância econômica
3.3 Impostos
3.4 Ocupação e uso do solo — urbano e rural
3.5 Legislação
3.6 Infra-estrutura básica (instalada e
prevista)
3.6.1 De acesso
3.6.2 Urbana
3.6.3 Equipamentos e serviços
3.7 Planejamento
3.7.1 Plano diretor — diretrizes/ fase atual/
previsão
3.7.2 Plano regional
3.7.3 Plano nacional
Parte
II — Aspectos turísticos (inventário turístico)
1. Condições naturais
P.
79
1.1 Geologia
1.2 Geomorfologia
1.3 Solos
1.4 Clima
1.5 Vegetação
1.6 Fauna silvestre
1.7 Recursos hídricos
1.8 Paisagem
1.8.1 Tipificação
1.8.2 Qualificação visual da paisagem
1.8.3 Intrusões visuais (sinalização)
2. Recursos culturais
2.1 Arqueologia 2.2 Monumentos históricos
2.3 Folclore/tradição/hábito de vida
2.4 Manifestações
artísticas do local/artistas de destaque/estilos/principais obras
2.5 Ciência e
tecnologia — centros de estudos/pesquisas/destaques tecnológicos e científicos
2.6 Eventos/festas
3. Infra-estrutura turística
3.1 Meios de hospedagem
3.2 Alimentos e bebidas
3.3 Entretenimentos
3.4 Condicionamento físico/saúde
3.5 Agenciamento
3.6 Outros serviços
4. Recursos humanos para o turismo
5. Turismo receptivo
5.1 Caracterização da demanda (estatísticas dos
últimos cinco anos)
5.2 Caracterização do turismo receptivo
5.3 Marketing 6. Turismo emissivo
Parte
III — Análise/avaliação
1. Consideração/avaliação turística:
1.1 Pontos fortes e fracos
P.
80
1.2 Oportunidades e riscos
2. Diagnóstico
3. Prognóstico
4. Diretrizes básicas para o desenvolvimento do
turismo
ROTEIRO PARA AVALIAÇÃO DA DEMANDA TURÍSTICA
·
Local de origem
·
Idade
·
Sexo
·
Educação
·
Ocupação
·
Renda
·
Composição familiar
·
Composição do grupo
·
Época da viagem
·
Época da realização do plano de viagem
·
Duração da viagem
·
Distância percorrida
·
Motivação da viagem
·
Tipo de transporte
·
Despesas de viagem
·
Tipo de alojamento
·
Fator ou meio que influenciou a viagem/visita
·
Nível de satisfação com os
equipamentos/serviços
ROTEIRO PARA PLANEJAMENTO DE UM RECURSO TURÍSTICO
I – O PLANEJAMENTO
Considerar:
·
A facilidade de acesso:
— ao
local/cidade/região;
— com relação à demanda
— regional/nacional/internacional.
P.
81
·
O contexto regional/nacional no qual o recurso
se situa:
– de acordo com as políticas do desenvolvimento e de turismo;
– considerando a localização de recursos próximos (similares
ou não).
·
O nível local:
– relacionamento com a comunidade receptora;
– condições da infraestrutura;
– outros recursos turísticos potenciais.
·
A opção pelo desenvolvimento do recurso para o
turismo:
– adequação do tipo e tamanho das facilidades;
– distância de outros atrativos;
– disponibilidade de terrenos para expansão;
– acessos; – mercado (pesquisa de demanda).
·
A circulação dentro do recurso:
– uso e ocupação adequado do solo;
– sistema de circulação interno
— caminhos, trilhas, trens, monorail,
carros elétricos, charretes, transporte público;
–
áreas de circulação, áreas com acesso restrito, intrusão em assentamentos de
comunidades;
– participação das comunidades no planejamento;
– trabalho com equipes especializadas.
·
Os estudos de viabilidade mercadológica/ambiental
e financeira.
·
Os estudos de impactos econômicos/ambientais e
socioculturais (se forem intensos, o projeto não pode ser implantado).
·
O planejamento do grau de desenvolvimento
— capacidade de carga.
·
O planejamento das entradas financeiras que
custeiem os esforços na proteção ambiental.
·
O planejamento do desenvolvimento em etapas
— priorizando as mais fáceis de implementar e que proporcionem
o uso, enquanto se constroem/organizam as próximas.
·
O planejamento de esforços promocionais de
marketing.
·
A infraestrutura:
– planejar um sistema adequado de suprimento de água potável,
energia elétrica, dispositivos e tratamento do lixo e águas servidas,
telecomunicações;
– todos implantados de acordo com os padrões internacionais e
ambientais, além de, quando necessário, servir também para as comunidades
receptoras.
P.
82
·
O desenvolvimento dos padrões arquitetônicos:
– considerar a capacidade de carga, altura das construções,
percentagem de áreas livres, a paisagem, estacionamentos, estilo arquitetônico
— de acordo com o tema do recurso.
De acordo com as exigências da demanda,
incorporar atividades recreativas/culturais ao recurso, passeios pela região, e
outras atividades correlatas ao tema, considerando a integração e as
características regionais.
Programar alojamentos/transporte para os
empregados, se o recurso estiver distante de alguma comunidade constituída; às
vezes é preciso constituir uma "vila" somente para funcionários.
II - IMPLEMENTAÇÃO E GESTÃO
·
Estabelecer um cronograma para as
atividades/desenvolvimento previstos:
– priorizar os acessos e a infraestrutura;
– atrasos no cronograma são imprevisíveis e elevam os custos
da implantação.
·
Estabelecer a estrutura organizacional:
– lideranças/subordinados (organograma/fluxograma);
– cronograma flexível para alta e baixa estação;
– em casos de recursos turísticos públicos, evitar ações
políticas;
– no caso de o recurso exigir investimentos privados altos, às
vezes é preciso "apostar" no primeiro equipamento para atrair outros
investimentos.
·
Intensificar observação às leis de uso e ocupação
do solo — observar zoneamento para uso turístico:
– no caso de venda ou arrendamento da área, impor as condições
no contrato.
·
Capacitar os recursos humanos:
– quadro de tarefas/funções — treinamento adequado;
– aspectos da gestão e da operação do recurso;
– idiomas e sensibilização cultural;
– programa de ascensão na carreira/trabalho;
– treinamento interno (on the job)/externo (escolas);
– dar prioridade aos recursos humanos da comunidade.
·
Conduzir um planejamento regional:
– zoneamento das áreas do entorno do recurso;
– planejar/proteger os recursos do entorno (similares ou
diversificados) para propiciar alternativas de recreação e tours de um dia.
P.
83
·
Realizar gestão efetiva e continuada do
recurso/equipamentos/infraestrutura para garantir o alto nível de operação e
atratividade.
·
Desenvolver um plano de marketing para o
recurso — tanto para os usuários atuais como para os operadores turísticos dos
núcleos emissores.
III - ASPECTOS FINANCEIROS
– o
desenvolvimento adequado de um recurso é dispendioso;
– para
infraestrutura — bancos de desenvolvimento — regional/nacional/ internacional;
– se
a infraestrutura favorecer a comunidade local, será fácil justificar a
solicitação de fundos;
– utilizar
fundos de bancos de desenvolvimento — gerais ou específicos para o turismo
(condições melhores que as dos bancos privados);
– bancos
que financiam o desenvolvimento (no Terceiro Mundo) exigem planos de proteção
ambiental e a aplicação de técnicas sadias.
– retorno
na valorização do recurso para venda ou arrendamento;
– a
cobrança de taxas (água/tratamento de lixo/energia, etc.) dos empreendimentos
comerciais correlatos ao recurso pode cobrir os custos operacionais de
investimentos;
– o
investimento inicial é alto — prazo para viabilizar o retorno —; é preciso,
então, programar os custos da implantação;
– investimentos
em portos, aeroportos, estradas — do governo (desenvolvimento regional).
– isenção
de impostos e taxas (durante certo tempo);
– redução
gradativa das isenções;
– isenções
apenas para os investidores que seguirem os padrões do empreendimento;
– às
vezes o governo precisa ser o pioneiro no desenvolvimento para provar a
viabilidade comercial — vendendo o equipamento para investidores privados mais
tarde, quando o recurso provou ser economicamente viável.
P.
84
– considerar
desenvolvimento a longo prazo
– a
curto prazo (para retornar investimento) — compromete sua capacidade e
características ambientais, resultando em problemas de qualidade e
mercadológicos.
TENDÊNCIAS E DESAFIOS
Em termos econômicos, o turismo é tido, na
atualidade, como a "indústria" que mais cresce no mundo. Empregando
cerca de 10% da população economicamente ativa mundial e movimentando cerca de
US$ 4 trilhões, encontra-se entre os três maiores negócios do globo.
O futuro promete inúmeras oportunidades, mas
também muitos desafios. Algumas áreas certamente crescerão, enquanto outras
entrarão em declínio.
As previsões indicam tendências, nunca
certezas. Atingi-las ou não depende das empresas e da força de competitividade
entre as atrações.
Assim, a Organização Mundial do Turismo (OMT)
prevê um crescimento favorável do turismo internacional nos países em
desenvolvimento, motivado pelo interesse em determinados tipos de turismo, como
o ecológico, o rural, ou de aventura.
Esses tipos de turismo propiciam maior contato
com o meio ambiente natural, alimentando desejos antigos de retorno à mãe
natureza, por turistas provenientes de países desenvolvidos, que chegaram a
essa posição exatamente à custa de sua natureza.
Em uma análise mais profunda com relação ao
meio ambiente e turismo, cabe lembrar os prognósticos de Markus Schwaninger, até 2010:
Uma conscientização do estreito
relacionamento do homem com seu meio natural ampliará a importância dos
aspectos ambientais, estimulando os movimentos conservacionistas. Haverá uma
rejeição aos projetos de implantação de equipamentos que excedam os limites da
agressão ao meio, não apenas por parte dos especialistas como também por parte
dos turistas.
As autoridades públicas e as
instituições políticas, diante das pressões da opinião pública, contribuirão
para o desenvolvimento dos interesses das comunidades e do seu ambiente
original, definindo um planejamento adequado para cada caso e zelando para que
as proposições sejam seguidas.
Uma sensibilidade ambiental crescente
estimulará os esforços no sentido de proteger,
P.
85
conservar e valorizar tanto o meio
natural como sociocultural, criando a expectativa de que os empresários do
turismo abandonem a visão estreita que têm dos seus negócios e o imediatismo do
lucro e assumam uma mentalidade de planejamento a longo prazo,
conscientizando-se de que uma estratégia ecológica viável será pré-requisito
para o sucesso empresarial.[nota 8]
Para que tais tendências sejam alcançadas, é
necessário que certas dificuldades atuais sejam vencidas por meio do
planejamento.
Por enquanto, o comportamento do turista em
espaços naturais ainda é, em sua maioria, contrastante: ele deseja ver uma
natureza intocada, entretanto quer tocar os animais; quer viver a natureza,
porém com conforto e segurança; quer a natureza “pura”, porém acessível.
A ausência de planejamento em casos como esse
acaba por gerar crescimento descontrolado na localidade, que leva à
descaracterização e perda de originalidade dos recursos que motiva o fluxo de
turistas. E assim começa a decadência da localidade como destinação turística.
É difícil determinar o futuro com precisão. Um processo
de previsão não elimina as incertezas do futuro, apenas as reduz. Ressalta-se,
no entanto, que quanto maior a confiabilidade das previsões maior será a
eficácia do planejamento.
Por fim, cabe notar que, apesar da abrangência
dos temas apresentados neste capítulo, a amplitude do fenômeno turístico torna
seu estudo quase inesgotável. A consciência desse fato induz à recomendação de
novas abordagens sobre o planeja- mento, que, além de propiciarem debate sadio,
vão colaborar para a ampliação dos conhecimentos no futuro.
P.
86
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Página
notas de rodapé
Nota 1, página 66: Myriam V. Baptista,
Planejamento. Introdução à metodologia do planejamento social (São Paulo:
Moraes, 1981).
Nota 2, página 66: Apud Nilson Holanda,
Planejamento e elaboração de projetos (Rio de Janeiro: MEC/Fename, 1985).
Nota 3, página 66: Margarida Barreto,
Planejamento e organização do turismo (Campinas: Papirus, 1991).
Nota 4, página 67: Eduardo Estol e Stella
Albuquerque, Planejamento turístico (Buenos Aires: Ciet, s.d.).
Nota 5, página 73: José Ignácio de Arrillaga,
Introdução ao estudo do turismo (Rio de Janeiro: Ed. Rio, 1976).
Nota 6, página 73: Margarita Barretto,
Planejamento e organização do turismo (5. ed. Campinas: Papirus, 2000).
Nota 7, página 73: José Ignácio de Arrillaga,
op. cit.
Nota 8, página
85: Markus Schwaninger, "Travel and Tourisme Trends", em Revue de
Tourisme, nº 3, Berna, 1992, p. 18.