Título:
Transportes.
Autor: Antonio Luiz de
Carvalho.
Este material foi
adaptado pelo Laboratório de Acessibilidade da Universidade Federal do Rio
Grande do Norte, em conformidade com a Lei 9.610 de 19/02/1998, não podendo ser
reproduzido, modificado e utilizado com fins comerciais.
Adaptado por: Breno
Mateus.
Revisado por:
Francisca Maria.
Adaptado em:
outubro de 2025.
Padrão vigente a
partir de março de 2022.
Referência: CARVALHO,
Antonio Luiz. Transportes. In: ANSARAH, Marília Gomes dos Reis (org.). Turismo: como aprender, como ensinar,
II. 3. ed. São Paulo: SENAC, 2004. p. 87-146.
P. 87
ANTONIO LUIZ
DE CARVALHO
INTRODUÇÃO
A viagem no turismo envolve o transporte
propriamente dito e muitos outros fatores ligados às viagens, como hotéis,
parques temáticos, instalações de recreação, restaurantes, agências de viagens,
etc. Portanto, a satisfação do turista com o planejamento de uma viagem não
depende apenas do modal de transporte escolhido, mas também de todos os outros
serviços envolvidos, desde a sua saída de casa até o seu retorno. Uma viagem
maravilhosa pode ser arruinada por uma briga com um motorista de táxi, uma mala
perdida, uma reserva de hotel malfeita, etc.
O transporte de passageiros no turismo, salvo
em algumas operações específicas, como é o caso de fretamentos exclusivamente
para viagens turísticas, é absorvido pela infra-estrutura
de transporte de passageiros existente no Brasil e no mundo. Assim, exceto por
meio de pesquisas com os passageiros, pouco se sabe, por exemplo, em uma viagem
regular de São Paulo a Salvador, quantos, do total de passageiros, são
turistas. Em alguns setores do transporte de passageiros, como é o caso do
transporte urbano de grande número de pessoas, são muito raros os turistas
tradicionais, pois o uso desse transporte requer um conhecimento específico
sobre as rotas, forma de pagamento, etc. Por exemplo, em algumas rotas do
transporte urbano de passageiros, por ônibus, na cidade de São Paulo, é
necessária a compra de um bilhete antes do embarque, operação difícil para um
estrangeiro ou mesmo para um
P. 88
turista de outro estado. O mesmo
ocorre, por exemplo, nos trens urbanos na Alemanha e em várias cidades de
outros países. Por esses motivos, este estudo do transporte de passageiros no
turismo abrangerá a análise do transporte de passageiros em geral, excluindo-se
o transporte urbano de grande número de passageiros (transporte de massa),
dando-se destaque, sempre que possível, para o transporte de turistas.
MODAIS DE TRANSPORTE
Os modais de transporte de
passageiros são: aéreo, rodoviário, ferroviário, hidroviário (marítimo, fluvial
e lacustre). E as interfaces entre os modais são: aeroportos e heliportos,
portos, estações ferroviárias, estações rodoviárias ou "locais combinados",
estacionamento de locadoras.
Juntamente com o estudo dos
modais de transporte e suas interfaces é necessário analisar os serviços
complementares (traslados de passageiros, serviço de informações e instruções
aos passageiros, hospedagem de trânsito, etc.).
O CONCEITO
DE CURTA, MÉDIA E LONGA DISTÂNCIA EM VIAGENS
Este conceito muitas vezes está
ligado ao motivo da viagem e à disponibilidade e características do modal de
transporte disponível para a viagem. Por exemplo, no Japão, uma viagem de
Tóquio a Osaka (aproximadamente 400 quilômetros) é uma distância curta, pois lá
existe um trem de alta velocidade (TAV), cuja velocidade máxima é em torno de
300 km/h, eficientemente ligado a um sistema de transporte ferroviário e metrôs
em cada cidade, que permite que a viagem seja feita porta a porta em cerca de
duas horas e meia. Por outro lado, para um executivo paulista, às vezes é mais
rápido participar de uma reunião no centro do Rio de Janeiro do que participar
de uma reunião em Campinas, onde tem que enfrentar um transporte rodoviário por
vias muitas vezes engarrafadas.
No gráfico a seguir,
consideraram-se:
·
Trem de alta velocidade (TAV):
velocidade máxima 300 km/h (Europa e Japão).
·
Tempo para locomoção de casa até
a estação ferroviária de origem + tempo de espera + tempo de viagem da estação
de destino até o destino final = 1 hora e 15 minutos.
P. 89
·
Idem
rodoviário: 1 hora e 15 minutos.
·
Idem
aéreo: 1 hora e 30 minutos (no aéreo a antecedência mínima para apresentação do
passageiro é de 30 minutos).
·
Automóvel:
particular, saindo direto da origem para o destino.
TEMPO DE VIAGEM PARA OS PRINCIPAIS MODAIS
![[Descrição da imagem] Gráfico de linhas do tempo de viagem para os principais modais. No eixo y denominado “Tempo de viagem em horas” temos valores naturais que variam em um intervalo de 5 horas. No eixo x denominado de “Distância em Km” temos quilometragens que varia em 250Km. Os transportes analisados foram: Avião, Trem TAV, Automóvel e Ônibus. O comportamento para as linhas traçadas foram:
1. Ônibus: Apresenta a linha mais inclinada, indicando que é o meio de transporte mais lento conforme a distância aumenta (chegando a 30 horas para 2.000 km).
2. Automóvel: A segunda linha mais inclinada, mostrando-se mais rápido que o ônibus, mas mais lento que o trem e o avião.
3. Trem TAV: Refere-se a um Trem de Alta Velocidade. A linha é menos inclinada que a do carro, indicando maior rapidez.
4. Avião: A linha mais baixa e quase plana (menor inclinação). Isso demonstra que é o meio mais rápido, com o tempo de viagem aumentando muito pouco mesmo para grandes distâncias (ficando abaixo de 5 horas para 2.000 km). [Final da descrição]](CARVALHO.%20Transportes.%20p.87-146.%20Acessivel_arquivos/image002.png)
Fonte: Antonio L. de Carvalho, apostila, 1997.
Nesse gráfico, verifica-se que em termos de tempo de viagem:
a)
Para
distâncias até 250 km o avião é pouco competitivo, tornando-se mais competitivo
à medida que a distância aumenta.
b)
O uso
do automóvel particular leva vantagem sobre todos os outros modais para
distâncias até 250 km, mas é limitado ao tempo que o motorista pode dirigir. As
paradas para refeições prejudicam o tempo total de viagem e além de um certo
tempo a pernoite torna-se obrigatória.
P. 90
c)
O trem de alta velocidade (TAV)
só é disponível em algumas regiões da Europa e no Japão. É um modal altamente
competitivo com o avião, pela sua facilidade de uso, comodidade, confiabilidade
e preço. O tempo total de viagem depende de eventuais paradas em estações
intermediárias. No Brasil já existe um projeto para um trem desse tipo ligando
Campinas—São Paulo— Rio de Janeiro.
d)
O ônibus compete com o modal
aéreo, mesmo em longas distâncias, pelo seu relativo baixo preço.
Apenas para efeito de estudo,
podemos considerar que as viagens de curta distância são aquelas em que o tempo
de viagem é de até duas horas; de média distância, quando esse tempo varia de
duas a seis horas; e de longa distância quando o tempo é superior a seis horas.
O MERCADO DE
TRANSPORTE DE PASSAGEIROS
O mercado de passageiros pode ser
dividido em três segmentos, de acordo com os distintos motivos da viagem, e as
transportadoras geralmente orientam seu preço, horário, equipamento e rotas em
direção a esses segmentos. Os segmentos de mercado são:
·
viagens de negócios;
·
viagens de turismo;
·
viagens por razões pessoais.
MOTIVOS DE VIAGENS AÉREAS
![[Descrição da imagem] Gráfico de pizza dos motivos de viagens aéreas. No gráfico é representado: Os negócios com 72%, Turismo com 26% e Outros com 2%. [Final da descrição]](CARVALHO.%20Transportes.%20p.87-146.%20Acessivel_arquivos/image003.png)
Fonte:
Jornal O Estado de S. Paulo.
P. 91
VIAGENS DE NEGÓCIOS
As viagens de negócios constituem
o principal mercado do transporte aéreo, em que a pessoa é reembolsada dos
custos da viagem ou compensada de outro forma. Já a procura por transporte de
ônibus compõe uma parcela relativamente pequena nas viagens de negócios, pois neste casos o tempo é mais importante que o custo da
passagem. Nas viagens de curta distância, o carro, próprio ou da empresa, é o
meio de transporte mais utilizado. O mercado de viajantes a negócios no
transporte aéreo é muito mais sensível a horários do que a preços. Em muitos
casos, o passageiro embarca de manhã para retornar à tarde. A principal receita
de muitas empresas aéreas é baseada nesse tipo de cliente, que por isso
oferecem muitos vôos por dia para se tornar mais
competitivas nesse mercado. O tráfego aéreo é intenso de segunda a sexta-feira
e as principais atrações para o viajante são: horário, conforto, serviço de
bordo e serviços extras (sala VIP, etc.).
Uma passagem mais barata não é
tão importante nesse mercado como é na viagem a turismo ou por motivos
pessoais. A viagem de negócios e motivada, por exemplo, por uma reunião de
negócios em outro local e o custo da passagem geralmente não é o fator
decisivo. Por isso, as empresas aéreas cobram preços mais altos pela passagem
para viagens sabidamente de negócios do que pela passagem de turismo. Assim,
algumas empresas oferecem desconto para viagens nos fins de semana ou, para
usar determinada tarifa especial, o viajante deve permanecer no destino por um
número mínimo de dias, ou então a reserva deve ser feita com muita antecedência,
mas para um número limitado de assentos por avião, etc.
VIAGENS DE TURISMO
A viagem de turismo representa o
segundo principal mercado das companhias aéreas e o maior mercado para as
empresas rodoviárias, principalmente nas curtas e médias distâncias. Os
passageiros vêem o transporte como um meio de chegar
ao destino desejado, com exceção do transporte marítimo, em que a viagem em si
constitui o motivo principal do turismo.
Na viagem marítima, o luxo, as
diversões a bordo, a farta alimentação, superando em muito a maioria dos hotéis
de lazer, fazem com que a chegada ao destino ou eventuais paradas em locais
turísticos se tornem de menor importância.
A viagem de turismo com destino
desejado é altamente sensível ao preço e à
P. 92
época do ano. Assim, durante o período
de férias ou feriados prolongados, são muito
procuradas, e as transportadoras, os hotéis, etc. aproveitam esse
período para aumentar seus
preços, enquanto em outras épocas as empresas reduzem substancialmente seus
preços para atrair os viajantes, oferecendo tarifas aéreas reduzidas, principalmente
nos fins de semana ou para destinos pouco procurados para negócios.
Normalmente, as passagens aéreas oferecidas com o intuito de atrair o turista
são cheias de restrições, as quais somente quem está de fato viajando sem
compromisso de data ou horário pode cumprir.
Algumas regiões são altamente
dependentes das viagens de turismo, como é o caso de Orlando, nos EUA. Fora da época da alta temporada, o
preço das passagens aéreas a partir de São Paulo costuma cair para menos da
metade, mas isso geralmente se aplica somente para a classe turística, havendo
pouca redução para a classe executiva ou primeira classe. Isso porque as
companhias aéreas supõem que quem viaja nessas duas classes ou não faz questão
de preço, ou é um executivo em viagem de negócios.
O mercado de viagens de turismo
está tendendo para as ofertas de pacotes, em que, além da passagem, a agência
de turismo oferece, por exemplo, traslados, hotel, ingressos para parques de
diversão ou para shows, etc. Acompanhando essa tendência estão surgindo também
as viagens temáticas, como é o caso do "ecoturismo", viagens a locais
históricos com acompanhamento de guias especializados, etc.
VIAGENS PESSOAIS
Muitas companhias de ônibus
regulares consideram as viagens pessoais sua mais importante fonte de receita.
Esse tipo de viagem acorre por diversas razões: cursar faculdade em outra
cidade, trabalhar em outra cidade, visitar parentes, viajar por motivo de
doença na família, ou até mesmo por morte da algum parente,
etc. Na maioria dos casos, o preço da passagem é fator decisivo para a viagem.
Entretanto, no caso de morte, a maior preocupação é a rapidez para chegar ao
destino, sendo o preço da passagem um fator secundário.
O “PRODUTO” TRANSPORTE DE PASSAGEIROS
O transporte de passageiros é um
"produto" constituído de muitos componentes, variando desde itens
bastante objetivos e tangíveis até alguns intangíveis.
P. 93
DESTINO
É o lugar para onde o passageiro se dirige.
Pode se tratar de uma viagem de negócios, por exemplo, para o Rio de Janeiro,
São Paulo, Brasília, etc., ou pode haver uma atração turística, por exemplo,
Porto Seguro, Serras Gaúchas, Pantanal, Amazonas, etc. Alguns destinos
apresentam uma mistura dos dois objetivos: uma viagem de negócios a Paris pode
ter também um pouco de turismo.
HORÁRIOS E TEMPO DE VIAGEM
São aspectos importantes da movimentação de
pessoas. Muitas vezes a transportadora é escolhida somente porque a hora de partida
ou de chegada é a mais conveniente para o viajante. A velocidade de viagem pode
ser uma vantagem ou às vezes uma desvantagem. Para o passageiro do transporte
aéreo, a rapidez é muitas vezes a principal razão da escolha desse modal, mas,
em alguns casos, chegar a uma cidade de madrugada e ter que procurar um hotel
pode ser mais inconveniente do que uma viagem de ônibus durante toda a noite,
em que o viajante chega pela manhã.
A confiabilidade na partida dentro do horário
também é muito importante. Alguns executivos, quando têm um compromisso
importante pela manhã em outra cidade, preferem viajar na véspera e dormir na
cidade de destino do que a correr o risco de um atraso na partida do avião. É o
caso típico da "época de neblina" nos aeroportos de Congonhas (São
Paulo) ou Santos Dumont (Rio de Janeiro). Alguns aeroportos nos Estados Unidos,
Canadá e norte da Europa ficam fechados por vários dias no inverno. Nessas
regiões, o trem é a alternativa bastante procurada.
CUSTO
É um dos principais itens de medida do
"produto" transporte. Ele inclui o preço da passagem e vários outros
custos, que podem ser: viagem de e para o local de embarque, estacionamento,
alimentação nas paradas (típica em viagens de ônibus), etc. Algumas vezes o
custo de um negócio perdido pode justificar o aluguel de um táxi aéreo.
P. 94
EQUIPAMENTO
Este fator pode ser uma parte do
atrativo para a viagem. Muitas pessoas preferem viajar por uma companhia aérea
por acreditar que a manutenção da aeronave nessa companhia é mais bem-feita, ou
eventualmente por preferir viajar em um avião mais novo por julgá-lo mais
seguro. Ele é decisivo nas viagens marítimas, em que quanto mais luxuoso for o
navio, mais atrativo ele será.
A escolha do equipamento
aplica-se a todos os modais. Ninguém gosta de viajar em um ônibus sujo e
malcuidado. Alguns passageiros no transporte aéreo chegam a se recusar a
embarcar em um avião por julgar que aquele aparelho não é seguro. Esse caso é
comum e nem sempre é baseado em razões lógicas. Por exemplo, formou-se o
conceito de que o avião Ilyushin II 86 não era seguro
por ser de fabricação russa, considerado de baixa confiabilidade. Um fato
curioso, no entanto é que o único acidente em toda a
história desse avião foi quando um Boeing 737-200 caiu sobre ele no aeroporto
de Nova Délhi, quando ele, vazio, se preparava para decolar em direção a
Moscou.
SERVIÇO AO PASSAGEIRO
As cortesias oferecidas antes e
durante a viagem são muito importantes para o viajante. O turista gosta de
viajar barato e ser bem tratado. Quem viaja na primeira classe exige um tratamento
diferenciado, desde a hora em que faz o primeiro contato com a agência de
viagens até o momento em que chega ao destino.
Algumas empresas especializadas
em transporte rodoviário de turistas oferecem veículos altamente luxuosos, com
poltronas reclináveis, serviço de bordo, televisão, ar-condicionado, etc.
Uma empresa aérea brasileira
conquistou muitos clientes oferecendo uma sala de embarque no aeroporto
diferenciada das outras, onde era servido café, refrigerantes, salgadinhos,
música, etc., enquanto o passageiro aguardava o embarque.
A habilidade da empresa de
transporte em atender a esse requisito pode significar o seu sucesso ou o seu
fracasso.
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te terrestre e um transporte aéreo; uma
estação ferroviária é uma interface entre um trem e outro modal (por exemplo,
um automóvel).
Os terminais devem ser projetados
para ser eficientes na sua função, ou seja, conduzir o passageiro e sua bagagem
ao modal de transporte que eles oferecem.
RECLAMAÇÕES
O transporte de passageiros é uma
indústria altamente visível. Ao contrário da compra de um objeto, em que muitos
elementos do marketing objetivam a compra e a eventual fidelidade do cliente à
marca, o transporte de passageiros é altamente sensível ao sentimento do
viajante, que pode ficar insatisfeito por razões difíceis de se prever.
O atendimento às reclamações
representa o algo mais que a empresa, transportadora deve oferecer ao seu
cliente. Esse serviço muitas vezes é relegado a um segundo plano por algumas
empresas de transporte, por ignorância ou incompetência, principalmente quando
as reclamações são raras. Algumas pesquisas indicam que poucos viajantes
reclamam diretamente à transportadora, por achar que isso será perda de tempo.
Eles simplesmente vão embora e contam a todos os amigos por que o fizeram.
TRANSPORTE AÉREO
HISTÓRIA DO TRANSPORTE AÉREO[nota 1]
A frota aérea comercial começou
com um hidroavião Benoist em 1914, quando a St.
Petersburg-Tampa Airboat Line
iniciou seus serviços na Flórida, EUA. As operações aéreas comerciais
iniciaram-se na Europa em 1919.
No início do
século XX as viagens terrestres eram feitas de trem; as viagens entre
continentes, de navio; até que Louis Blériot voou sobre o canal da Mancha em
1909. As companhias aéreas européias iniciaram suas
operações internacionais dez anos depois, e o transporte aéreo de massa
iniciou-se efetivamente nos anos 1950. Hoje, o transporte de passageiros entre
continentes é totalmente feito por via aé-
P. 96
rea, e os
navios transoceânicos de passageiros encerraram suas atividades como meio de
transporte entre continentes, restando-lhes apenas o transporte turístico de
passageiros.
Em 1911, Cal Rodgers levou seis
meses para atravessar os Estados Unidos em um biplano Wright. O primeiro
serviço totalmente aéreo, costa a costa, nos Estados Unidos durava 36 horas com
uma parada noturna. O DC-3 levava vinte horas para atravessar os Estados Unidos
e, no início da década de 1940, o DC-6 levava dez horas. Hoje, os aviões a jato
atravessam o continente americano em cinco horas ou menos.
A região do Atlântico começou a
ser conquistada em 1927, quando Charles Lindbergh voou com o Spirit of St. Louis de Nova York a Paris em 33 horas e meia. Um vôo memorável para um piloto solitário, que passou toda a
viagem sem dormir. A antiga empresa aérea Pan American (Pan Am) operou com os
Boeing 314 Clipper em 1939. No final da década de 1930 tinha um vôo regular para o Brasil utilizando hidroaviões.
A região do Pacífico começou a
ser conquistada em 1931, quando o monoplano Miss Veedol
atravessou o oceano Pacífico em 41 horas. Em 1935, viajantes ricos voavam de
São Francisco a Manila em seis dias a bordo dos China Clippers da Pan Am. Os
aviões de quatro motores encurtaram a viagem para um dia na década de 1940, mas
tinham que parar no Alasca ou no Havaí para reabastecer. O Boeing 707 inaugurou
o vôo direto Los Angeles — Tóquio no início dos anos
1960, e o Boeing 747 assumiu a posição de líder no transporte aéreo
transpacífico.
A era do jato nasceu na Alemanha
em 1939 com o Heinkel He 178, o primeiro avião a jato
do mundo. Foi uma revolução em termos de tecnologia aeronáutica e só não teve
um papel avassalador como avião de combate por ter surgido no final da guerra,
em 1945, quando a Alemanha já não tinha mais poder industrial, pois faltavam
combustível e, principalmente, pilotos treinados nesse novo tipo de aparelho.
Dois anos depois, surgiu o
Gloster E28/39, com uma turbina desenvolvida na Inglaterra, praticamente uma
cópia do Heinkel He 178. O Comet
da De Havilland foi o primeiro jato comercial do mundo e entrou em serviço em
1952, seguido pelo Tupolev Tu-104 em 1956. Muito se
aprendeu sobre a tecnologia de projeto desse tipo de avião com os desastres do Comet. O DC-8 e o Caravelle surgiram em 1959, seguidos pelo
Convair 880 em 1960. Com o surgimento do Boeing 707, a aviação comercial a jato
atingiu um alto ponto de credibilidade, tornando-se um meio de transporte
definitivamente aceito.
A era dos modernos aviões de
fuselagem larga (wide
body) começou quando os aviões a jato com cabine de passageiros de dois
corredores entraram em serviço entre 1970 e 1974. Hoje, os 747, DC-10, L-1011 e
A300 oferecem aos passageiros gran-
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de conforto e baixo custo por assento/km. A Airbus
Industrie, fabricante do Airbus, tem um projeto de um avião de dois andares,
com capacidade superior a quinhentos passageiros, que provavelmente será o
avião de menor custo por passageiro/km transportado do mundo.
Os grandes aviões são econômicos para rotas
de longa distância, por isso, para atender às rotas de pequena distância e
baixa demanda de passageiros foi necessário o desenvolvimento de projetos de
aviões relativamente pequenos, ágeis e adaptáveis aos aeroportos menos
sofisticados. O DC-3 revolucionou o transporte aéreo permitindo que as
companhias aéreas fossem lucrativas nas rotas de curta distância. Na década de
1960, apareceu uma geração de jatos que tinham por objetivo fazer a mesma coisa.
Foram os trijatos Boeing T23,
BAC 111, DC-9 e os bijatos Boeing 737 com capacidades
pouco acima de cem passageiros. Essas famílias de jatos foram modernizadas,
surgindo modelos de maior capacidade, mas com os mesmos objetivos originais.
Atualmente, estão sendo desenvolvidas novas famílias de jatos com capacidade de
cinquenta a cem passageiros, sendo a Embraer, no Brasil, e a Bom-bardier, no Canadá, as empresas mais agressivas na
disputa desse mercado.
O início dos vôos
supersônicos deu-se quando Chuck Yeager quebrou a barreira do som em 1947.
Naquela época os visionários imaginaram aviões comerciais cruzando os céus a
velocidades supersônicas. Essa visão tornou-se realidade em 1976, quando o
primeiro dos catorze Concordes Anglo-Franceses entrou
em serviço. Os vôos com aviões supersônicos tiveram
limitação, principalmente pelos custos operacionais e pela relativa vantagem
que ofereciam. Por exemplo, a rota Rio-Paris extinguiu-se porque os Concordes
tinham que fazer uma escala no norte da África para reabastecimento, o que
aumentava o tempo total de vôo em algumas horas,
quebrando a vantagem da alta velocidade quando comparada aos jatos regulares
que fazem essa viagem sem escala.
Atualmente existem projetos de aviões suborbitais
que atingiriam a uma velocidade muito superior à do som, por viajarem parte do
tempo praticamente fora da atmosfera terrestre. Esses projetos ainda demandam
certo tempo para se tornar realidade comercialmente.
No início da aviação, o transporte aéreo era
bastante regulamentado, e a indústria do transporte aéreo era altamente
dependente do serviço de transporte prestado aos correios e dos subsídios
governamentais. Quando a indústria começou a amadurecer, a regulamentação
tornou-se um entrave ao comércio. A desregulamentação, uma profunda
transformação no sistema de transporte aéreo, começou na América do Norte há
duas décadas e continua, atualmente, em todas as partes do mundo. Os
P. 98
benefícios ao usuário incluem maior
escolha, horários mais convenientes de vôo, sistemas
tarifários mais flexíveis, etc. Uma recente desregulamentação de impacto no
Brasil foi a dos serviços de transporte de passageiros entre Rio de Janeiro e
São Paulo (ponte aérea Rio—São Paulo), que permitiu a entrada de novas
companhias aéreas na rota, gerando uma disputa entre as companhias pela
preferência do passageiro.
Até 1978, as empresas aéreas
americanas operavam em um ambiente totalmente regulamentado. As rotas e as
tarifas eram fixas e novos concorrentes eram impedidos de entrar no mercado. A
estratégia das empresas aéreas refletia esse ambiente. As alternativas de
escolha quanto ao tipo de avião, nesse ambiente regulamentado e, portanto, de
pouca flexibilidade, também eram limitadas. Para as operações que envolviam
cabine com um corredor, as escolhas recaíam nos aviões para distâncias muito
curtas, 737, DC-9 e BAC 111; para rotas curtas os 727, e para rotas longas os
já velhos 707 e DC-8. Para as operações com cabine de dois corredores, as companhias
aéreas podiam escolher entre os 747, DC-10, L-1011 e A300.
Hoje, a situação é muito
diferente. Com a indústria do transporte aéreo totalmente desregulamentada, as
companhias aéreas podem escolher quando, para onde e com qual freqüência voar, e quais preços devem cobrar por seus
serviços. Acentuando essa liberdade, operam com jatos que são mais eficientes
no consumo de combustível, possuem mais alternativas de tamanho e voam maiores
distâncias do que no passado. De fato, os 757, 737 e A320, aviões de duas
turbinas, podem fazer vôos transcontinentais sem
escala, que antes requeriam aviões de três ou quatro turbinas. O resultado da
livre evolução das estratégias das companhias aéreas reduziu o custo real para
voar, aumentou o número de destinos e tornou o transporte aéreo mais
competitivo.
Nas rotas do Atlântico, durante a
rígida regulamentação, as companhias aéreas tinham como alternativas os aviões
707 e DC-8, de corredor único e pouco mais de duzentos assentos, ou então os
747, DC-10 e L-1011, com mais de trezentos lugares, três ou quatro turbinas e
que operavam apenas em grandes aeroportos. A mudança para aviões de grande raio
de ação, altamente eficientes em termos de consumo de combustível, com diversas
alternativas em termos de capacidade de passageiros, está alterando
profundamente o transporte aéreo nessas rotas. Introduzidos na década de 1980,
o Boeing 767 e o Airbus A310, aviões menores, birreatores (mais econômicos),
com menores exigências quanto a aeroportos, liberaram as companhias aéreas para
atuar de maneira mais abrangente, isto é, seus vôos
podem partir, por exemplo, de vários aeroportos dos Estados Unidos para uma
grande variedade de aeroportos na Europa, facilitando a viagem e reduzindo os
custos para o passageiro.
P. 99
As rotas do Pacífico ainda estão
em um estágio inicial de desenvolvimento. As grandes distâncias envolvidas em vôos sem escala exigem características especiais dos aviões
para garantir a segurança dos passageiros. Como o custo operacional dos aviões
está relacionado ao número de turbinas, os aviões de duas turbinas são mais
econômicos que os de três ou quatro turbinas. Nesse caso, o ideal em termos de
custos seria o uso de aviões de duas turbinas também nas rotas do Pacífico, mas
as exigências de segurança ainda restringem o uso desses aviões.
Durante muitos anos (desde 1953),
os aviões comerciais de dois motores não podiam permanecer em vôo, no caso da parada de um dos motores, por mais de
sessenta minutos até atingir um aeroporto alternativo. A maior confiabilidade
dos sistemas de navegação e, sobretudo, dos motores permitiu que essa margem
fosse ampliada para 120 minutos (1985) e finalmente para 180 minutos (1988).
Para isso, a aeronave deve estar equipada com uma série de sistemas extras, que
permitem continuar o vôo com absoluta segurança, em
caso de falha de uma das turbinas. Essa operação é chamada de Etops, sigla em inglês para Operações Longas com Bimotores,
ou Erops, quando se trata de três ou mais motores.
Em 1999, a Federal Aviation Agency (FAA) iniciou um
estudo a fim de permitir a operação de bimotores em 180 minutos mais 15%, ou
seja, 207 minutos de vôo. No início das operações Erops, a Airbus opunha-se a elas (a Airbus desenvolveu o projeto
de um avião de quatro turbinas visando essa rota, que obviamente se tomará
menos competitivo se for aprovada uma regulamentação que permita o uso de
aviões de três turbinas) e de brincadeira diziam que Erops
quer dizer Engines Runmng Or Passengers Swimming
(motores funcionando ou passageiros nadando). No final, a FAA autorizou a
extensão do tempo de vôo, mas em função de vôos específicos.
Os novos aviões Boeing 777 e
Airbus A340 prometem alterar as estratégias das empresas aéreas que operam
essas rotas.
VISÃO GERAL DA ECONOMIA DO TRANSPORTE AÉREO MUNDIAL[nota 2]
A partir de 1993, a indústria do
transporte aéreo regular começou a se recuperar dos prejuízos ocorridos durante
os anos de 1990 a 1993, e 1998 foi o sexto ano consecutivo de lucro, que foi de
US$ 15,5 bilhões, pouco inferior ao recorde de
P. 100
US$ 16,5 bilhões, em 1997. As previsões para 1999
também eram de lucro, esperando-se alguma dificuldade para o ano 2000,
principalmente devido a possíveis aumentos no custo do petróleo, O gráfico a
seguir mostra o desempenho geral das empresas aéreas regulares.
LUCRO DAS EMPRESAS AÉREAS REGULARES - MUNDO
![[Descrição da imagem] Gráfico de barras do lucro das empresas aéreas regulares no mundo, em bilhões de dólares, de 19986 a 2000 (sendo 1999 e 2000 estimados). Os valores variam de -5 até 20 bilhões de dólares. De 1986 a 1988, os çcros ficam um pouco acima de zero. Em 1990, o lucro cai e fica negativo, e continua negativo em 1992, sendo o ponto mais baixo do gráfico, perto de 5 bilhões. Em 1994 começa a recuperação, voltando para valores próximos a zero. A partir de 1996, os lucros sobem de forma significativa, atigindo entre 5 a10 bilhões. Em 1998, 1999 e 2000 (estimados), os lucros continuam aumentando, se aproximando de 15 bilhões de dólares em 2000. [Final da descrição]](CARVALHO.%20Transportes.%20p.87-146.%20Acessivel_arquivos/image004.png)
Fonte: Até 1998 Boeing Commercial Airplanes; 1999 e 2000
estimados.
No passado, a chave da
lucratividade era a habilidade de a companhia aérea operar com altos índices de
ocupação e obviamente redução de custos. Em 1998, os esforços para a redução de
custos continuaram, mas o fator mais importante de redução foi a queda dos
preços do petróleo e conseqüentemente a queda dos
preços do jet fuel
(querosene de jatos). A queda dos preços do petróleo foi fortemente
influenciada pela redução da demanda asiática, quando houve a queda da economia
na região, com conseqüente redução no consumo de
energia. Os produtores de petróleo não reduziram a produção na mesma proporção
da redução da demanda, o que resultou em uma oferta maior do que a demanda, o
que explica a redução dos preços. No início do ano 2000 houve uma situação inversa
e o preço do petróleo disparou, chegando o óleo cru tipo Brent a US$ 29,22 por
barril. Se o aumento se mantivesse estável, as companhias aéreas teriam os seus
lucros reduzidos, pois não seria possível repassar integralmente o aumento do jet fuel para
a passagem. O gráfico a seguir mostra a evolução dos preços do petróleo e do jet fuel.
P. 101
EVOLUÇÃO DOS PREÇOS - ÓLEO CRU/JET FUEL
![[Descrição da imagem] Gráfico de barras verticais que compara a variação de preço de dois tipos de combustível ao longo do tempo. Eixo Horizontal (X): Indica o período analisado, mostrando os anos de 1997, 1998, 1999 e o mês de março de 2000. Eixo Vertical (Y): Apresenta uma escala numérica de 0 a 70. Legenda: As barras cinza claro representam o preço do "Óleo cru em US$/barril". As barras cinza escuro representam o preço do "Jet fuel (combustível de aviação) em cents/galão". O gráfico mostra uma tendência onde os preços de ambos os itens se movem na mesma direção: Houve uma queda nos valores entre 1997 e 1999, atingindo o ponto mais baixo em 1999. Em março de 2000, ocorreu um aumento brusco em ambos os preços, superando os níveis iniciais de 1997. O "Jet fuel" quase atinge a marca de 60, enquanto o "Óleo cru" chega próximo de 30. [Final da descrição]](CARVALHO.%20Transportes.%20p.87-146.%20Acessivel_arquivos/image005.png)
Fonte: Boeing Commercial Airplanes, jornal O Estado
de S. Paulo e Shell (fornecedora de querosene de aviação).
TRÁFEGO INTERNACIONAL
Os lucros das empresas aéreas
foram bons em 1998, apesar de o tráfego mundial ter diminuído
significativamente nesse ano. Após vários anos de crescimento do Revenue Passenger Kilometer (RPK), receita por passageiro/km em mais de 6% ao
ano, a média de 1998 foi em torno de 3%. O tráfego variou bastante de um mercado
regional para outro, apresentando, entretanto, um forte crescimento no tráfego
Europa-América Latina e dentro da América Latina. A tabela a seguir mostra a variação
anual do tráfego nas principais regiões do mundo:
TRÁFEGO AÉREO INTERNACIONAL
|
Região |
Variação anual (%) |
|
|
|
1997 |
1998 |
|
América do Norte |
4,6 |
2,3 |
|
Europa |
8,9 |
8,8 |
|
Ásia – Pacífica |
4,0 |
-7,6 |
|
Atlântico Norte |
8,9 |
8,7 |
|
Transpacífico |
6,7 |
0,5 |
|
Europa – Ásia –
Pacífico |
10,5 |
2,6 |
|
América do Norte
– América Latina |
5,8 |
8,2 |
|
Europa – América
Latina |
8,6 |
12,0 |
|
América Latina |
8,6 |
11,0 |
|
Total mundial |
6,1 |
3,0 |
Fonte: Revista América Economia, fev. 2000.
P. 102
CRESCIMENTO DA CAPACIDADE DE TRANSPORTE INTERNACIONAL
O tráfego aéreo não
correspondeu às expectativas em algumas regiões, principalmente na região da
Ásia, e as empresas aéreas não tiveram tempo para ajustar a demanda à
capacidade oferecida, resultando, em alguns casos, uma oferta maior do que a
procura. Em 1998, a capacidade superou o crescimento do tráfego, o que resultou
no remanejamento de algumas aeronaves para outras regiões ou até o estacionamento
de aeronaves pouco produtivas. Apesar das dificuldades, as empresas aéreas
americanas conseguiram aumentar o fator de utilização médio de suas aeronaves,
e as empresas européias conseguiram apenas mantê-lo,
mas as empresas latino-americanas, apesar de estarem melhores que em 1993,
ainda estão muito abaixo das outras. O gráfico a seguir mostra essas variações.
FATOR
DE UTILIZAÇÃO (%)
![[Descrição da imagem] Um gráfico de linhas que monitora o desempenho de quatro regiões geográficas diferentes ao longo de um período de 6 anos. Eixo Horizontal (X): Representa os anos de 1994 a 1999. Eixo Vertical (Y): Apresenta uma escala numérica que vai de 55 a 75. As legendas identificam quatro regiões: Ásia-Pacífico, Europa, EUA e América Latina. O gráfico apresentada as seguintes tendências: Europa (linha com quadrados) e EUA (linha com triângulos): Ambas mostram uma tendência de crescimento consistente. Elas começam na faixa de 64-66 em 1994 e terminam no ponto mais alto do gráfico em 1999, ambas próximas ou acima de 70. Ásia-Pacífico (linha com losangos): Começa como a mais alta em 1994 (cerca de 68), mantém-se estável, mas é ultrapassada por Europa e EUA no final do período, terminando ligeiramente abaixo delas. América Latina (linha com "x"): É a linha que apresenta os valores mais baixos e maior oscilação. Começa bem abaixo das outras (abaixo de 57 em 1994), dá um salto em 1995, cai em 1996 e termina 1999 na faixa de 63, ainda significativamente abaixo das outras três regiões. [Final da descrição]](CARVALHO.%20Transportes.%20p.87-146.%20Acessivel_arquivos/image006.png)
Fonte: Boeing Commercial Airplanes, 2000.
PREVISÃO DAS AQUISIÇÕES FUTURAS DE AERONAVES
Em 1998, as empresas aéreas tiveram o sexto ano
consecutivo de lucros, devido, em grande parte, ao baixo preço dos combustíveis,
ao aumento do tráfego, ao fator de utilização e à receita por passageiro/km (yeld). As
tendências, no entanto, parecem indicar que esses lucros atingiram um pico
cíclico, devendo-se esperar uma queda no futuro.
O ciclo de aquisição de aeronaves de
fuselagem larga (wide
body — dois corredores) está desvinculado do ciclo de aquisições de
aeronaves de fuselagem estreita (narrow body — um corredor). As entregas de
encomendas dos aviões de fuselagem larga em 1999 foram ligeiramente maiores do
que em 1998 e declinaram em 2000.
P. 103
As entregas de aviões de fuselagem
estreita aumentaram em 1999 pela conclusão dos programas de entregas do 737
clássico, MD-80 e MD-90 e também declinaram em 2000, devendo manter-se estável,
entretanto, em 2001.
Levantamentos históricos mostram
que o aumento do Produto Interno Bruto (PIB) responde por cerca de dois terços
do aumento do crescimento da demanda por viagens aéreas, e as tendências de
aumento do comércio, redução de custos e maior oferta de vôos
respondem pelo terço restante.
As projeções para o período
compreendido entre 1999 e 2008, segundo pesquisas da Boeing Commercial
Airplane, são:
a) Crescimento
econômico e de tráfego aéreo:
·
A economia mundial deverá crescer
em uma média de 2,7% ao ano.
·
O tráfego de passageiros deverá
crescer em uma média de 4,7% ao ano.
·
O tráfego de cargas deverá
crescer em uma média de 6% ao ano.
b) Crescimento
da demanda mundial por aeronaves comerciais. A frota mundial de jatos para
transporte de passageiros e cargas em 2008 será aproximadamente de 19.100
aviões, com a seguinte composição:
·
16% de jatos regionais;
·
57% de jatos de um corredor (737,
A319, etc.);
·
21% de aviões de tamanho
intermediário (767, A330, etc.);
·
6% de aviões do tamanho do 747 ou
maiores.
O potencial de crescimento do
mercado de novos aviões comerciais é de aproximadamente 8.900 aviões, ou o
equivalente a 585 bilhões de dólares americanos, em valores de 1998. Em
números, os novos aviões poderão atingir a seguinte composição:
·
2.110 jatos regionais;
·
4.500 jatos de um corredor (737,
A319, etc.);
·
1.940 aviões de tamanho
intermediário (767, A330, etc.);
·
350 aviões do tamanho do 747 ou
maiores.
TIPOS DE AVIÕES
Quanto ao tipo de transporte de
passageiros, os aviões podem ser assim classificados: de acordo com o número de
corredores na cabine de passageiros, fuselagem estreita (narrow body) e fuselagem larga (wide body),
de tamanhos intermediário e grande. Basicamente os modelos de aviões dentro dessas classificação são os indicados a seguir.
P.104
|
Fuselagem estreita (Single aisle ou narrow body) |
Modelos de aviões |
|
50 a 106 passageiros |
717-200 Bae 146/RJ170/RJ85/RJ100 Canadair RJ/BRJX Embraer 135/145 e 170/190 Fairchild 528/728/928 |
|
107 a 120 passageiros |
737-100/200/500/600 DC-9 MD-87 Concorde A318 |
|
121 a 170 passageiros |
737-300/400/700/800 727-200 A319 A320 Trident-3 Mercure MD-81/82/83/88 MD-90 DC-8-10/-20 |
|
171 a 240 passageiros |
737-900 757-200/300 707-300B/C DC-8-30/40/50/60/70 |
|
Fuselagem larga (Twin aisle ou wide body) |
Modelos de aviões |
|
Tamanho intermediário 230 a 310 passageiros |
767-200/300/400 A300 A310 A33O-200 1196-300 |
P. 105
|
Fuselagem larga (Twin aisle ou wide body) |
Modelos de aviões |
|
311 a 399 passageiros |
777-200/300 A330-300 L-1011 DC-10 MD-11 |
|
Tamanho grande Mais de 400 passageiros |
747-400 747X A3XX |
O TRANSPORTE
DE PASSAGEIROS NO AMBIENTE BRASILEIRO
Com a quinta maior extensão
territorial do mundo, o Brasil possui uma das maiores redes aeroportuárias, o
que toma o transporte aéreo brasileiro um importante instrumento de
desenvolvimento e integração nacional.
No Brasil, o transporte de
passageiros, de forma geral, é atendido pelos modais rodoviário, ferroviário,
hidroviário e aéreo.
A matriz de distribuição modal
quanto ao mercado doméstico, no que se refere aos passageiros/km transportados,
apresenta uma acentuada concentração no modal rodoviário, como pode ser
observado no quadro a seguir. Os outros modais, por sua vez, apresentam uma
participação reduzida, com o modal aéreo, em particular, absorvendo lentamente
uma fatia maior do mercado de passageiros. Pode-se constatar que, no período de
1994 a 1998, a participação do modal aéreo no mercado de passageiros subiu de
1,87% para 2,52% (ver quadro a seguir), o que significa uma taxa de crescimento
de 35%.
P. 106
COMPOSIÇÃO PERCENTUAL DOS PASSAGEIROS/QUILÔMETRO TRANSPORTADOS, POR MODO DE
TRANSPORTE - 1994-1998
|
Modo de transporte |
1994 |
1995 |
199b |
1997 |
1998 |
|
Aéreo |
1,87 |
2,05 |
2,05 |
2,10 |
2,52 |
|
Aquaviário |
0,00 |
0,00 |
0,00 |
0,00 |
0,00 |
|
Ferroviário |
1,59 |
1,28 |
1,16 |
0,90 |
0,83 |
|
Metroviário |
0,65 |
0,69 |
0,65 |
0,62 |
0,63 |
|
Rodoviário |
95,89 |
95,98 |
96,14 |
96,38 |
96,02 |
|
TOTAL |
100,00 |
100,00 |
100,00 |
100,00 |
100,00 |
Fonte: DAC, Infraero, Metrô-SP,
Metrô- RJ, CBTU, CPTM, Flumitrens, Trensurb, RFFSA, Fepasa, EFCJ, EFVM, EFC e Geipot.
O SISTEMA DE
AVIAÇÃO CIVIL BRASILEIRO[nota 3]
A BASE LEGAL E A ESTRUTURA DO SISTEMA
Preceitua a Constituição Federal
de 5 de outubro de 1988, em seu art. 21, inciso XII, letra c, que compete à
União explorar, diretamente ou mediante autorização, concessão ou permissão, a
navegação aérea, aeroespacial e a infra‑estrutura
aeroportuária, bem como, privativamente, legislar sobre direito aeronáutico e
espacial, conforme estabelecido no art. 22, inciso I. Na mesma legislação
maior, art. 178, inciso I, está previsto que a Lei disporá sobre a ordenação
dos transportes aéreos e, no §1°, que a ordenação do transporte internacional
cumprirá os acordos firmados pela União, atendido o princípio da reciprocidade.
O Decreto na 65.144,
de 12 de setembro de 1969, cria o Sistema de Aviação Civil (SAC) como instituto
jurídico do Ministério da Aeronáutica, definindo sua finalidade, estrutura e atribuições.
A figura a seguir apresenta um
modelo esquemático do Sistema de Aviação Civil, cujo centro é o Departamento de
Aviação Civil (DAC).
P. 107
SISTEMA DE AVIAÇÃO CIVIL
![[Descrição da imagem] Organograma em formato de fluxograma do “SISTEMA DE AVIAÇÃO CIVIL”, com o “DEPARTAMENTO DE AVIAÇÃO CIVIL” (DAC) no centro, conectado a vários órgãos e setores. Ao redor do DAC estão círculos com siglas como DIRENG, DEPV, COMAR, CTA, DRAV, CENAC, SFIAC, SPEAC. Sai desses círculos e do DAC central, seguem linhas que conecta a caixas retangulares com os seguintes setores: Indústria aeronáutica; Empresas de serviços auxiliares; Empresas de manutenção; órgãos e empresas de serviços; aeroportuários (infraero, dep. aeroportos, prefeituras); Empresas de transporte aéreo regular; Entidades aero desportivas; Escolas de aviação; Comissões, sistemas, conselhos de funcionamento integrado; Serviços aéreos especializados. [Final da descrição]](CARVALHO.%20Transportes.%20p.87-146.%20Acessivel_arquivos/image007.png)
Fonte: DAC, 2000.
ÓRGÃO CENTRAL DO SAC — O DEPARTAMENTO DE AVIAÇÃO CIVIL
Como órgão de Direção Setorial do
Ministério da Aeronáutica, o DAC tem por finalidade a consecução dos objetivos
da Política Aeroespacial Nacional no Setor da Aviação Civil, tendo por
atribuições gerais: o estudo, a orientação, o planejamento, a coordenação, o
controle, o incentivo e o apoio às atividades da aviação pública e privada; e o
relacionamento com órgãos estranhos ao Ministério da Aeronáutica, no trato dos
assuntos de sua competência.
Visando ao desempenho dessas
atribuições, o órgão central está estruturado em três subdepartamentos:
·
Subdepartamento de Planejamento
(SPL);
·
Subdepartamento de Operações
(SOP); e
·
Subdepartamento Técnico (STE).
P. 108
ÓRGÃOS E ELEMENTOS EXECUTIVOS DO SISTEMA
Comando Aéreo Regional (Comar): é o comando
que tem, entre suas atribuições, o apoio de atividades do Sistema de Aviação
Civil, em sua área de jurisdição, por meio dos serviços regionais de sua
estrutura básica.
Diretoria de Eletrônica e Proteção ao Vôo (DEPV): responsável pela instalação, operação e
manutenção de órgãos e rede de equipamentos para controle de tráfego aéreo e
comunicações, e estabelecimento de regras e procedimentos de tráfego aéreo,
instrução e treinamento especializado.
Diretoria de Engenharia da Aeronáutica (Direng): órgão que participa do Sistema de Aviação Civil
por meio dos Serviços Regionais de Engenharia, Patrimônio e Contra-Incêndio
da infra-estrutura aeroportuária.
Centro Técnico Aeroespacial (CTA): órgão
responsável pela homologação de equipamentos aeronáuticos, controle e
homologação da fabricação de peças e equipamentos e a formação de engenheiros
para a área da ciência aeronáutica.
Diretoria de Saúde da Aeronáutica (Dirsa): órgão responsável pela seleção e controle médico
periódico de pessoal aeronavegante.
ÓRGÃOS E EMPRESAS DE SERVIÇOS AEROPORTUÁRIOS
·
Empresa Brasileira de Infra-Estrutura
Aeroportuária (Infraero): tem por finalidade a administração e operação dos
aeroportos de interesse federal;
·
departamentos aeroviários estaduais: órgãos da
estrutura executiva dos estados, responsável pela operação dos aeroportos de
interesse estadual e regional;
·
prefeituras municipais conveniadas com o
Ministério da Aeronáutica;
·
aviação geral;
·
empresas de táxi aéreo e de serviços aéreos
especializados;
·
empresas nacionais e internacionais de
transporte aéreo regular e não regular;
·
entidades aerodesportivas;
·
escolas de aviação;
·
empresas de serviços auxiliares.
COMISSÕES, SISTEMAS E CONSELHOS DE FUNCIONAMENTO INTEGRADO
·
Comissão de Implantação do Sistema de
Controle do Espaço Aéreo (Ciscea);
·
Comissão de Aeroportos da Região Amazônica (Comara);
·
Comissão de Estudos Relativos à Navegação
Aérea Internacional (Cernai);
P. 109
·
Comissão de Coordenação do Transporte Aéreo
Civil (Cotac);
·
Conselho de Coordenação da Infra-Estrutura Aeronáutica (Concia);
·
Comissão Nacional de Segurança da Aviação
Civil (Consac);
·
Comissão Nacional para a Facilitação do
Transporte Aéreo Internacional (Comfal);
·
Subcomissão para a Facilitação da Carga Aérea
(Falca);
·
Subcomissão para Facilitação do Transporte
Aéreo Internacional (S/Comfal);
·
Comissão de Linhas Aéreas (CLA);
·
Sistema Integrado de Controle e Fiscalização
de Aviação Civil (Siconfac);
·
Sistema Unificado de Arrecadação e Cobrança
de Tarifas Aeroportuárias e de Uso das Comunicações e dos Auxílios à Navegação
Aérea em Rota (Sucotap);
·
Comissão de Fiscalização de Tarifas (CFT);
·
Comissão de Coordenação de Cargas Aéreas (Comcarga);
·
Comissão de Fiscalização de Arrecadação de
Tarifas (Cofat);
·
Comissão de Coordenação do Planejamento
Aeroportuário (CCPLA).
O SISTEMA E AS NORMAS INTERNACIONAIS
O Direito Aeronáutico Brasileiro é fundamentalmente
constituído por tratados, convenções, atos internacionais e acordos aéreos de
que o Brasil faz parte, pelo Código Brasileiro de Aeronáutica e pela legislação
complementar (art. 1º da Lei nº 7.565 - CBAer).
No que se refere às normas internacionais
adotadas pelo Brasil, essas são incorporadas ao ordenamento jurídico brasileiro
pelos procedimentos legalmente previstos, tais como assinatura, aprovação,
ratificação e publicação por meio de um ato administrativo legislativo
competente.
Entre os principais tratados, convenções,
atos internacionais e acordos do ordenamento jurídico brasileiro, estão a
Convenção para Unificação de Certas Regras Relativas ao Transporte Aéreo
Internacional (Varsóvia, 1929), Convenção de Roma (1933), Convenção de Aviação
Civil Internacional (Chicago, 1944), Convenção de Genebra (1948), Convenção de
Roma (1952), Protocolo de Haia (1955), Convenção de Tóquio (1963), Convenção de
Haia (1970) e Convenção de Montreal (1971).
O Brasil é parte integrante de quase todos os
atos internacionais que regulamentam a aviação civil, com exceção dos Acordos
sobre Direito de Trânsito dos Serviços Aéreos Internacionais e do Acordo sobre
os Transportes Aéreos Internacionais, por questões de princípios assentados em
sua política aeronáutica: o Brasil exerce
P. 110
completa e exclusiva soberania sobre seu território
aéreo, projeção dos territórios terrestre, fluvial, lacustre e marítimo (art.
1º da Convenção de Chicago, 1944, e art. 11 da Lei na 7.565 — Código
Brasileiro de Aeronáutica, 1986); e adota o princípio da bilateralidade, ou
seja, o sistema dos acordos bilaterais.
A Convenção de Chicago de 1944, Convenção
sobre a Aviação Civil Internacional, promulgada pelo Decreto n9
21.713, de 27 de agosto de 1946, teve como principais objetivos harmonizar os
diversos interesses na exploração do transporte aéreo e criar mecanismos para o
seu desenvolvimento internacional.
A fim de permitir a incorporação dos
constantes desenvolvimentos tecnológicos da aviação civil, sem afetar o texto
da convenção propriamente dito, a mesma foi elaborada com anexos, cujas
atualizações podem ser efetivadas por meio de procedimento simplificado de
aprovação pelos Estados signatários. Constam desses-anexos normas
internacionais sobre licença de pessoal, operações de aeronaves, normas de
registro e de nacionalidade de aeronaves, regras de tráfego aéreo, investigação
de acidentes de aeronaves, aeródromos, proteção ao meio ambiente,
aeronavegabilidade, facilitação, segurança e transporte sem riscos de materiais
perigosos por via aérea, meteorologia, cartas aeronáuticas, telecomunicações
aeronáuticas, serviços de tráfego aéreo, busca e salvamento, serviços de
informação aeronáutica e unidades de medidas.
Os instrumentos do "Sistema de
Varsóvia" (Convenção de Varsóvia, Decreto nº 20.704, de 24 de
novembro de 1931; do Protocolo de Haia, Decreto nº 56.463, de 15 de junho de
1965; e da Convenção de Guadalajara, Decreto nº 60.967, de 7 de julho de 1967)
estabelecem o regime jurídico da responsabilidade contratual e têm, entre
outros, dois importantes objetivos: estabelecer no transporte aéreo
internacional a obrigatoriedade de o transportador emitir na forma determinada
o bilhete de passagem, nota de bagagem e conhecimento aéreo; e estabelecer os
limites de responsabilidade do transportador nos casos de acidentes aéreos,
resultando em morte ou lesão corporal de passageiro, em caso de atraso do
transporte do passageiro e nos casos de perda, destruição, avaria da carga ou
atraso na sua entrega.
Entre outras normas internacionais em vigor no
Brasil, destacam-se a Convenção de Roma de 1933, para unificação de certas
regras relativas ao seqüestro preventivo de aeronaves
(Decreto nº 3.931, de 11 de abril de 1939), e a Convenção de Genebra de 1948, relativa
ao reconhecimento internacional dos direitos sobre aeronaves (Decreto nº
33.648, de 25 de agosto de 1953).
Os instrumentos aeronáuticos internacionais
voltados à prevenção e repressão aos atos ilícitos contra a segurança da
aviação civil foram igualmente adotados pelo Estado brasileiro, conforme
especificado na Convenção de Tóquio de 1963, para de-
P. 111
litos cometidos a
bordo de aeronaves (Decreto n9 66.520, de 30 de abril de 1970); na
Convenção de Haia de 1970, para a repressão ao apoderamento ilícito de
aeronaves (Decreto nº 70.201, de 24 de fevereiro de 1972); e na Convenção de
Montreal de 1971, para repressão aos atos ilícitos contra a segurança da
aviação civil (Decreto nº 72.383, de 20 de junho de 1973).
O Brasil negocia por meio de
acordos bilaterais toda a matéria de política de transporte aéreo internacional
regular no tocante à concessão de direitos para a sua exploração, como, aliás,
se processa universalmente.
Nos acordos de transporte aéreo
celebrados com outros países, o Brasil tem seguido uma política caracterizada
fundamentalmente pela predeterminação da capacidade, pela dupla aprovação das
tarifas adotadas no âmbito da Associação Internacional de Transporte Aéreo
(lata), e por uma visão restritiva da concessão de direitos de quinta liberdade
(embarcar e desembarcar passageiros e cargas). O Brasil já está incorporando,
nesse tipo de acordo, a cláusula sobre segurança da aviação civil, recentemente
recomendada pela Organização de Aviação Civil Internacional e, em alguns
documentos, a cláusula sobre Code Sharing.
CÓDIGO BRASILEIRO DE AERONÁUTICA (CBAER)
É um dos documentos mais
importantes do direito aeronáutico brasileiro. E o equivalente ao Código de
Trânsito Brasileiro (CTB) no âmbito do transporte rodoviário. O seu
conhecimento é obrigatório para todos os executivos que atuam diretamente na
indústria do transporte aéreo brasileiro. Embora o seu conhecimento detalhado
não seja obrigatório para os usuários do transporte aéreo, recomenda-se aos
operadores de turismo a sua leitura para ficaram cientes das regulamentações do
transporte aéreo no Brasil.
EMPRESAS NACIONAIS E TRANSPORTE AÉREO REGULAR DE
ÂMBITO NACIONAL[nota 4]
TRÁFEGO DOMÉSTICO E INTERNACIONAL
A redução tarifária generalizada,
levada a efeito pelas companhias de transporte aéreo regular de âmbito nacional
no mercado doméstico e, entre elas, as
P. 112
operadoras estrangeiras no mercado
internacional, foi decisiva para a redução da lucratividade do setor.
Em termos globais, mesmo com a
demanda crescendo 6,65% em relação ao exercício
de 1997, a lucratividade apresentou uma redução significativa, terminando o exercício com apenas 1%, e o índice
de aproveitamento pax
(abreviatura técnica de passageiro)
revelou uma certa estabilidade em 63%.
EMPRESAS AÉREAS REGULARES ÂMBITO NACIONAL E INTERNACIONAL NÚMERO DE FUNCIONÁRIOS
![[Descrição da imagem] Gráfico de barras mostra o número de funcionários de quatro empresas nacionais e internacionais (Varig, Transbrasil, TAM e Vasp) nos anos de 1998 e 1999. Varig: 15.000 em 1999; Transbrasil: 4.200 funcionários em 1998 contra 3.600 em 1999; Tam: 3.500 funcionários em 1998 contra 4.500 em 1999; Vasp: 7.800 funcionários em 1998 contra 7.620 em 1999. [Final da descrição]](CARVALHO.%20Transportes.%20p.87-146.%20Acessivel_arquivos/image008.png)
Fonte: Folha de S. Paulo,
21 out. 1999.
EMPRESAS AÉREAS REGULARES ÂMBITO NACIONAL E INTERNACIONAL TAXA DE OCUPAÇÃO (%)
![[Descrição da imagem] Gráfico de barras mostra a taxa de ocupação de quatro empresas nacionais e internacionais (Varig, Transbrasil, TAM e Vasp) nos anos de 1998 e 1999. Varig: 61% em 1999; Transbrasil: 54% em 1998 contra 49% em 1999; Tam: 58% em 1998 contra 50% em 1999; Vasp: 53,5% em 1998 contra 55% em 1999. [Final da descrição]](CARVALHO.%20Transportes.%20p.87-146.%20Acessivel_arquivos/image009.png)
Fonte: Folha de S. Paulo,
21 out. 1999.
P. 113
EMPRESAS AÉREAS REGULARES ÂMBITO NACIONAL E INTERNACIONAL NÚMERO DE AVIÕES (JATOS)
![[Descrição da imagem] Gráfico de barras mostra o número de aviões (jatos) de quatro empresas nacionais e internacionais (Varig, Transbrasil, TAM e Vasp) nos anos de 1998 e 1999. Varig: 89 em 1998 conta 81 em 1999; Transbrasil: 22 em 1998 contra 21 em 1999; Tam: 41 em 1998 contra 54 em 1999; Vasp: 49 em 1998 contra 50 em 1999. [Final da descrição]](CARVALHO.%20Transportes.%20p.87-146.%20Acessivel_arquivos/image010.png)
Fonte: Folha
de S. Paulo, 21 out.
1999.
TRÁFEGO DOMÉSTICO
A resposta à elevação da oferta foi
ligeiramente positiva, embora, aparentemente, houvesse uma estabilidade no
aproveitamento pax
em 59%. Mesmo assim, com a política tarifária adotada pelas companhias, a
lucratividade decaiu dos 13% obtidos em 1997 para 4% ao se encerrar o exercício
de 1998.
OFERTA DE ASSENTOS/KM - INDÚSTRIA NACIONAL
![[Descrição da imagem] Gráfico de pizza da oferta de assentos/KM entre empresas nacionais e internacionais. Os valores em porcentagem para cada empresa são: Varig: 36,02%; Vasp: 24,21%; Transbrasil: 21,59%; Meridionais: 18,08%. [Final da descrição]](CARVALHO.%20Transportes.%20p.87-146.%20Acessivel_arquivos/image011.png)
Fonte: DAC, maio 1999.
P. 114
TRÁFEGO INTERNACIONAL
A concorrência com empresas
estrangeiras — algumas das quais apresentam maior poder econômico —, aliada a
um comportamento ainda pouco agressivo das empresas brasileiras no mercado de
cargas, manteve o resultado negativo da indústria brasileira no segmento
internacional, no mesmo nível do ocorrido em 1997. O prejuízo verificado nesse ano foi de R$ 83.233.643,00, o
que representou cerca de 3% do total das receitas no período.
Em termos operacionais, a ligeira
elevação da oferta não foi acompanhada pela demanda, que se reduziu em 1,46%.
Dessa forma, o aproveitamento pax apresentou uma
redução de 2,18%, situando-se em 65%, o que é um valor muito baixo quando
comparado com o desempenho das empresas aéreas americanas e européias
(ver gráfico Fator de utilização, na p. 102).
CONCORRÊNCIA DAS EMPRESAS AÉREAS NORTE-AMERICANAS NO MERCADO LATINO/AMERICANO
A participação das empresas
aéreas norte-americanas na América Latina tem aumentado significativamente nos
últimos anos. A participação da American Airlines, Delta, Continental e United
Airlines na América do Sul, que era de 43% do mercado, passou a 57% em 1998.
Cada ponto percentual equivale a US$ 200 milhões de faturamento. A chegada da
American e da United no começo dos anos 1990 coincide com o enfraquecimento das
companhias aéreas locais.
A tabela a seguir mostra a
participação das companhias aéreas norte‑americanas, em porcentagem, no
tráfego de passageiros entre os Estados Unidos e alguns países
latino-americanos.
Participação percentual das
companhias aéreas norte-americanas na américa latina
|
País |
1990 |
1998 |
|
Peru |
47 |
73 |
|
Costa
Rica |
53 |
69 |
|
Argentina |
47 |
67 |
P. 115
|
Guatemala |
60 |
65 |
|
Venezuela |
54 |
63 |
|
Chile |
36 |
60 |
|
México |
53 |
59 |
|
Equador |
45 |
55 |
|
Brasil |
46 |
52 |
|
Colômbia |
34 |
49 |
Fonte: Revista América Economia, fev. 2000.
Apesar do aumento na participação
das companhias aéreas norte-americanas no total de passageiros transportados, a
porcentagem de cidadãos americanos que viajam entre os Estados Unidos e os
países latino-americanos não tem compensado a vantagem adquirida pelas
companhias aéreas norte-americanas, conforme mostra a tabela a seguir.
Cidadãos
norte-americanos como percentual de passageiros entre os EUA e os países
latino-americanos
|
País |
1990 |
1998 |
|
México |
71 |
71 |
|
Costa Rica |
62 |
62 |
|
Guatemala |
58 |
56 |
|
Equador |
58 |
54 |
|
Peru |
42 |
53 |
|
Colômbia |
49 |
43 |
|
Chile |
45 |
43 |
|
Venezuela |
42 |
34 |
|
Argentina |
39 |
33 |
|
Brasil |
32 |
33 |
Fonte: Revista América Economia, fev. 2000.
A tabela a seguir, referente ao
ano de 1998, apresenta a capacidade de transporte das companhias aéreas
brasileiras e as norte-americanas dada pelo número total de aviões.
P. 116
NÚMERO DE AVIÕES A JATO
|
|
Operadores |
Aviões |
Próprios |
Leasing |
|
Brasil* |
21 |
343 |
93 |
250 |
|
Argentina* |
15 |
153 |
84 |
69 |
|
Subtotal
– Brasil + Argentina |
36 |
496 |
177 |
319 |
|
United Air Lines |
|
577 |
317 |
260 |
|
American Air Lines |
|
646 |
412 |
234 |
|
Continental Air Lines |
|
361 |
55 |
306 |
|
Delta Air Lines |
|
585 |
359 |
226 |
|
Subtotal
– Continental + AA + United + Delta |
4 |
2.169 |
1.143 |
1.026 |
* Soma de todas as empresas aéreas
comerciais do país - aviões a jato.
Fonte: Revista Aviation Week & Space Technology - Aerospace Source
Book, jan. 2000.
COMPARATIVO DE CUSTO ENTRE EMPRESAS AÉREAS
BRASILEIRAS E NORTE-AMERICANAS
O imobilizado em peças de
reposição no Brasil é muito maior do que nos Estados Unidos, de um lado porque
os fabricantes das peças situam-se nos EUA ou ali mantêm estoque, e, de outro,
porque as dificuldades de importação no Brasil forçam as empresas aéreas a ter
um estoque maior.
Estimativas feitas por empresas
especializadas preveem a seguinte proporção de estoques:
·
Brasil: 10% a 15% do valor da
frota (inclusive turbinas).
·
EUA: 0,5%.
A carga tributária no Brasil, que
incide na indústria do transporte aéreo, segundo pesquisa do Sindicato Nacional
das Empresas Aéreas (SNEA), é muito mais alta do que nos Estados Unidos, o que
dá uma vantagem significativa para as empresas americanas. As estimativas
feitas pelo SNEA são:
·
Carga tributária no Brasil: 35%
·
Carga tributária nos EUA: 7,5%
Devido ao número muito maior de
suas frotas, as empresas americanas têm um poder de negociação na hora da
compra superior ao das empresas brasileiras. As taxas de leasing para as empresas americanas
também são mais baixas do que para as empresas brasileiras. Se tomarmos como
exemplo a aquisição de um Boeing 737-600, a preços de 1998, no modelo mais
simples teremos:
P. 117
·
Brasil: US$ 32 milhões, doze anos
de financiamento, juros (Libor + 3,5%). Essas condições resultam em um
compromisso mensal de US$ 370,3 mil.
·
EUA: US$ 27 milhões, vinte anos
de financiamento, juros (Libor + 0,19%). Essas condições resultam em um
compromisso mensal de US$ 200,22 mil.
·
O custo do seguro de aeronaves
nos Estados Unidos também é mais barato do que no Brasil. Segundo o SNEA, as
taxas de seguro são:
·
Brasil: 0,142% (taxa anual).
·
EUA: 0,093% (taxa anual).
ESTRATÉGIA PARA ENFRENTAR A CONCORRÊNCIA
Considerando-se a alta capacidade
competitiva das empresas norte‑americanas, a provável solução para as
empresas latino-americanas enfrenta‑las seria:
a)
alianças globais que possam
melhorar a participação, a tecnologia e propiciar redução de custos;
b)
alianças locais para proteger
seus mercados domésticos e regionais;
c)
combinação das duas primeiras,
com ênfase em melhorar as estruturas operacionais e a taxa de utilização média;
d)
pressionar os governos locais
para que as condições tributárias sejam idênticas tanto para as empresas
norte-americanas como para as latino-americanas.
LINHAS AÉREAS ESPECIAIS
O ano de 1998 foi marcado por
algumas alterações na regulamentação das linhas aéreas especiais que
proporcionaram uma abertura desse mercado a todas as empresas regulares,
elevando a oferta de assento/km nessas linhas em 71,39%.
Na ligação Rio-São Paulo, o
destaque foi a saída da Varig do tradicional pool denominado Ponte Aérea, que passou a oferecer seus vôos individualmente, e a entrada de mais duas operadoras
na ligação: Transportes Aéreos Meridionais (TAM) e Nordeste Linhas Aéreas.
Nas outras linhas aéreas
especiais houve a entrada das operadoras de âmbito nacional, que, por si só,
elevou em 72% a oferta global dessas ligações. Merece destaque também a saída
das empresas Pantanal Linhas Aéreas Sul‑Mato‑grossenses e Passaredo
Linhas Aéreas da PAR (pool que
opera a ligação Santos Dumont-PampuIha), deixando, conseqüentemente, de operar linhas especiais.
P. 118
A elevação expressiva da oferta
desses serviços, aliada à política de redução tarifária, reduziu
consideravelmente a lucratividade dessas linhas (83,78%), encenando o exercício
de 1998 com 6%. O índice de aproveitamento também foi afetado, sofrendo uma
redução de cerca de 14% e situando-se em 51%.
OFERTA DE ASSENTOS/KM - LINHAS ESPECIAIS (INCLUINDO RIO-SÃO PAULO)
![[Descrição da imagem] Gráfico de pizza da oferta de assentos/KM entre linhas especiais (incluindo Rio-São Paulo). Os valores em porcentagem para cada linha são: Rio Sul: 18,28%; Transbrasil: 16,25%; Vasp: 12,69%; Meridionais: 7,59%; Nordeste: 4,18%; Interbrasil: 1,01%; Total: 0,33%; Varig: 20,41%; Tam: 18,81%. [Final da descrição]](CARVALHO.%20Transportes.%20p.87-146.%20Acessivel_arquivos/image012.png)
Fonte: DAC, maio 1999.
EMPRESAS NACIONAIS DE TRANSPORTE AÉREO REGULAR DE
ÂMBITO REGIONAL
Como já acontecera em 1997,
apenas mais uma nova empresa começou a operar linhas regionais no exercício de
1999 (Transporte Regional do Interior Paulista-Trip),
e a Itapemirim Transportes Aéreos Regionais, que havia iniciado suas operações
também em 1997, depois de ter sido vendida para o Grupo TAM, encerrou suas
atividades no final de 1998.
O setor apresentou um resultado
de vôo negativo, invertendo o quadro do ano anterior.
Nos aspectos operacionais, a demanda respondeu positivamente à elevação de
cerca de 22% na oferta de assento/km, gerando um aumento de 53% para 59% no
índice de aproveitamento.
Esses resultados foram fruto
tanto de uma maior concorrência entre as empresas quanto da política de
descontos tarifários usada intensivamente durante o exercício de 1998.
P. 119
A tônica para 1999 foi a mesma dos últimos
exercícios: investimentos para sedimentar e expandir o mercado das empresas já
existentes, aliados a uma reavaliação da política tarifária que vinha sendo
praticada.
OFERTA DE ASSENTOS/KM - INDÚSTRIA REGIONAL
![[Descrição da imagem] Gráfico de pizza da oferta de assentos/KM na indústria regional. Os valores em porcentagem para cada indústria são: TAM; 37,37%; Rio Sul: 30,20%; Nordeste: 12,79%; Interbrasil: 5,66%; Outras: 13,98%. [Final da descrição]](CARVALHO.%20Transportes.%20p.87-146.%20Acessivel_arquivos/image013.png)
Fonte: DAC, maio 1999.
EMPRESAS DE TÁXI AÉREO E NÃO REGULARES
SUPLEMENTARES
As informações econômicas e estatísticas
verificadas em 1998 se referem às empresas de táxi aéreo e não regulares
suplementares que encaminharam os relatórios econômico-estatísticos até o
primeiro semestre de 1999.
A exemplo dos anos anteriores, a oferta de
serviços, medida pelo número de empresas existentes, não teve variação
expressiva. Muito embora o fato possa traduzir uma estabilidade do setor, na
realidade o que ocorre é um fluxo significativo entre empresas autorizadas e
canceladas. O que confirma a volatilidade desse segmento na aviação civil são
as variações observadas de 1996 a 1999, em vista do crescimento de 5,6% de 1996
para 1997 e da retração de 4,5% revelada no período 1997-1998, em se tratando
de empresas de táxi aéreo.
As empresas aéreas suplementares encontram-se
na sua maioria em fase pré-operacional, e o crescimento da oferta de serviços
nessa modalidade é pouco significativo. Entretanto, é oportuno destacar que a
alteração das normas para autoriza-
P. 120
ção de vôos charter tende a promover um aquecimento
do mercado, já que a desvinculação da parte aérea da terrestre inovou os procedimentos
anteriormente adotados, possibilitando, além da própria comercialização dos
assentos aos usuários, a livre negociação de preços dos serviços entre as
partes interessadas.
EMPRESAS DE SERVIÇOS AÉREOS ESPECIALIZADOS
As informações econômicas e estatísticas
verificadas em 1998 se referem às empresas de serviços aéreos especializados
que encaminharam os relatórios econômico-estatísticos até o primeiro semestre
de 1999.
Com base nas informações prestadas, a
lucratividade foi de 16%, inferior aos 18% observados no ano anterior.
Em relação à oferta global, os serviços
aéreos especializados tiveram um crescimento da ordem de 14% em relação ao
número de empresas existentes no ano anterior.
O crescimento da receita operacional bem como
o agravamento dos custos verificados no biênio 1997-1998, muito embora não
sinalizem uma real recuperação dos resultados econômicos, dentro do universo de
dados fornecidos até o fechamento do Anuário de Transporte Aéreo de 1999,
revelaram um sensível aquecimento do mercado no setor de prestação de serviços
aéreos especializados.
VÔO CHARTER
O crescimento dos vôos
charter domésticos no Brasil
deu-se basicamente por dois motivos: o aumento e a renovação da trota das
companhias regionais e também uma maior articulação entre as operadoras de
turismo e as companhias aéreas. A implantação desse tipo de operação, na qual
os aviões decolam praticamente lotados, resolve um dos grandes problemas da
aviação: o baixo índice de ocupação dos assentos. Mas quem lucra mesmo com esse
tipo de operação é o consumidor, que paga bem menos nas tarifas aéreas.
Os vôos charter domésticos no Brasil são
executados a partir do território nacional com pontos intermediários e de
destino também em território nacional e são identificados como transporte aéreo
não regular de passageiros, definidos na Portaria nº 686/GM-5, de 15 de
setembro de 1992.
P. 121
Os objetivos dos vôos charter
domésticos de passageiros são:
·
fomento ao turismo no território
brasileiro, uma vez que estende a opção do transporte aéreo ao passageiro não freqüente;
·
exploração de novas rotas para o
desenvolvimento de novos pólos;
·
fortalecimento do mercado do
transporte aéreo de um modo geral.
Os vôos
charter domésticos são operados
pelas empresas aéreas regulares e não regulares capacitadas para tal, de acordo
com as respectivas concessões ou autorizações.
Atualmente as empresas aéreas que
realizam esses vôos são:
a)
Empresas regulares
·
Pantanal Linhas Aéreas
Sul-Mato-grossenses
·
Passaredo Transportes Aéreos S.A.
·
Rio Sul Serviços Aéreos Regionais
S.A.
·
Transportes Aéreos Meridionais
S.A. (TAM)
·
Total Linhas Aéreas
·
Transbrasil S.A. — Linhas Aéreas
·
Viação Aérea Rio-grandense S.A.
(Varig)
b)
Empresas não regulares
·
FLY Linhas Aéreas S.A.
·
Transportes Charter do Brasil
Ltda. (TCB)
·
Transair International
·
Universal Express Linhas Aéreas
Ltda. (Unex)
·
Viação Charter Aérea Ltda. (Vica)
Esses vôos
são contratados por operadoras de turismo, agentes de viagens ou empresas
aéreas regulares e não regulares, nos moldes previstos na IAC 1.501, de 23 de
dezembro de 1997, comercializados ao público em geral.
Em conformidade com a política de
transporte aéreo comercial no Brasil (Aviso 001/GM5/004), o Departamento de
Aviação Civil no exercício constante do controle e da coordenação setorial
visa, através da IMA 58-51 — Normas para Autorização de Vôos
Charter Domésticos de
Passageiros —, estabelecer uma regulamentação mínima para a proteção dos
interesses dos usuários e da rigidez do mercado.
Por sua própria característica de
não regularidade, que induz a um nível menor de investimento para a operação,
proporcionando um possível surgimento de empreendimentos efêmeros e
oportunistas, o DAC entende que os vôos charter domésticos de passageiros
devem, como atividade complementar ao transporte aéreo regular, ser submetidos
a uma regulamentação mínima que os harmonize com o Sistema de Aviação Civil
como um todo.
P. 122
O processo de solicitação e
autorização de vôos charter domésticos de passageiros, descrito a partir das normas
da IMA 58-51, objetiva, nos termos do Anexo 9 da Convenção de Chicago (1944), seu trâmite rápido e desembaraçado
no âmbito do Departamento de
Aviação Civil.
O preço dos vôos
charter domésticos de
passageiros foi liberado recentemente, e passou a ser mais fácil viajar pelo
Brasil, pagando-se bem menos. Isso se deu por que o DAC assinou uma portaria que garante a liberação total
das tarifas dos vôos charter. A medida aumenta a concorrência e favorece
especialmente os passageiros em viagem de turismo, sem falar no crescimento
dessa indústria, que passa a ser fortemente
beneficiada.
Com a nova norma, as agências de
viagem operadoras de turismo e as próprias empresas aéreas ficam desobrigadas
de vincular parte terrestre e parte aérea no mesmo pacote. Ou seja, o
passageiro poderá comprar apenas o segmento aéreo.
VÔOS CHARTER INTERNACIONAIS
As autorizações de contratações
de vôos charter
internacionais dependem de acordos bilaterais entre os países envolvidos na
rota solicitada. Pela sua dificuldade de autorização, geralmente esse tipo de vôo é executado pelas companhias regulares, mas, com algum
esforço administrativo, pode ser feito também por companhias não regulares.
O DAC autorizou a realização de
1.096 vôos charter
vindos do exterior, entre os meses de janeiro e abril de 2000, contra 1.094 de
1999. O principal solicitante continua sendo a Argentina, com inúmeros
fretamentos para as cidades do Sul e do Nordeste do Brasil.
PRINCIPAIS EMPRESAS AÉREAS BRASILEIRAS.
DADOS ECONÔMICOS[nota 5]
As principais empresas aéreas
brasileiras estão passando por um período bastante difícil, com forte acúmulo
de prejuízos. A tabela seguinte, elaborada pela Comissão de Valores Mobiliários
(CVM), mostra a posição dessas empresas entre janeiro e setembro de 1998 e
1999.
P. 123
DEMONSTRATIVO DE RESULTADOS POR EMPRESA - R$ MIL
JAN./SET.
1999
|
Discriminação |
Varig |
Vasp |
Transbrasil |
TAM |
||||
|
01/01/98 a 30/09/98 |
01/01/99 a 30/09/99 |
01/01/98 a 30/09/98 |
01/01/99 a 30/09/99 |
01/01/98 a 30/09/98 |
01/01/99 a 30/09/99 |
01/01/98 a 30/09/98 |
01/01/99 a 30/09/99 |
|
|
Receita Bruta Vendas/Serv. |
2.771.677 |
3.291.746 |
1.126.327 |
1.030.200 |
534.025 |
544.782 |
413.573 |
575.162 |
|
Dedução da Receita Bruta |
-69.929 |
-93.737 |
-3.590 |
-6.150 |
-7.554 |
-12.652 |
-11.800 |
-49.145 |
|
Receita Líquida Vendas/Serv. |
2.701.748 |
3.198.009 |
1.122.737 |
1.024.050 |
526.471 |
532.130 |
401.773 |
526.017 |
|
Custos de Bens/Serv. Vendidos |
-1.860.521 |
-2.214.825 |
-611.824 |
-580.129 |
-478.638 |
-536.047 |
-249.160 |
-357.096 |
|
Lucro Bruto |
841.227 |
983.184 |
510.913 |
443.921 |
47.833 |
-3.917 |
152.613 |
168.921 |
|
Despesas Comerciais |
-700.808 |
-792.163 |
-295.774 |
-257.672 |
-97.350 |
-115.104 |
-97.039 |
-127.543 |
|
Desp. Ger. e Administrativas |
-121.051 |
-133.935 |
-67.099 |
-76.216 |
-45.775 |
-37.458 |
-19.819 |
-32.939 |
|
Result. Financeiro Líquido |
-206.889 |
-255.568 |
-111.488 |
-171.703 |
-83.536 |
-93.049 |
-1.042 |
-33.466 |
|
Outros Result. Operacionais |
-41.722 |
-197.429 |
-102.184 |
-328.022 |
446.351 |
10.602 |
-17.027 |
-6.650 |
|
Result. Equival. Patrim. |
-2.918 |
-1.784 |
-7.552 |
5.308 |
|
-7.384 |
|
|
|
Resultado Operacional |
-232.161 |
-397.695 |
-73.184 |
-384.384 |
267.523 |
-246.310 |
17.686 |
-31.677 |
|
Result. Não Operacionais |
148.143 |
241.365 |
13.891 |
1.095 |
-283 |
7.800 |
-1.062 |
-180 |
|
Lucro/Prejuízo antes do IR |
-84.018 |
-156.330 |
-59.293 |
-383.289 |
267.240 |
-238.510 |
16.624 |
-31.857 |
|
Provisão p/IR e Contrib.
Social |
40.555 |
53.623 |
|
|
2.965 |
|
-7.785 |
|
|
IR Diferido |
|
|
|
268.497 |
|
201.485 |
|
12.430 |
|
Participações |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
Reversão Juros s/Cap. Próprio |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
Lucro/Prejuízo do Exercício |
-43.463 |
-102.707 |
-59.293 |
-114.792 |
270.205 |
-37.025 |
8.839 |
-19.427 |
Fonte: Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
As empresas aéreas
brasileiras terão que encontrar um caminho para resolver as suas dificuldades
operacionais o mais rápido possível. Os problemas atuais são o relativamente baixo
fator de ocupação da aeronave, os custos operacionais mais altos que suas
congêneres de outros países e os impostos e taxas típicos do Brasil. Outro
problema que começa a surgir para as grandes empresas é a concorrência local
por empresas regionais e não regulares, que estão fretando aviões do porte do
727 e Airbus A320 para operar em rotas de alta densidade de tráfego, além de
cobrar pelo preço da passagem, para o mesmo trecho, um valor muito abaixo do
praticado pelas grandes empresas.
Essas empresas, que às
vezes operam com um único avião na rota, têm um custo operacional muito menor
do que as grandes empresas e conseguem ter lucro, apesar de cobrarem um valor
significativamente mais barato.
P.124
AEROPORTOS[nota
6]
A presença, bem como o desenvolvimento, de
uma infra-estrutura aeroportuária tem um significado
muito importante no que tange à geração de empregos, renda e impostos para a
comunidade e para a região na qual a mesma está inserida. Alguns aeroportos do
mundo possuem estudos relacionando sua presença com o desenvolvimento da região
onde está inserido. No Brasil, tem-se registro de que apenas os aeroportos
Santos Dumont e de Salvador realizaram tais estudos de maneira sistêmica.
Tradicionalmente, em termos econômicos, o
impacto total produzido por um aeroporto pode ser subdividido em quatro tipos:
1.
Impacto direto: é definido "pelo
emprego, renda e outros benefícios gerados por aqueles que trabalham
diretamente no aeroporto ou que diretamente contribuem nas atividades
aeroportuárias". Segundo a Federal Aviation Agency (FAA), poder-se-iam resumir tais impactos como
aqueles que "devem representar as atividades econômicas que não iriam
ocorrer com a ausência do aeroporto". Exemplos de atividades que pertencem
ao impacto direto são aquelas prestadas pelas empresas aéreas no aeroporto
(passageiro e carga), as desenvolvidas pela autoridade aeroportuária (no caso
brasileiro, a Infraero), as concessões existentes no aeroporto (freeshop, praça de alimentação,
etc.), operadores de transportes terrestres (ônibus, táxis, locação de
veículos), etc.
2.
Impacto indireto: é "atribuído às
empresas que suprem serviços e produtos para empresas diretamente envolvidas na
economia aeroportuária". Segundo essa definição, as empresas de catering e os fornecedores de
combustível são exemplos de atividades indiretas. De acordo com o relatório
produzido pela Greater Toronto Airports
Authority, "todos os impactos indiretos — receita,
emprego e renda — são oriundos do total das receitas diretas geradas pela
atividade aeroportuária". Podem ser consideradas também atividades
indiretas aquelas relacionadas ao período durante o qual o passageiro permanece
na localidade do aeroporto, tais como hotéis, restaurantes, agências de
viagens, lojas em geral, etc.
P. 125
3.
Impacto
induzido: pode ser definido como todo o
"emprego, receita/valor agregado, produção e taxas gerados pelas despesas
provenientes dos ganhos dos empregados das atividades relacionadas direta e
indiretamente com o aeroporto". Esse tipo de impacto pode ser compreendido
como um verdadeiro efeito multiplicador na economia regional.
4.
Impacto
catalisador: é proveniente de todo o "emprego,
receita/valor agregado, produção e taxas gerados pela atração, retenção ou
expansão da atividade econômica dentro da área de estudo como resultante da
acessibilidade de mercados em função do aeroporto, tal como o investimento
feito pelas empresas que se encontram localizadas no entorno do aeroporto a
aproximadamente sessenta minutos de carro do mesmo".
A relação entre os tipos de
impactos e o impacto total gerado pelo aeroporto pode ser mais bem visualizada
no esquema abaixo:
![[Descrição da imagem] Esquema em formato de organograma dos tipo de impacto total gerado por um aeroporto. No topo está “Impacto total”, que se ramifica em três tipos: “Impacto direto”, “Impacto indireto” e “Impacto induzido”. Abaixo de “Impacto total”, há também o “Impacto catalisador”. [Final da descrição]](CARVALHO.%20Transportes.%20p.87-146.%20Acessivel_arquivos/image014.png)
A
ADMINISTRAÇÃO AEROPORTUÁRIA
Há alguns anos os aeroportos em
todo o mundo não são mais tidos como meros provedores de infra-estrutura
para as empresas aéreas. Seus corredores e saguões passaram também a ser
utilizados como local de investimento em serviços e comércio que atendem não só
àqueles que utilizam o transporte aéreo, mas sobretudo a toda a área de
influência do aeroporto. Em muitos lugares do mundo, os preços e os produtos
oferecidos nos grandes aeroportos não diferem em nada daqueles praticados pelos
shopping centers, fato que
aumenta as receitas aeroportuárias, o que em
P.126
última análise tende a beneficiar o
próprio sistema aéreo, assim como os próprios passageiros. Muitas vezes
entediados com longas horas de espera de seus vôos,
os passageiros podem desfrutar de maior conforto e opção de lazer.
No Brasil, a filosofia na qual
"aeroporto é um local onde também se viaja de avião" não está bem
assimilada pela administração aeroportuária, fazendo com que se perca uma
grande oportunidade para um aumento de receitas e do número de empregos. Com a
atual falta de recursos por parte do governo e sobretudo por causa do crescente
aumento do nível de desemprego, os aeroportos nacionais têm uma importante
contribuição a dar em termos de investimentos e número de empregos gerados.
AS
CONCESSÕES
No ano de 1998 a Infraero,
empresa responsável pela administração de 67 aeroportos no Brasil, contabilizou
uma receita total de US$ 970 milhões, dos quais US$ 221 milhões provenientes de
receitas comerciais. Assim, enquanto a participação das receitas comerciais em
relação ao total da arrecadação da Infraero é de 22,7%, nos aeroportos
europeus, as receitas comerciais, ou seja, aquelas provenientes de atividades
não aeronáuticas, no ano de 1989 eram de 44% do total das receitas aeroportuárias.
Já os aeroportos americanos de médio e grande porte obtiveram, no ano de 1990,
uma média de 77% de suas receitas provenientes de aluguéis, concessões,
estacionamentos e outras atividades não aeronáuticas. Ou seja, há um enorme
espaço a ser explorado comercialmente nos aeroportos brasileiros, que pode em
muito contribuir para um aumento no número de empregos, receitas e impostos
gerados.
CRESCIMENTO ANUAL DE PASSAGEIROS (EMBARQUE +
DESEMBARQUE + CONEXÃO)
![[Descrição da imagem] Gráfico de barras do crescimento anual de passageiros. As barras possuem os seguintes valores numéricos: 1994: Um total de 42,96 milhões de passsageiros com 8,33 sendo internacionais e 34,63 domésticos; 1995: Um total de 46,29 milhões de passsageiros com 8,31 sendo internacionais e 37,98 (+7%) domésticos, 1996: Um total de 50,23 milhões de passsageiros com 9,96 sendo internacionais e 40,27 (+8%) domésticos; 1997: Um total de 54,92 milhões de passsageiros com 11,60 sendo internacionais e 43,32 (+9%) domésticos; 1998: Um total de 64,02 milhões de passsageiros com 10,33 sendo internacionais e 53,69 (+24%) domésticos. [Final da descrição]](CARVALHO.%20Transportes.%20p.87-146.%20Acessivel_arquivos/image015.png)
Fonte: DAC, ago. 1999.
P. 127
GRÁFICOS LIGADOS À ATIVIDADE AEROPORTUÁRIA NO BRASIL
CRESCIMENTO ANUAL DE AERONAVES
(POUSO + DECOLAGEM)
![[Descrição da imagem] Gráfico de barras do crescimento anual de aeronaves. As barras possuem os seguintes valores numéricos: 1994: Um total de 1,41 milhões de aeronaves com 0,11 sendo internacionais e 1,29 domésticos; 1995: Um total de 1,57 milhões de aeronaves com 0,13 sendo internacionais e 1,44 (+12%) domésticos, 1996: Um total de 1,63 milhões de aeronaves com 0,14 sendo internacionais e 1,49 (+3%) domésticos; 1997: Um total de 1,81 milhões de aeronaves com 0,15 sendo internacionais e 1,66 (+11%) domésticos; 1998: Um total de 2,05 milhões de aeronaves com 0,16 sendo internacionais e 1,89 (+13%) domésticos. [Final da descrição]](CARVALHO.%20Transportes.%20p.87-146.%20Acessivel_arquivos/image016.png)
Fonte: DAC, ago. 1999.
OS
15 PRINCIPAIS AEROPORTOS EM MOVIMENTO DE PASSAGEIROS EM 1998
![[Descrição da imagem] Mapa do Brasil com a divisão de regiões administrativas da rede Infraero. O país está dividido em cinco regiões, cada uma indentificada por uma sigla central no mapa: CNMN, CNBS, CNBR, CNBE e CNRF. O mapa destaca a localização das principais cidades e aeroportos. Há símbolos indica aeroporto doméstico (triângulo) e aeroporto internacional (estrela). Cidades como Manaus, Belém, Salvador, Fortaleza, Recife, Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Brasília e São Paulo aparecem marcadas com esses símbolos, mostra a presença de aeroportos. [Final da descrição]](CARVALHO.%20Transportes.%20p.87-146.%20Acessivel_arquivos/image017.png)
Fonte: DAC, ago. 1999.
P.
128
MOVIMENTO AÉREO COMERCIAL DE AERONAVES E PASSAGEIROS
NOS PRINCIPAIS AEROPORTOS 1996-1998
|
PRINCIPAIS AEROPORTOS |
Aeronaves pousos e decolagens |
Passageiros |
||||||
|
embarcados |
desembarcados |
em trânsito |
||||||
|
1997 |
1998 |
1997 |
1998 |
1997 |
1998 |
1997 |
1998 |
|
|
Guarulhos
(Guarulhos - SP) |
157.406 |
180.477 |
7.339.624 |
7.038.230 |
1.072.016 |
7.658.938 |
1.276.226 |
1.709.068 |
|
Congonhas
(São Paulo - SP) |
138.179 |
168.131 |
2.915.685 |
3.698.487 |
3.189.128 |
4.059.027 |
3.709 |
13.565 |
|
Rio
de Janeiro ( Rio de Janeiro – RJ) |
80.636 |
102.812 |
3.154.388 |
3.588.084 |
3.224.667 |
3.518.812 |
791.431 |
753.861 |
|
Brasília
(Brasília – DF) |
85.410 |
102.250 |
1.823.787 |
2.170.536 |
1.983.265 |
2.523.073 |
567.823 |
705.837 |
|
Dois
de Julho (Salvador – BA) |
53.020 |
64.714 |
1.081.729 |
1.333.623 |
1.225.243 |
1.525.072 |
550.917 |
682.572 |
|
Pampulha
(Belo Horizonte – MG) |
49.540 |
61.107 |
616.771 |
850.064 |
591.812 |
818.914 |
43.713 |
50.457 |
|
Santos
Dumont (Rio de Janeiro – RJ) |
60.396 |
59.846 |
1.318.065 |
1.046.045 |
1.320.406 |
1.078.161 |
7.7% |
4.359 |
|
Afonso
Pena (Curitiba – PR) |
41.401 |
59.623 |
797.970 |
1.067.788 |
838.302 |
1.068.226 |
338.808 |
436.376 |
|
Salgado
Filho (Porto Alegre – RS) |
44.605 |
58.088 |
974.882 |
1.315.920 |
989.063 |
1.313.976 |
114.737 |
197.869 |
|
Guararapes
(Recife – PE) |
41.839 |
50.029 |
921.729 |
1.163.559 |
1.163.559 |
1.355.038 |
447.683 |
543.265 |
|
Brigadeiro
Eduardo Gomes (Manaus – AM) |
39.336 |
41.712 |
551.071 |
600.995 |
604.040 |
663.267 |
82.191 |
109.047 |
|
Viracopos
(Campinas – SP) |
29.704 |
39.171 |
160.336 |
235.691 |
159.845 |
231.540 |
307.708 |
281.244 |
|
Val-de-Cans (Belém – PA) |
29.227 |
35.158 |
456.209 |
513.883 |
470.326 |
516.543 |
161.391 |
184.812 |
|
Pinto
Martins (Fortaleza – CE) |
27.710 |
29.785 |
708.432 |
857.251 |
727.503 |
894.428 |
209.524 |
199.439 |
|
Hercílio
Luz (Florianópolis – SC) |
19.861 |
24.638 |
344.813 |
419.110 |
343.736 |
421.845 |
105.382 |
118.347 |
|
Marechal
Cândido Rondon (Cuiabá – MT) |
21.928 |
24.287 |
229.534 |
262.708 |
238.313 |
259.055 |
59.231 |
67.990 |
|
Santa
Genova (Goiânia – GO) |
20.526 |
23.470 |
284.126 |
383.253 |
283.512 |
377.617 |
173.209 |
183.302 |
|
Trancredo
Neves (Belo Horizonte – MG) |
21.258 |
22.777 |
258.654 |
496.185 |
538.721 |
548.399 |
184.717 |
197.921 |
|
Eurico
Sales (Vitória – ES) |
17.088 |
20.959 |
304.210 |
414.840 |
302.070 |
412.981 |
51.245 |
44.055 |
|
Londrina
(Londrina – PR) |
15.583 |
18.958 |
120.999 |
174.525 |
121.099 |
177.661 |
110.320 |
169.537 |
|
Augusto
Severo (Natal – RN) |
13.423 |
17.126 |
301.917 |
401.997 |
298.271 |
367.193 |
161.200 |
165.764 |
|
Marechal
Cunha Machado (São Luís – AM) |
14.322 |
16.333 |
165.121 |
213.454 |
162.739 |
223.828 |
145.810 |
149.499 |
|
Campo
Grande (Campo Grande – MS) |
12.685 |
16.030 |
137.826 |
186.394 |
137.749 |
180.774 |
117.480 |
146.661 |
|
Santa
Maria (Aracaju – SE) |
14.295 |
14.502 |
118.793 |
147.658 |
119.981 |
145.586 |
155.086 |
135.671 |
|
Campo
dos Palmares (Maceió – AL) |
13.275 |
12.400 |
209.699 |
253.105 |
201.742 |
250.877 |
156.832 |
149.581 |
|
Teresina
(Teresina – PI) |
9.513 |
8.896 |
96.120 |
116.892 |
93.445 |
115.178 |
94.946 |
110.711 |
|
Eduardo
Gomes (Ilhéus – BA) |
6.458 |
7.152 |
78.851 |
104.471 |
74.793 |
101.412 |
44.572 |
86.640 |
Fonte:
Geipot/Anuário Estatístico do Brasil, 1998.
P.129
CONEXÃO ENTRE ORIGEM/DESTINO DO
PASSAGEIRO E O AEROPORTO
A
conexão do passageiro entre o seu ponto de origem e o aeroporto ou do aeroporto
e o seu ponto de destino pode ser feita através de:
Automóvel
estacionado no aeroporto ou garagem próxima ao mesmo. No caso do automóvel, dirigido pelo próprio
viajante, o veículo fica estacionado no aeroporto até o retorno da viagem. Esse
caso é muito comum nas viagens de curta duração (um ou dois dias). Nos
principais aeroportos administrados pela Infraero, o estacionamento faz parte
da sua fonte de renda, e a política adotada é cobrar uma tarifa bastante alta,
podendo ser considerada até uma proibição ao estacionamento por longos
períodos, o que não acontece na maioria dos aeroportos americanos, onde o
estacionamento no aeroporto é viável por períodos relativamente longos.
Carona
de amigos ou parentes. Geralmente o passageiro é desembarcado na plataforma de acesso ao prédio
do aeroporto ou o veículo é estacionado no aeroporto pelo tempo necessário ao
acompanhamento do embarque. Na chegada do passageiro a operação é inversa.
Táxi. Esse é um meio de acesso ou saída do
aeroporto comum em quase todos os países do mundo. Atualmente, com os
aeroportos distanciando-se cada vez mais dos centros urbanos, o uso do táxi
está limitado aos turistas de maior poder aquisitivo.
Ônibus
ou "perua" de ligação cidade-aeroporto (shuttle bus). É muito usado pelas agências de turismo e passageiros em geral. Em
aeroportos como o Galeão, no Rio de Janeiro, é oferecido um serviço de ônibus
com ar-condicionado, cuia viagem do aeroporto até os principais pontos da
cidade ou vice-versa é rápida, confortável e barata. Infelizmente esse serviço,
prestado de maneira eficiente, está limitado aos aeroportos brasileiros de
grande movimento de passageiros. Na maioria dos países acostumados ao turismo é
um meio de transporte muito usado pelos turistas.
Ônibus
regular. É o uso dos ônibus de tráfego urbano regular para acesso ou saída dos
aeroportos. Em alguns aeroportos centrais (Santos Dumont, Rio de Janeiro,
Congonhas, São Paulo, etc.) o seu uso é bastante simples. Os usuários mais freqüentes desse tipo de transporte são os funcionários do
aeroporto e eventualmente viajantes com pouca ou nenhuma bagagem.
Trem
ou metrô. Esse meio de transporte não permite o acesso aos aeroportos no Brasil. É
muito usado em outros países como o Japão, Inglaterra, Alemanha, etc., principalmente
pelo turista local que viaja com pouca bagagem.
P.
130
TRANSPORTE RODOVIÁRIO NO TURISMO
As
empresas de ônibus no Brasil são classificadas em regulares, que
operam em rotas definidas, com horários e freqüências
preestabelecidas, e não
regulares. As linhas
não regulares incluem
tanto os ônibus de turismo como os utilizados para transporte de empregados de
indústrias, fretamentos, etc. Muitas empresas de ônibus não regulares possuem frotas dedicadas ao transporte de funcionários de indústrias e
utilizam esses mesmos veículos nos fins de semana para viagens curtas, por
exemplo ao litoral (os chamados "farofeiros"), a Foz do Iguaçu
(turismo de compras), a Aparecida (turismo religioso), etc.
Atualmente,
são muito poucas as informações sobre o número de turistas que usa o transporte
rodoviário para entrar no Brasil e para locomover-se dentro do país. Uma ideia mais precisa dos turistas que utilizam o transporte rodoviário no Brasil,
em viagens intermunicipais, interestaduais, internacionais e viagens
específicas de turismo em ônibus, só será possível quando for realizada uma
pesquisa estatística nas empresas rodoviárias, estações rodoviárias, agências
de turismo, etc.
A
figura a seguir indica a entrada de turistas no Brasil segundo a via de acesso.
![[Descrição da imagem] Gráfico de pizza da entrada de turistas no Brasil. Os valores em porcentagem para cada entrada são: Fluvial: 1%; Aéreo: 70%; Marítimo: 1,5%; Rodoviário: 27,5%. [Final da descrição]](CARVALHO.%20Transportes.%20p.87-146.%20Acessivel_arquivos/image018.png)
Fonte: Embratur, 1998.
Um
tipo de turismo rodoviário pouco desenvolvido no Brasil é o uso de trailers ou moto-home, que é
bastante usado nos Estados Unidos e na Europa. O seu uso reduzido se deve
principalmente à falta de divulgação desse tipo de turismo, ao alto custo do
veículo, à falta de segurança nas estradas e à limitada oferta de campings.
P. 131
PAÍS DE ORIGEM DOS TURISTAS SUL-AMERICANOS
QUE FNTRAM NO BRASIL POR
VIA RODOVIÁRIA
![[Descrição da imagem] Gráfico de pizza dos países de origem dos turistas sul-americanos que entram no Brasil por via rodoviária. Os valores em porcentagem para cada país são: Argentina: 53%; Uruguai: 20%; Paraguai: 16%; Outros: 11%. [Final da descrição]](CARVALHO.%20Transportes.%20p.87-146.%20Acessivel_arquivos/image019.png)
Fonte: Embratur, 1998.
LEGISLAÇÃO
O transporte rodoviário intermunicipal
nos estados
é regulamentado por legislação própria de cada estado. No estado de São Paulo a
regulamentação desse transporte é baseada nos Decretos n9 29.912, de
12 de maio de 1989 — Regulamento do Serviço Intermunicipal
Fretado
de Transporte Coletivo de Passageiros —, e n9 29.913, de 12 de maio
de 1989 — Regulamento do Serviço Intermunicipal Regular de Transporte
Coletivo de Passageiros (a regulamentação de cada estado pode ser obtida no site www.abder.org.br).
COLETÂNEA DE ATOS LEGAIS DO SETOR TRANSPORTE[nota 7]
Este documento tem por objetivo reunir, de
forma organizada e sistemática, os atos legais específicos ou de interesse do
setor transporte.
Trata-se de uma compilação feita pela Empresa
Brasileira de Planejamento de transportes (Geipot),
com
periodicidade mensal, que facilita a consulta, a identificação e a recuperação
de atos relativos às diversas atividades desenvolvidas nesse setor.
P. 132
Os
atos legais são relacionados em ordem cronológica da sua publicação no Diário Oficial da União e
aqui apresentados por período e por assunto.
1.
Subsetor
rodoviário
1.1. Transporte de carga
1.2. Transporte de passageiros
1.3. Trânsito
2.
Subsetor
ferroviário
2.1.
Transporte
de carga
2.2.
Transporte
urbano de passageiros
3.
Subsetor
de navegação
3.1.
Navegação
interior
3.2.
Navegação
de cabotagem
3.3.
Navegação
de longo curso
4.
Subsetor
portuário
5.
Transporte
urbano
6.
Transporte
multimodal
7.
Transporte
terrestre de produtos perigosos
8.
Acordos,
tratados e convenções internacionais
9.
Assuntos
gerais
REDE BRASIL DE VIAGENS[nota 8]
Esta-rede
está em fase de implantação e é a união de 28 empresas brasileiras do setor de
transporte rodoviário de passageiros, com a integração operacional de suas
frotas, linhas e infra-estruturas, o que possibilita
o fortalecimento individual, aumento de produtividade, melhoria da qualidade
dos serviços de transporte de passageiros e encomendas e ganho em segurança,
economia, conforto e comodidade para os clientes.
A
rede cobre os quatro países vizinhos: Argentina, Paraguai, Chile e Bolívia e
quase todos os estados brasileiros — exceto, por enquanto, Amazonas, Amapá e
Roraima.
P.
133
POSSIBILIDADES DA REDE
A
rede pretende interligar mais de 3,5 mil cidades e 8,5 mil localidades (distritos
e vilas), representando mais de 80% do potencial de consumo do Brasil. Em
qualquer dos mais de cinco mil pontos de vendas (dois mil próprios e três mil
credenciados), um passageiro, por exemplo, que quiser ir de uma cidade a outra
dentro do Brasil, ou mesmo nos países atendidos, poderá comprar todas as
passagens em sua cidade de origem e despachar sua bagagem diretamente para o
destino final. Antes, sem a integração das empresas, ele era obrigado a dividir
a viagem em vários trechos, indo de uma cidade a outra e lá comprando nova
passagem para um local adiante. Isso obrigava os passageiros a vários
transbordos e a levar sua bagagem de um ônibus para outro, causando desconforto
e despesas com transportes.
POTENCIAL DA REDE BRASIL DE VIAGENS
·
dez
mil ônibus
·
2.138
linhas
·
8,5
mil localidades atendidas (cidades, distritos e vilas)
·
cinco
mil pontos de vendas
·
um
bilhão de quilômetros percorridos anualmente
·
301
milhões de passageiros transportados anualmente
·
1,31
bilhão de reais em faturamento anual
·
mil
municípios com infra-estrutura de oficinas, pontos de
atendimento e venda de passagem, restaurantes, salas vip, garagens, etc.
PROBLEMA DAS ESTRADAS NO BRASIL
A
deficiência da malha viária brasileira, em termos de cobertura do país com
estradas asfaltadas, e o mau estado de conservação das estradas dificultam e
desestimulam o turismo rodoviário no Brasil. No momento, uma viagem
relativamente curta, como é a de São Paulo — Curitiba, pode ser considerada uma
aventura para uma família que queira fazê-la com seu próprio carro, o que não acontece nos Estados Unidos e principalmente na Europa, onde esse
tipo de turismo é intensamente utilizado.
P.
134
TRANSPORTE FERROVIÁRIO
Já
foi o tempo em que o transporte de passageiros no Brasil era ferroviário. A
partir da implantação da indústria automobilística no Brasil e a deterioração
do transporte ferroviário, os ônibus e os automóveis foram tomando o lugar do
trem no transporte de passageiros até substituí-lo completamente. Hoje no
Brasil as ferrovias servem quase exclusivamente para transporte de cargas. O
transporte de passageiros por ferrovia no turismo brasileiro limita-se a algumas
viagens curtas entre localidades turísticas, como é o caso, por exemplo, das
viagens de Campos do Jordão a Pindamonhangaba e a conhecida viagem de Curitiba
a Paranaguá, hoje privatizada (América Latina Logística), que é um trecho de cerca
de 110 quilômetros, com viagens diárias, em que se oferecem poltronas numeradas
e em três classes: standard, luxo e superluxo, cujos preços em janeiro de 2000 variavam entre R$ 14,00
e R$ 22,00. Essas viagens constituem o orgulho turístico da região.
Recentemente,
o Geipot, apoiado por
um consórcio alemão (Consórcio Transcorr RSC),[nota 9] fez um estudo de viabilidade de
implantação de um trem de alta velocidade (TAV) de passageiros para operar no
corredor Campinas — São Paulo — Rio de Janeiro.
A
região diretamente vinculada a esse corredor abrange uma população de aproximadamente
36 milhões de habitantes e concentra cerca de 50% da renda brasileira. Em 1997,
segundo pesquisas do Consórcio Transcorr RSC, o
transporte de passageiros entre os municípios de São Paulo e Rio de Janeiro
tinha a seguinte divisão modal: transporte
aéreo 27,4%, automóvel 22,4%, ônibus 49,3% e trem 0,9%.
Se
for implantado, um TAV poderá fazer a viagem entre o centro do Rio de Janeiro e
a Estação Tietê em São Paulo em aproximadamente duas horas e dez minutos, a uma
velocidade média de 200 km/h. Juntamente com o transporte de passageiros em
geral, esse trem poderá proporcionar ao turista uma viagem agradável, com o
conforto do espaço que o trem pode oferecer, em um tempo total competitivo com
o do avião e a um preço mais acessível.
O
Japão foi o primeiro país do mundo a implantar um trem de alta velocidade, o
Shin Kan Sen, que em sua rota inicial ligava Tóquio a Osaka, a uma velocidade máxima
de 260 km/h. Hoje, esse trem liga o extremo norte ao extremo sul do Japão e
atinge velocidades em torno de 300 km/h.
Na
Europa, o transporte ferroviário de passageiros é altamente desenvolvido e é
muito usado pelo turista. Conta com trens de alta velocidade (TAV), que chegam
P.
135
a atingir 280 km/h; a rede ferroviária européia liga as principais cidades de vários países. Atualmente,
as consultas de horários e a compra de passagens das principais redes
ferroviárias européias podem ser feitas pela Internet,
o que facilita consideravelmente o seu uso, até mesmo pelo turista não europeu.
COMPARAÇÃO ENTRE O TRANSPORTE FERROVIÁRIO
E O AÉREO DE ALGUMAS
CIDADES EUROPÉIAS
|
|
Por trem |
Por avião |
||
|
|
Tempo |
Tarifa (US$) |
Tempo |
Tarifa (US$) |
|
Londres a
Edimburgo |
4 h |
169 |
1 h 15 min |
192 |
|
Paris a Marselha |
4 h 15 min |
160 |
1 h 20 min |
123 |
|
Madri a Sevilha |
3 h 30 min |
116 |
55 min |
156 |
|
Hamburgo a Munique |
6 h |
338 |
1 h 15 min |
332 |
|
Roma a Milão |
4 h |
84 |
1 h 5 min |
284 |
Obs.: As
tarifas ferroviárias são para a classe econômica de julho de 1998. As tarifas
aéreas são para a classe econômica cotada pela empresa aérea da região.
Ex.:
Lufthansa para a Alemanha.
Fonte:
Tabela Eurostar, 1999.
Nos Estados Unidos, o congresso
americano está subsidiando fortemente a reimplantação
do transporte ferroviário de passageiros através da rede ferroviária
AMTRAK, que é o nome comercial da National Railroad Passenger Corporation,
esperando que em 2002 o sistema atinja sua auto-suficiência.
Os trens da AMTRAK servem 45 estados com paradas em centenas de cidades. Entre
outras rotas, a mais conhecida é a ligação entre Nova York e São Francisco, que
atravessa os EUA da costa leste à costa oeste, feita por um trem luxuoso, com
cabinas confortáveis, restaurante, bar, etc., mas que viaja a uma velocidade
média pouco superior a 100 km/h. Ou seja, essa viagem
é realizada por um trem tipicamente turístico. O web site para compra de passagens da AMTRAK é www.amtrak.com.
TRANSPORTE MARÍTIMO
Não está muito longe o tempo em
que o transporte de passageiros através dos oceanos era feito em magníficos
navios, dotados de todo o luxo e conforto. Com o aperfeiçoamento do avião,
principalmente após a consolidação do avião a jato, a par-
P.
136
tir da década de 1950, esses navios foram perdendo a característica de
transporte transoceânico de passageiros para se tornar transportes
exclusivamente de viagens turísticas. Nessas viagens, o verdadeiro objetivo não é chegar ao destino, mas desfrutar tudo o que é oferecido a bordo do
navio, com seus shows, cassino, farta alimentação e muitas outras atividades
de lazer para todas as idades.
Em um cruzeiro marítimo, a possibilidade de os membros de uma família
ficarem juntos é relativa, pois as crianças e os jovens têm suas atividades de lazer, enquanto os mais velhos se divertem com outras. Praticamente,
eles só se encontram nas horas de almoço e jantar.
Nos portos de escala do navio, apenas parte dos passageiros adere aos
programas turísticos no local, e a outra parte prefere ficar a bordo ou
limita-se a tours terrestres de curta duração.
LEGISLAÇÃO[nota 10]
No Brasil, a cabotagem por embarcações estrangeiras foi facilitada pela
alteração da Constituição Federal, quando as mesas da Câmara dos Deputados e do
Senado Federal, nos termos do § 3Q do artigo 60 da Constituição
Federal, promulgaram a seguinte Emenda ao texto constitucional:
Art. 190 art. 178 da Constituição Federal passa a vigorar com
a seguinte redação:
Art. 178. A lei disporá sobre a ordenação dos transportes aéreo, aquático
e terrestre, devendo, quanto a ordenação do transporte internacional, observar
os acordos firmados pela União, atendido o princípio da reciprocidade.
Parágrafo único. Na ordenação do transporte aquático, a lei estabelecera
as condições em que o transporte de mercadorias na cabotagem e a navegação
interior poderão ser feitos por embarcações estrangeiras.
Apesar da alteração do artigo 178 da Constituição Federal, a lei que deve
estabelecer as condições para a navegação de embarcações estrangeiras na
cabotagem e na navegação interior ainda não foi promulgada, ficando essa
navegação baseada em licenças temporárias. No caso dos navios de passageiros,
pela total inexistência de concorrência nacional, há uma certa facilidade na
obtenção da licença para operar em rotas brasileiras.
P.
137
Para
melhor compreensão da legislação sobre navegação recomenda-se a leitura da
legislação pertinente ao assunto, disponível no site www.geipot.gov.br/informa- coes/coletanea — Coletânea de atos legais do setor transportes.
ESCOLHA DO NAVIO
Em
viagens marítimas "tamanho e idade são documento". Quanto maior e
mais moderno for o navio, maior a sua estabilidade e a sua segurança no mar.
Isso é particularmente importante para as pessoas sensíveis a enjôos marítimos. Um navio como o Voyager of the Seas, da Royal Caribean, com cerca de 278 metros de comprimento e um
deslocamento bruto (peso) de cerca de 140 mil toneladas, com capacidade para
3,1 mil passageiros, construído em 1999, além de seu tamanho, possui
estabilizadores e outros dispositivos que eliminam totalmente o balanço no mar,
mesmo sob fortes ventos. Alguns navios antigos, de porte bruto da ordem de 40 a
50 mil toneladas, como alguns que operam durante o verão na costa brasileira,
são bastante sensíveis ao mau tempo, quando atingidos por ventos fortes,
causando enjôo em alguns passageiros.
Do
ponto de vista do serviço de bordo e das diversões oferecidas aos passageiros,
a escolha baseia-se na preferência pessoal do turista. Existem navios com tripulações
italianas, gregas, americanas, inglesas, norueguesas, etc., cada uma com sua
tradição de serviço, idioma a bordo, etc.
SEGURANÇA DO NAVIO NO MAR
Os
grandes acidentes marítimos contribuíram muito para a melhoria da segurança da
vida humana no mar. O incêndio do General Slocum, em
1904, quando morreram cerca de mil passageiros, e o mais famoso dos acidentes marítnnos, que foi o naufrágio do Titanic, em 1912, quando morreram cerca de 1,5 mil
passageiros, resultaram na Convenção para Salvaguarda da Vida Humana no Mar (Convention on Safety of Life at Sea — Solas),[nota 11] que orienta o projeto de
engenharia naval em ter-
P.
138
mos de estabilidade e
flutuabilidade do navio, sistemas de segurança para instalações de
equipamentos, etc. Entre outras coisas, exige-se que o navio tenha barcos salva-vidas
com capacidade para o dobro do total possível de pessoas a bordo e coletes
salva-vidas para 125% desse total.
Outros acidentes, como o do Andrea Doria, que
foi abalroado pelo Stockholm em 1956,
quando morreram 52 pessoas, resultaram em mais aperfeiçoamentos das regras,
principalmente no que diz respeito ao projeto de estabilidade do navio. O incêndio
ocorrido no Universe Explorer, em 1996, quando cinco tripulantes morreram por
inalação de fumaça, suscitou uma revisão nas normas para proteção contra incêndio
em navios de passageiros. Essas novas exigências, bastante complexas, são
atendidas pelos navios recentemente construídos, e os navios mais antigos têm
um prazo até 2005 para se adaptar a elas.
Uma das exigências do Solas é que pelo menos
uma vez, em cada viagem, seja feito um exercício de abandono do navio. Esse
exercício, que consiste basicamente em cada passageiro vestir o seu colete
salva-vidas, que se encontra em sua cabina, e dirigir-se ao convés onde se
encontram os botes salva-vidas, nem sempre é cumprido na íntegra,
principalmente porque muitos dos grandes navios de passageiros adotam a chamada
"bandeira de conveniência", isto é, o armador (empresa que opera o
navio) registra o navio em um país cujas leis são mais flexíveis em relação ao transporte
marítimo (Libéria, Panamá, etc.). Em substituição ao exercício, o que muitos
dos grandes navios fazem é fornecer folhetos de instruções aos passageiros com
o fim de instruí-los sobre o que fazer em caso de algum evento que ponha em risco
o navio. A falha desse procedimento previsto no Solas ficou notória no incêndio
do Ecstasy, da Carnival, ocorrido recentemente, em
que ninguém se feriu, mas a confusão a bordo, na qual nem passageiros nem
tripulantes sabiam o que fazer, mostrou que, se o acidente fosse de maiores
proporções, podeira ter ocorrido uma grande tragédia.
O TRANSPORTE FLUVIAL NO BRASIL
O transporte turístico em rios e lagos
brasileiros ainda é bastante limitado, embora tenha um grande potencial para
crescer, uma vez que o Brasil dispõe de uma das maiores malhas hidroviárias do
mundo. A extensão total das águas superficiais fluviolacustres do Brasil é
estimada em cinqüenta mil quilômetros. Destes, cerca
da metade é potencialmente navegável.
P.
139
A navegação fluvial
é o principal meio de transporte de passageiros na bacia amazônica, uma vez que
a única alternativa, que é o transporte aéreo, é cara e atinge apenas as
cidades que dispõem de aeroporto comercial. O uso desse transporte pelos
turistas é muito limitado e não há informações sobre o número de turistas, nacionais
ou estrangeiros, que o utilizam.
Existem diversas
empresas de navegação fluvial operando na bacia amazônica com viagens centradas
em Belém e Manaus para as cidades localizadas nessa bacia. As informações
detalhadas sobre horários de partida, nome da embarcação e preço podem ser
obtidas no site www.cbpf.br/america_univ.html.
A hidrovia
constituída pela bacia dos rios Tietê e Paraná, pelas suas características —
percorrer uma região de grande poder econômico — e pela existência de projetos
para viabilização da navegação fluvial (tais como a previsão de construir eclusas
durante as obras das barragens), realçados pela construção do canal Pereira
Barreto (que estabelece a ligação entre o Tietê e o Paraná acima da barragem de
Ilha Solteira, construída sem eclusa), representa um grande potencial ao
desenvolvimento da navegação.
Atualmente, são
1.040 quilômetros totalmente navegáveis, contando com o auxílio de cinco
eclusas (Barra Bonita, Bariri, Ibitinga,
Promissão e Nova Avanhandava) e o
canal Pereira Barreto. As eclusas de Jupiá,
Três Irmãos e Porto Primavera, em construção, vão
ampliar o sistema de navegação, possibilitando atingir a barragem de Itaipu,
chegando a cerca de 2,4 mil quilômetros de extensão. Quando forem construídas
as eclusas da Usina Hidrelétrica de Itaipu (ainda sem previsão) será possível a
integração com a Argentina, Uruguai e Paraguai.
Pela bacia do
Paraguai pode-se navegar desde Cáceres, no Brasil, passando pela Bolívia,
Paraguai, Argentina e, finalmente, atingir Buenos Aires ou Montevidéu. São
3.440 quilômetros entre os portos de Cáceres, no Mato Grosso do Sul, até Nueva
Palmira, no Uruguai.
LOCAÇÃO DE VEÍCULOS
No setor de locação
de veículos nu Brasil, a grande clientela são os executivos que viajam a
serviço e precisam de um meio de locomoção entre o aeroporto e o local de
negócios, que pode ser até em outra cidade. Ao contrário do que ocorre nos EUA
e na Europa, a procura pela locação de veículos para turismo no Brasil ainda é muito limitada.
P.
140
O quadro a seguir apresenta o faturamento das grandes empresas de locação de veículos nos Estados Unidos.
|
Empresa |
Receita em 1997 (US$ milhões) |
Frota média em 1997 |
Receita média por carro em 1997 (US$) |
|
Hertz |
3.000 |
250.000 |
12.000 |
|
Avis |
2.000 |
200.00 |
10.000 |
|
National |
1.750 |
145.000 |
12.069 |
|
Budget |
1.600 |
125.000 |
12.800 |
|
Alamo |
1.300 |
130.000 |
10.000 |
|
Dollar |
707 |
62.000 |
11.403 |
|
Thrifty |
363 |
34.000 |
10.676 |
Fonte: Auto Rental News, Bobit
Publishing Co., 1998.
Embora a locação de veículos seja bastante simples nos Estados Unidos, exceto para aqueles com idade inferior a 25 anos, a locação em outros países
pode ser mais complicada, havendo uma série de custos adicionais ao valor da
locação, relativos principalmente às modalidades de seguro que o locatário pode
fazer.
No Brasil, apesar de a locação de veículos ser relativamente simples,
algumas locadoras solicitam que o locatário assine um boleto de cartão de
ciédito em branco. Esse é um risco não recomendado ao turista, pois um pequeno
acidente pode se transformar em uma elevada soma, sob o ponto de vista da
locadora.
APROFUNDAMENTO NO ESTUDO DO TRANSPORTE NO TURISMO
O aprofundamento do estudo na área de transporte no turismo envolve
pesquisa em agências de turismo; empresas de transporte (rodoviário, aéreo,
locadoras de veículos, marítimo e ferroviário); órgãos públicos e entidades de
classe ligados ao transporte de passageiros; jornais, revistas especializadas e
livros que discorram sobre o transporte de passageiros.
Os objetivos da pesquisa devem ser:
- conhecimento dos motivos
que levam o turista a sair de casa (turismo de aventura, ecológico, esportivo,
temático, etc.);
- de acordo com cada
motivo, quais as suas preferências a respeito do modal de transporte (avião, ônibus,
automóvel próprio ou alugado, embarcação, etc.);
P. 141
- qual o apoio que deve ser
prestado ao turista durante a sua viagem (guia, mapas, etc.);
- regiões do Brasil preferidas
pelos turistas, separando as viagens realizadas até chegar ao destino e como se
locomovem na região de destino;
- turistas que chegam ao Brasil,
pesquisando-se o transporte utilizado e como se locomoverão no país;
- qual o transporte utilizado para
chegar ou sair de aeroportos, estações rodoviárias, ferroviárias e portos;
- utilização de hospedagem durante
a viagem;
- dados estatísticos sobre a
movimentação de turistas no Brasil e dos que chegam e saem do país.
Observação: as estatísticas
sobre a entrada de turistas no Brasil decorrem do processamento dos cartões de
embarque/desembarque, de preenchimento obrigatório pelos residentes no exterior
que entram no país e se enquadram na definição de turistas estabelecida pela
Organização Mundial do Turismo. O órgão governamental responsável, no Brasil,
pelo controle do preenchimento do cartão de embarque/desembarque é o
Departamento de Polícia Federal.
PESQUISA NA INTERNET
A pesquisa na Internet permite
o acesso a um grande número de informações atualizadas. Alguns sites recomendados são:
http://www.clml.org - Council
of Logistics Management: home pagc
oficial, com diversos links
para serviços, procura bibliográfica, informações, etc. http://www.seade.gov.br- Fundação
Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade): home page considerada por organismos
avaliadores da Internet brasileira altamente funcional (FrêmioTop
Internet ADVB); apresenta ampla gama de serviços, informações, etc. Permite
também procura por tema, produtos Seade e livre.
http://www.transportes.gov.br-acesso a informações atualizadas na
área de infra-estrutura multimodal em transportes e
diversos links ligados à área
de transportes. http://www.nas.edu/trb-Transportation Research Board:
publicações, artigos, links
relativos a transportes.
http://www.geipot.gov.br - informações sobre transportes no Brasil.
http://www.ibge.gov.br -
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Fornece informações
estatísticas em geral sobre o Brasil.
P.
142
http://www.dac.gov.br - Departamento de Aviação Civil. Apresenta informações em geral sobre o
transporte aéreo no Brasil e oferece diversos links referentes a aviação e transporte aéreo. http://www.boeing.com
- site da Boeing. Fornece informações sobre o mercado do transporte aéreo e
seus produtos.
http://www.airbus.com - site da Airbus. Fornece informações
sobre os aviões e outros equipamentos produzidos pela Airbus.
http://www.nytimes.com -site do jornal New York Times. Permite a pesquisa de reportagens publicadas
pelo jornal. Muitas informações sobre o turismo podem ser obtidas com essas
pesquisas. http://www.estadao.com.br
- site do jornal O Estado de S.
Paulo. Permite a pesquisa de
reportagens publicadas pelo jornal. http://www.amazon.com
- empresa americana que
vende livros pela Internet. http://www.barnesandnoble.com
- empresa americana que
vende livros pela Internet. http://www.livros.com.br- empresa brasileira
que vende livros pela Internet.
http://www.lmi.org-Logistics Management Institute.
Referências bibliográficas, links para sites correlatos,etc.
http://www.astl.org/ - American Society
of Transportation and
Logistics.
http://www.citt.ca/ - Canadian Institute
ofTraffic and Transportation.
http://www.fritzinstitute.org/ - Fritz Institute of
Global Logistics.
http://www.ids-logistik.de/ - IDS Logistik
GmbH.
http://www.itsa.org/ - IntelligentTransportation
Society of America.
http://www1.usal.com/-ibnet/icclogtr.html -International Chamberof
Commerce/Logistics&Transport.
http://logassoc.asn.au - Logistics Management Association.
http://www2.cob.ohio-state.edu/~tla - Ohio State University
/Transportation and
Logistics Association.
http://www.telebyte.com/sole/sole.html
-The Society of Logistics
Engineers. http://www.wto.org
- World Trade Organization.
http://www.faa.com - Federal Aviation
Agency. Fornece informações sobre o transporte aéreo nos Estados Unidos e
oferece diversos links na área. http://www.dot.gov - U.S. Department ofTransportation; site oficial do governo americano sobre transportes. Além das informações
sobre transporte nos Estados Unidos, oferece diversos links na área. http://www.bts.gov
- Bureau ofTransportation Statistics. Órgão
do governo americano especializado em estatísticas sobre transporte. http://www.varig.com.br - site da Varig. http://www.tam.com.br
- site da TAM. http://www.transbrasil.com.br - sife da Transbrasil. http://www.vasp.com.br - site da Vasp. http://www.voegol.com.br - site da Gol.
P.
143
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Tribunais, 1998.
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turismo no Brasil. São Paulo: CTI/Terra, 1991.
___. Viagem na memória: guia histórico das
viagens e do turismo tio Brasil. São Paulo: Editora
SENAC São Paulo, 2000.
VELZE, R. Logística empresarial: uma introdução à
administração dos transportes. Principais elementos físicos do transporte: via
(caminho), terminal (portos, marinas), frota motriz. São Paulo:
Pioneira, 1974. WRIGHT, C. L. O que é
transporte urbano. São Paulo: Brasiliense, 1988, Coleção Primeiros
Passos.
OUTRAS FONTES
ATLAS GEOGRÁFICO
É fundamental que o planejador
de viagens tenha à mão um atlas, mundial ou específico, da região onde se
pretende fazer o turismo. Alguns atlas sugeridos são:
National Geographic Road Atlas 1999 by National Geographic
Society - este atlas
cobre as rodovias americanas.
Atlas of the World by Oxford University Press - atlas
mundial, atualizado com as novas fronteiras dos países. Concise
Atlas of the World by National
Geographic - atlas
mundial publicado pela National Geographic Magazine.
The Cartographic Satellite
Atlas of the World - atlas
baseado em fotos de satélites. Possivelmente o atlas mais preciso do mercado.
The Times Atlas of the
World: Comprehensive Edition by Peter
Smith - um dos mais completos atlas à venda
no mercado.
Microsoft Encarta -World Atlas -vendido em CD-ROM. É bastante útil pela sua
facilidade de uso, embora sua precisão deixe a desejar.
Quatro
Rodas - Guia
Brasil. São Paulo: Abril,
1998.
Aviação em
Revista. São Paulo, Aviação em Revista
(vários números).
Avião Revue. São Paulo, Motor Press Brasil
(vários números).
Brasilturis. São Paulo (vários números).
Flap International. São Paulo, Grupo Editorial Spagat (vários números).
P.
145
Viagem e Turismo. São Paulo: Azul,
1995.
Revista Ferrovia. São Paulo,
Órgão Oficial da Associação dos Engenheiros da Estrada de Ferro Santos— Jundiaí
(coleção completa).
Revista Transporte
Moderno. São Paulo, TM (vários números).
Revistar. São Paulo, Associação das Empresas de Transporte e Turismo do Estado de São
Paulo (vários números).
Rodovia. São Paulo,
Cesário Marques (vários números).
Technibus. São Paulo,Dutsche (vários números).
VARIG. Introdução
à empresa. Direção de tráfego e vendas. São Paulo,
1984 (publicação interna).
VASP. Material
de integração. São Paulo: Direção de Recursos Humanos, 1983 (publicação interna).
P.
146
Página notas de rodapé
Nota 1, página 95: O texto deste item baseia-se
em informações divulgadas pela Boeing Commercial Airplanes no site http://www.boeing.com/commercial
e pela Airbus Industrie no site
http://www.airbus.com.
Nota 2, página 99: Os textos deste item e de "Tráfego
internacional", "Crescimento da capacidade de transporte
internacional", "Previsão das aquisições futuras de aeronaves" e
"Tipos de aviões" baseiam-se em informações divulgadas pela Boeing Commercial Airplanes no Market
Outlook, no site http://www.boeing.com/commercial.
Nota 3, página 106: O texto deste item foi baseado
em informações divulgadas pelo Departamento de Aviação Civil (DAC), no site http://www.dac.gov.br.
Nota 4, página 111: O texto deste item foi
baseado em informações divulgadas pelo Departamento de Aviação Civil (DAC), no site http://www.dac.gov.br e reportagens publicadas
pela Folha de S. Paulo, 21 out. 1999.
Nota 5, página 122: Para maior aprofundamento
sobre o assunto recomenda-se acessar o site
do DAC e acompanhar as publicações dos balanços das empresas aéreas nos jornais
de maior circulação do país.
Nota 6, página 124: Para maior aprofundamento
sobre o assunto, recomenda-se a leitura do estudo Impacto econômico do Aeroporto Santos Dumont, editado pelo DAC.
Página notas de rodapé
Nota 7, página 131: Para
melhor compreensão da legislação sobre o transporte rodoviário no Brasil
recomenda-se a leitura da legislação pertinente ao assunto, que pode ser
acessada através do site do Geipot (www.geipot.gov.br/ informacoes/coletanea) — coletânea de atos legais do setor transporte.
Nota 8, página 132: Mais informações podem ser obtidas no site http://www.onibus.com.br.
Nota 9, página 134: Projeto
para o Corredor de Transporte Rio de Janeiro-São Paulo-Campinas. Esse estudo
foi feito por um consórcio entre o Geipot e o
BMZ-Kreditanstalt für Wiederaufbau,
cujo escritório fica em São Paulo.
Nota 10, página 136: A legislação sobre o setor de transporte
pode ser obtida no site http://www.geipot.gov.br.
Nota 11, página 137: A
biblioteca do curso de Engenharia Naval da Escola Politécnica da Universidade
de São Paulo possui cópias dessa convenção, que poderão ser consultadas
mediante contato com a administração do curso.